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O brasileiro Felício sobe para fazer dois pontos para o Chicago Bulls, na NBA SOOBUM IM/USA TODAY SPORTS

Cristiano Felício, a aposta do Chicago Bulls para o futuro

No momento em que brasileiros perdem espaço na NBA, pivô de 2,10 m que atuou no Flamengo supera desconfiança e começa a se consolidar nos EUA

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2017 | 07h00

Com alguns brasileiros perdendo espaço na NBA, um nome aparece como o futuro do País na principal liga de basquete do mundo. Depois de passagem discreta pelo Flamengo, Cristiano Felício, mineiro de Pouso Alegre, é visto pela direção do Chicago Bulls como uma das grandes apostas, e promessas, para os próximos anos. As palavras do técnico Fred Hoiberg para a imprensa dos EUA demonstram como o pivô de 2,10 m e quase 120 kg vem ganhando espaço no time de Illinois. 

“Acho que o céu é o limite para Cristiano. Ele é um jogador que permite que nós mudemos o modo como cobrimos bloqueios só pela forma como move os pés. Ele fica mais confortável a cada partida e já virou uma parte importante do nosso time.”  Sempre discreto, mas com um sorriso no rosto, Cristiano Felício não esconde a felicidade ao ser questionado pelo Estado sobre os elogios da comissão técnica e dos companheiros de Bulls. “Isso me dá alegria, uma sensação de ter o trabalho reconhecido. Venho treinando bastante e me esforçando para escutar os jogadores e os técnicos.” 

Na última temporada, ainda em seu ano de calouro, o brasileiro jogou 31 partidas, com médias de 3 pontos e 3 rebotes em pouco mais de 10 minutos por jogo. Nesta temporada, os números passaram para 66 partidas, com quase 5 pontos e 5 rebotes por disputa, em 15 minutos. 

“No primeiro ano, você é novo e ninguém te conhece, ainda mais vindo do Brasil. Isso dá uma maior liberdade dentro de quadra”, explica. “No segundo ano, os adversários têm mais vídeos com suas características. Mas estou me adaptando bem e posso melhorar.”

Na opinião do pivô, o jogo ofensivo é a principal deficiência a ser aprimorada. “Tenho de ter mais consistência no ataque para ajudar os Bulls da melhor maneira possível.” Quando questionado sobre os itens nos quais evoluiu desde a época do Flamengo, Felício não perde tempo: “Minha condição física foi meu maior ganho nestes dois anos aqui nos EUA”, avalia.

Mesmo com o bom desempenho de Cristiano Felício, a diretoria do Chicago Bulls ainda não iniciou conversas para uma renovação de contrato com o jogador, que defendeu a seleção brasileira na última Olimpíada. “Meu contrato acaba este ano e minha cabeça, por enquanto, não está na renovação. Quando chegar a hora, vou sentar com meus representantes e meus familiares para decidir tudo.”

COMEÇO DIFÍCIL

A chegada de Cristiano Felício aos Estados Unidos teve vários percalços. Revelado pelo Minas Tênis Clube, o jogador deixou o Brasil aos 17 anos para se arriscar em um programa de basquete em Sacramento, na Califórnia, chamado CCSE Prep Academy. 

A escola, que apenas focava o esporte e terceirizava seu ensino, enfrentou diversos problemas. O presidente da instituição, Francis Ngissah, foi condenado a 10 anos de prisão em 2014 por abuso sexual. 

Felício conseguiu uma bolsa na universidade de Oregon, mas o sonho virou pesadelo. Na NCAA, qualquer forma de pagamento aos atletas é proibida. A análise da documentação de Felício comprovou uma ajuda de custo do Minas para viagem e alimentação. Inelegível então para jogar no basquete universitário, ele voltou ao Brasil para assinar com o Flamengo, onde não teve destaque. “Às vezes, tenho mais espaço para fazer uma infiltração (nos EUA) porque o garrafão não é tão congestionado. Além disso, o Flamengo tinha outros atletas que se destacavam na minha posição.”

Nesta temporada, novo baque. O amigo e mentor Joakim Noah, filho do tenista francês Yannick Noah, deixou os Bulls para defender o New York Knicks. “O Noah me ajudou muito nesse primeiro ano. Dentro de quadra, ele sempre estava falando, quase me guiando. Ainda existem jogadores no grupo que me ajudam e eu estou tentando aprender o máximo.”

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Estrelas cobram mais empenho dos jogadores jovens

Dwyane Wade e Jimmy Butler acusaram publicamente alguns atleta de falta de compromisso nas partidas

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2017 | 07h00

Enquanto as coisas estão indo bem no Chicago Bulls para Felício, o clima entre as estrelas da franquia não é tão simples. Os dois principais jogadores do time, Dwyane Wade e Jimmy Butler, acusaram publicamente alguns atletas, principalmente os mais jovens, de falta de empenho nas partidas.

Já Rajon Rondo, campeão com o Boston Celtics em 2008, saiu em defesa do grupo criticado dos Bulls. “Eles (Wade e Butler) acharam que seria uma coisa boa no momento (cobrar publicamente), mas não acho que foi uma coisa que atrapalhou a gente”, minimiza o jogador. 

Nos playoffs, os Bulls terão uma “pedreira” pela frente. Como se classificaram em último lugar, conquistando a oitava vaga apenas, o time vai enfrentar o Boston Celtis, o mais bem colocado da Conferência Leste.

Embora não tenha entrado em confronto com Dwyane Wade por causa da entrega nos treinos, Felício entrou em outra polêmica. Em uma partida contra o Cleveland Cavaliers, o brasileiro impediu o companheiro de pegar um rebote que garantiria um triplo-duplo.

“Não sabia dos números, estava em quadra procurando fazer o meu máximo para ajudar a equipe. Eu subi para defender o meu garrafão, para pegar o rebote. Aquele rebote daria o triple-double a ele, mas eu não sabia, eu estava muito concentrado no meu objetivo. Isso acontece”, conta o brasileiro. “Ele veio depois e falou algumas coisas comigo, em tom de brincadeira. O mais importante é que queríamos vencer a partida, precisávamos de um bom resultado e saímos de lá com a vitória”, conta Felício. 

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