Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Giovannoni aceita o desafio de liderar jovem elenco do Corinthians

Jogador de 38 anos foi contratado para ajudar na retomada do clube, que voltou à elite do basquete brasileiro

Marcius Azevedo, Sergio Neto / Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2018 | 05h00

Atual campeão da Liga Ouro, o time de basquete do Corinthians volta a figurar entre os grandes clubes da modalidade no País depois de muitos anos. Para a nova temporada do NBB (Novo Basquete Brasil), que começa em outubro, a equipe paulista trouxe alguém que sabe bem como é a disputa da competição. Trata-se do ala-pivô Guilherme Giovannoni, experiente jogador de 38 anos com diversas conquistas do torneio com a equipe de Brasília, a qual defendeu por oito temporadas.

Giovannoni foi um dos principais jogadores do time brasiliense na conquista de três edições do NBB consecutivas (2010, 2011 e 2012) e chega ao Corinthians com o objetivo de trazer maturidade e experiência para a equipe, que depois de muito tempo volta à elite. “O Corinthians fez um grande esforço pra voltar a ter o basquete profissional. Isso é bem legal. Eles trouxeram o Bruno (Savignani), que foi meu técnico em Brasília. Eu já tinha vontade de vir pra São Paulo por causa de motivos particulares, foi então que surgiu a oportunidade do Corinthians montar uma equipe competitiva. A gente começou a conversar e não demorou muito para chegar a um acordo.”

O jogador tem um currículo bem respeitado. Ele disputou diversas competições pela seleção brasileira, dentre elas, duas edições dos Jogos Olímpicos, em 2012 e 2016. No NBB, tem como prêmios individuais as escolhas para seleção ideal do torneio de 2009/2010 a 2011/2012, e também em 2014/2015. Como se não bastasse, foi eleito o melhor jogador em 2010/2011, e melhor jogador das finais em 2010/2011 e 2011/2012. Agora, espera ajudar o Corinthians com sua experiência.

“Foi montada uma equipe muito balanceada, com jogadores experientes e jovens talentos. Isso é bem interessante, porque você mescla a energia da garotada com um pouco da nossa malícia”, explicou Giovannoni. “Temos jogadores muito talentosos, como (Ricardo) Fisher, o Fuller, que foi uma surpresa quando chegou no Paulistano. Outro jogador experiente é o Mauricio Aguiar, que está começando a se sentir mais em casa, mais confortável na equipe. Aos poucos a gente vai criando nossa identidade. Eu acho que foi essa a proposta.”

Por ser uma equipe relativamente nova na competição, Giovannoni sabe que não será fácil enfrentar outros grandes times que jogam em alto nível. “A ideia da diretoria foi sempre montar uma equipe competitiva. Sabe que está voltando agora, então não almeja coisas muito grandes. Isso foi sempre conversado. Mas a gente sabe, Corinthians é Corinthians. O torcedor vai sempre estar apoiando. Somos uma equipe aguerrida e isso a gente sabe desde o começo.”

O Corinthians tem reconhecidamente uma das torcidas que mais apoia o time no País, e isso não é diferente no basquete. Giovannoni comparou as situações em que atuou em uma equipe que havia apenas uma única modalidade com o cenário atual, exaltando o torcendo corintiano. “É lógico que é diferente, porque são clubes de massa e têm muitos torcedores. Brasília tinha muitos torcedores? Sim, mas lá ia apenas quem gostava de basquete. Aqui são torcedores que gostam do clube, torcem pelo Corinthians. Como era no Vasco também.”

“Independente se é futebol, basquete ou bolinha de gude. Eles vão estar apoiando, o que é maravilhoso. Assistindo aos jogos da Liga Ouro na temporada passada, o Corinthians foi jogar na Paraíba, e tinham torcedores. Eles foram jogar em Brasília, e tinham torcedores. A gente foi jogar recentemente em Sorocaba, tinham lá os torcedores também. Aonde quer que vá, você tem o apoio incondicional desses fãs, o que é muito legal”, completou o ala-pivô.

PROBLEMAS NO VASCO

Giovannoni confirmou que ainda existem algumas pendências financeiras com o Vasco, equipe que defendeu na temporada passada. No entanto, esclareceu que os dirigentes cariocas estão se preocupando em resolver a situação.  “Até tivemos atrasos, mas o salário, no fim, foi totalmente pago. Falta ainda a rescisão de contrato. A mensagem que a gente tem da diretoria é que eles vão chamar um a um para fazer esse acerto. Nós estamos no aguardo. Mas é uma questão onde quem é responsável por isso tem de estar em cima. Quanto mais em cima melhor, porque isso não dá brecha.”

Giovannoni diz entender que determinadas situações aconteçam, mas fez questão de apontar que quem sai perdendo nesses casos é a modalidade como um todo, que acaba por perder investidores por causa das dívidas dos clubes. “Não é que se um clube atrasar, ele vai estar fazendo mal só para si ou para aqueles atletas. É toda a imagem de um esporte que acaba sendo manchada. Eu acho que é essa atenção que a gente tem que ter para a situação. Quanto mais em dia, quanto mais correto a gente estiver, melhor será para a modalidade. Os investidores vão pensar que vale o patrocínio neste esporte, sem ter dores de cabeça.”

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.