Draft da NBA: Brasil torce por Nenê

O nome de um brasileiro, estranho, é verdade ? Maybyner Rodney Hilário ?, aparece na lista dos 43 atletas, cinco deles estrangeiros, do draft da NBA, que será submetida à escolha das equipes na quarta-feira, no teatro do Madison Square Garden, em Nova York. O pivô Nenê, como é apelidado, deixou o Vasco rumo aos Estados Unidos antes mesmo de terminar a temporada nacional. Tem 19 anos, 2,05 m e a esperança de ser o único brasileiro na liga de basquete mais importante do mundo. Os pivôs Rolando, em 1988, e Pipoka, em 1991, tiveram passagens pela liga norte-americana de basquete, mas não ficaram. Oscar chegou a ser convidado, mas não foi. Nenê tem desafio duplo: ser escolhido no draft e, se isso ocorrer, adaptar-se, mostrar serviço, e permanecer na NBA, não como reserva. O outro brasileiro que estava na lista do draft, Anderson Varejão, decidiu retirar o seu nome. Anderson, de 19 anos e 2,09 m, foi contratado pelo Barcelona em janeiro deste ano e decidiu esperar mais um pouco, jogando na Europa, antes de tentar a sorte no draft da liga norte-americana, talvez em 2003. Nenê deixou o basquete brasileiro sem dar explicações ao Vasco. Passou os últimos meses, nos Estados Unidos, participando de campings de treinamento em várias equipes. Escondido pelo "agente", que alega que o atleta tem mudado constantemente de cidade e não consegue ter tempo para conversar com os jornalistas brasileiros, Nenê tem sido citado em várias matérias de jornais norte-americanos. Dois jogadores brasileiros já passaram pela NBA, mas nenhum ficou tempo suficiente para que o basquete nacional ganhasse mais destaque ou para virar ídolo. O pivô Rolando Ferreira, o mais alto jogador de sua geração, com 2,14 m, foi o único a passar por um draft, em 1988, como universitário ? como os jovens norte-americanos saiu da Universidade de Houston (onde estudava) para ser escolhido pelo Portland Trail Blazers. "Na época a liga não era tão globalizada como hoje, praticamente não havia estrangeiros jogando lá", observou Rolando, de 38 anos, que hoje mora em Curitiba (é técnico de basquete da Universidade do Paraná, professor na escola Nossa Senhora Medianeira e na escolinha de basquete da Pontifícia Universidade Católica). Rolando jogou em 12 partidas pelo Portland, mas acabou traído pela falta de maturidade. Aconselhado por um agente, com medo da reserva, fingiu que estava machucado para não ser dispensado. Ficou um ano e meio na NBA, apesar de ter contrato por três anos. "Eu fingi que estava machucado. Foi ruim e eu não precisava ter feito isso, mas tinha outra cabeça, não sabia disso." Rolando acha que os tempos mudaram na NBA ? a liga está globalizada, aberta a estrangeiros. "Acho que se o Nenê for aprovado pelo draft isso pode ajudar o basquete nacional. A molecada poderia acreditar que esse não é um sonho tão impossível." João José Vianna, o Pipoka, de 2,04 m, ainda jogando aos 39 anos ? foi vice-campeão brasileiro com a Uniara/Fundesport, de Araraquara ? atuou no Dallas Mavericks em 1991/1992, por quatro meses. Pipoka foi indicado à franquia por um "olheiro", que viu a seleção brasileira no 1º Goodwill Games, em Seattle. "Ele assistiu ao nosso jogo contra os Estados Unidos, gostou da minha atuação e me chamou. Primeiro fiquei uns dois meses lá e não virou nada. Depois fui chamado novamente." Pipoka passou quatro meses no Dallas, mas fez um único jogo. Mesmo assim, considera ter vivido uma "fantástica experiência" ao estar entre os melhores do mundo no basquete. Para o Brasil seria importante, na sua opinião, ter um atleta na NBA. "O Nenê é a nossa ponta de lança. Isso atrairia atenção maior para o basquete."

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