Kyle Terada/USA Today Sports
Kyle Terada/USA Today Sports

Está mais comum fazer 130 pontos na atual temporada da NBA

Início aponta nova tendência, a dos placares elásticos: velocidade na transição defesa/ataque e bolas de três explicam

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2018 | 17h30

As primeiras semanas da temporada 2018/2019 da NBA apontam para uma tendência. Uma boa tendência. Elas estão sendo marcadas por altos placares e times passando facilmente dos 130 pontos, algo impensado na década de 90 e no início dos anos 2000.

O domínio do Golden State Warriors nas últimas quatro temporadas com um estilo de jogo baseado em velocidade e bolas de três tem influenciado as demais franquias e impacta diretamente nos resultados cada vez mais elásticos. Este fator, somado à redução do cronômetro de 24 para 14 segundos após um rebote ofensivo, que acelera a definição das jogadas, ajuda a explicar por que a média de pontos por ano na liga teve um crescimento de 10% nos últimos quatro campeonatos, passando dos 100 aos 110 pontos.

O grande segredo para o sucesso da equipe de Oakland nos últimos anos está no arsenal de chutes de longa distância da dupla Klay Thompson e Stephen Curry. Nesta edição, aliás, Thompson bateu o recorde da NBA ao acertar 14 arremessos da linha dos três pontos na vitória sobre o Chicago Bulls, por 149 a 129. Curiosamente, o antigo detentor da marca era seu colega de time, com 13 acertos.

Para tentar responder à dinastia da franquia californiana, quatro vezes finalista e tricampeã da liga, as outras equipes também começaram a apostar em uma proposta de jogo de tomada de decisões rápidas em quadra, focada nos chutes de três.

Como efeito de comparação, desde 2014/2015, quando o Warriors disputou a sua primeira final, as tentativas desse tipo de jogada tiveram um acréscimo de 40%, passando das 22 tentativas por jogo para 31. Nunca se arremessou tanto da linha dos três desde sua criação, em 1979/1980. Contudo, o aproveitamento desta jogada se mantém na casa dos 35% na NBA. 

A exceção é o time comandado pelo técnico Steve Kerr, que mantém uma efetividade de 41%, tudo por conta da característica de seu estrelado plantel. 

“É simplesmente um time que joga no coletivo. Você não pode focar apenas em um cara, eles têm Kevin Durant e Klay, e Draymond faz um fabuloso trabalho sem a bola nas mãos, criando bloqueios. [...]Todos tentam imitá-los, mas não têm peças para fazê-lo. Isso é o que os torna tão duros”. A análise feita pelo armador John Wall após derrota do Washington Wizards por 144 a 122 para o Golden State mostra a dificuldade que os times têm para imitar a fórmula de sucesso da equipe número 1 da atualidade.

ERA DOS PIVÔS

Nos anos 90 e 2000, a NBA era dominada por grandes nomes do garrafão como Patrick Ewing, Hakeem Olajuwon, David Robinson, Shaquille O’Neal, Karl Malone e Tim Duncan. Foi nesta época que a NBA passou a registrar suas menores médias de pontos, caindo dos 109 de média em 1988/89 para os 91,6 – recorde negativo registrado em 1998/99 (mais baixo desde a implantação dos 24 segundos de posse de bola na edição de 55).

O basquete naquela época era focado em atletas mais pesados, que demoravam mais tempo para atravessar a quadra. O jogo era mais lento e se valorizava mais os 24 segundos do cronômetro. Hoje, as equipes tentam finalizar seus ataques o quanto antes, para que as defesas não tenham tempo de se montar. A estratégia pode até ser efetiva, mas desagrada a quem estava acostumado com o jogo mais físico. “Isso não é basquete de verdade. Vamos criar uma linha de quatro pontos. Ou uma de cinco e fazer algo divertido para os fãs. Vamos fazer disso um circo”, desabafou o técnico Gregg Poppovich, cinco vezes campeão com o San Antonio Spurs e atual comandante da seleção dos EUA.

HISTÓRIA

Independentemente do jogo focado dentro do garrafão ou da linha dos três pontos, a NBA deve muito do seu sucesso a outro fator: os 24 segundos de posse de bola. A regra entrou em vigor em 1954/55 depois de o esporte sofrer com o antijogo.

Dois jogos se tornarem emblemáticos. No dia 22 de novembro de 1950, o duelo entre Wayne Pistons e Minneapolis Lakers terminou 19 a 18. Sem a obrigação de atacar, o técnico Murray Mendenhall (Pistons) orientou seu time a segurar a bola para não dar chance de pontuar ao principal rival, George Mikan. No último quarto, o jogo terminou 3 a 1, para o protesto dois quase 70 mil torcedores que acompanhavam o embate no Minneapolis Auditorium.

Devido a dificuldade de tomar a bola do adversário, uma estratégia muito adotada pelos times era fazer falta e forçar o rival a arremessar da linha de lance livre. Em 1953, 106 faltas foram anotadas e 128 lances livres cobrados em jogo de playoff entre Boston e Syracuse. Isso fez a Liga tomar providência. Nunca mais foi a mesma.

 

 

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