Robyn Beck/AFP
Robyn Beck/AFP

Dona dos Lakers divulga carta racista que recebeu: 'Vá para o inferno e se junte a Kobe Bryant'

Executiva Jeanie Buss conta que recebe diversas cartas preconceituosas e que é hora de parar de ignorar o racismo existente no mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2020 | 12h29

Em meio à onda de protestos antirracistas que ocorrem nos Estados Unidos e se espalham pelo mundo, algumas manifestações preconceituosas começam a ganhar notoriedade. Presidente e proprietária do Los Angeles Lakers, a executiva Jeanie Buss foi às redes sociais para divulgar uma carta que recebeu, cujo conteúdo é discriminatório e ofensivo.

O autor ainda assinou como Joe, cujo sobrenome foi rasurado na foto pela própria executiva. O homem se diz torcedor da franquia de Los Angeles há 60 anos e, em tom desrespeitoso e criminal, sugere que a dona da equipe se junte a Kobe Bryant no inferno. O astro, campeão da NBA com os Lakers por cinco vezes, morreu em acidente de helicóptero em janeiro, que tirou a vida também de sua filha Gianna, de apenas 13 anos, e de outras sete pessoas.

"Cara, p... Depois de 60 anos como um grande fã dos Lakers, eu agora digo para o inferno com os n... superfaturados traidores e à NBA", relata o conteúdo da carta, em tradução livre. "Vá para o inferno e se junte ao n..., Kobe Bryant". Por fim, assinou. Além de ocultar o sobrenome do autor, Buss ainda fez questão de censurar palavras racistas usadas por ele ao se referir a Bryant e a outros jogadores negros da equipe.

Em sua publicação, a dirigente disse que pensou muito antes de tornar pública a carta e seu conteúdo, que foi entregue a ela na última segunda-feira. A dona dos Lakers ainda fez questão de se dirigir pessoalmente a Joe, contestando o autor e ainda agradecendo-o por ter acrescentado seu endereço para o retorno da mesma.

"Depois de muita reflexão, eu decidi compartilhar essa carta que eu recebi na segunda-feira, para que todo mundo possa ver que o ódio é real e está solto por aí. Isto está acontecendo em nosso mundo hoje. É real e é existente", escreveu Buss na publicação em seu Instagram.

"A Joe: Enviar essa carta fez você se sentir melhor? Realmente tudo o que você fez foi desperdiçar seu tempo, e energia e seus selos postais. (Mas te agradeço por incluir seu endereço residencial para retorno). Porque você não se olha no espelho e vê a sua feiura, pois eu me recuso. Eu tenho recebido cartas como esta ao longo dos anos. O conselho que eu sempre tenho? Apenas ignorar. Eu faço. Mas não mais. Neste dia, Juneteenth (19 de junho é Dia da Emancipação nos Estados Unidos) eu peço aos meus amigos que se juntem a mim, reconhecer o racismo existente em nosso país e em todo o mundo e comprometer-se a parar de ignorá-lo. Todos devemos fazer melhor", completou.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

After much thought, I decided to share this letter I received on Monday so that everyone can see the hate is real and living out there. This is happening in our world TODAY. Its real and it exists. To Joe: Did sending this letter make you feel better? Really all you did was waste your time, and energy and your postage stamp. (But thank you for including your return home address) Why don’t you look in the mirror and see your ugliness because I refuse to. I have received letters like this over the years. The advice I always got? “Ignore it.” I did. But not anymore. On this day, Juneteenth, I ask my white friends to join together, acknowledge the racism that exists in our country and around the world, and pledge to stop ignoring it. We all must do better. #juneteenth #hatewontwin

Uma publicação compartilhada por Jeanie Buss (@jeaniebuss) em

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