Reprodução/Instagram
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Damiris diz ter preocupação com a família no Brasil e revela apoio psicológico da WNBA

Brasileira retorna ao Minnesota Lynx para o reinício das atividades da liga após paralisação pela pandemia global de covid-19

Sergio Neto, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2020 | 16h45

A pandemia do novo coronavírus mudou drasticamente a rotina do mundo todo e alguns países tentam se adaptar à nova realidade para retomar as atividades. A WNBA, liga de basquete feminino dos Estados Unidos, está com a volta prevista para o fim deste mês e as jogadoras começaram o processo para se encaixar nos novos hábitos.

É o caso de Damiris Dantas, pivô do Minnesota Lynx e a da seleção brasileira. Em videoconferência, ela conta que passou cinco meses distante do esporte profissional e de suas companheiras de equipe. Agora, com a volta gradual dos treinos e dos jogos, revela que a liga tem dado o suporte necessário, mas que ainda assim é difícil de ser familiarizar com as novas regras sociais.

Ao lado das colegas de equipe, a paulista de 27 anos está confinada na Flórida, onde o cotidiano da WNBA começa a ser retomado. "É complicado. A gente está aqui numa 'bolha', com o pensamento na família, por exemplo a minha que ficou no Brasil. Não veio ninguém comigo. Algumas meninas trouxeram os filhos, a mãe, o marido... Enfim, a gente sempre fica muito apreensivo."

Apesar de toda as adversidades que a covid-19 trouxe para o cenário esportivo, Damiris conta que a entidade feminina está se esforçando para oferecer o suporte necessário. Por exemplo, oferecendo auxílio psicológico, algo que tem sido pauta em diversos debates. "A liga pensou nisso também. A gente tem um trabalho com a psicóloga toda semana, com grupo ou individual. Eu particularmente tenho toda semana individual e tem me ajudado muito", contou.

"Eu sei que o mundo está uma bagunça agora devido à pandemia. Mas estar aqui jogando com todo esse cuidado, sabendo que a minha família está longe, mas graças a Deus está todo mundo bem é até melhor do que estar em casa. A liga está tomando todos os cuidados e essa parte de ter a psicóloga com a gente tem ajudado muito", revelou a brasileira.

No começo, em Minnesota, a brasileira chegou a ficar quatro dias em isolamento total, treinando apenas individualmente. Depois, na Flórida, ficou pelo mesmo período em um quarto de hotel, afastada das demais colegas. Só então a partir do quinto dia que começaram os treinos coletivos.

"Eu estava com muita saudade de jogar basquete, desse treino coletivo! Claro, tomando todos os cuidados. Eu acho que a WNBA tem mandado bem nos cuidados na 'bolha' e foi muito bom voltar. A gente viu o brilho no olho de cada uma", revelou. O Lynx ainda vai fazer alguns amistosos para ganhar entrosamento antes da volta definitiva dos compromissos oficiais.

Outro ponto que mudou foi o papel de Damiris em sua equipe. A brasileira está no seu 6º ano na WNBA e durante todo esse tempo jogou ao lado de atletas que tinham mais destaque, o que fazia com que sua participação em quadra fosse um pouco ofuscada. Agora, como uma das veteranas da equipe, conquista mais confiança da comissão técnica.

"Eu tive uma conversa muito boa com a coach referente a isso (papel na equipe)", declarou. "E a conversa foi exatamente essa. Da outra temporada para essa, eu venho me destacando mais e o que foi pedido é para que eu assuma essa responsabilidade. Ela já falou que vai fazer mais jogadas para me ver pontuando, para me ver em ação."

MOVIMENTO POR IGUALDADE

Um assunto que tem tomado conta dos noticiários mundiais são as manifestações por direitos iguais, desencadeadas pela morte de George Floyd por um policial branco. A brasileira conta que a WNBA está bastante ativa neste processo de inclusão e que, por ser atleta, possui certa responsabilidade em defender o que acredita.

"No Brasil, a gente tem alguns grupos com meninas de seleção, de times e eu conto tudo que acontece aqui, esse respaldo que a gente tem da liga. Querendo ou não é uma ajudando a outra. Juntas somos mais fortes", disse.

"Quando eu cheguei aqui bem novinha, acabava que eu ficava meio perdida e sem entender muitas coisas. E agora eu tenho outro papel de estar mais atenta, de querer participar mais, é uma causa minha também. Eu me sinto muito acolhida pela liga e privilegiada de estar aqui jogando", completou.

CENÁRIO BRASILEIRO

Damiris também foi questionada sobre o cenário do basquete feminino do Brasil. Fora da próxima Olimpíada, a equipe se viu obrigada a iniciar uma renovação pensando nos Jogos de 2024, em Paris. Mas, apesar do recente resultado negativo, a pivô crê em um bom futuro da equipe nacional nas próximas competições.

"Eu acredito que o basquete feminino mais uma vez está num momento muito bom. Todo mundo que acompanha viu a nossa evolução e a gente sabe que a gente pode evoluir muito mais. Eu acho que esse é o momento", analisou. "Em poucos meses a gente já teve uma grande mudança, então imagine nesse ciclo olímpico. Muita coisa vai melhorar, muita coisa vai acontecer."

Ela também fez questão de elogiar o trabalho do técnico José Neto à frente do time principal. "A gente se fala toda semana. Ele se preocupa muito com todas as jogadoras. Ele tem esse lado muito cuidadoso e é um grande profissional."

"Ele trouxe muita coisa boa e nova para o basquete feminino. A evolução é nítida. E a gente está no caminho certo, a gente está em boas mãos agora", elogiou.

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