CELIO MESSIAS/ESTADÃO
Hélio Rubens está feliz com o trabalho do filho Helinho CELIO MESSIAS/ESTADÃO

Helinho mantém viva tradição da família Garcia em Franca

Ex-armador faz sucesso na função que foi do pai, Hélio Rubens, por 24 anos

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2017 | 07h00

A importância de Franca para o basquete está personificada nos títulos que são exibidos com orgulho em painéis no teto do ginásio Pedrocão. A rica história da equipe está intrinsecamente ligada à família Garcia. Hélio Rubens, 76 anos, só não esteve em uma dessas conquistas, seja como jogador ou técnico. O filho, Helinho, de 41, foi campeão quatro vezes em quadra e, nesta temporada, assumiu o posto que o pai ocupou por 24 anos. Em seu primeiro ano, o ex-armador levou um time desacreditado, e de folha salarial de R$ 95 mil mensais – valor que o Flamengo paga de salário a Marquinhos –, ao terceiro lugar no Paulista e brigando por título no NBB.

O segredo? A tradição do estilo de jogo de defesa forte empurrado por um ginásio pulsante que Helinho aprendeu com o pai. “Foi um legado que eu recebi ao longo dos anos ao seu lado. É uma lição que compartilhei com os jogadores. Independentemente de ganhar ou perder a partida, temos de jogar com a cara de Franca. Temos de fazer o torcedor voltar aqui no jogo seguinte”, afirmou Helinho. “O que me dá motivação é manter esta tradição do Franca. Os títulos podem não vir, mas não podemos abrir mão deste legado.”

Ao lado do filho, Hélio Rubens busca histórias no passado, mesmo que a memória o traía algumas vezes e ele conte fatos repetidos sem perceber, para se dizer orgulhoso. “Helinho é inteligente, aprendeu bem. Está preparado”, ressalta. 

A preparação começou muito antes de se aposentar em 2015. “Nos últimos anos de carreira como jogador, estava me estruturando psicologicamente, taticamente, até olhando detalhes que o atleta que quer ser técnico tem de olhar em quadra.” 

Em um primeiro momento, Helinho se tornou dirigente de Franca. Nesta função, o ex-armador viajou aos Estados Unidos para 20 dias de estágio no Golden State Warriors, da NBA. “Acompanhei dia e noite o melhor time do momento. Aquilo serviu para me dar confiança, ver como deveria ser feito, trocar ideias com pessoas que estão no mais alto nível do basquete.”

O passo seguinte foi dado pelo presidente do Franca, Luis Prior. Ele antecipou o desejo de Helinho e também o do então técnico Lula Ferreira, que queria migrar para o cargo de dirigente em dois anos. “Helinho é carismático, um profundo estudioso, conhecedor, intenso no trabalho.”

Apesar de ouvir os conselhos do pai e tê-lo no ginásio nos jogos, Helinho demonstrou personalidade ao seguir sozinho, segundo Prior. “Não ficou qualquer dúvida de quem era o treinador. Foi um casamento perfeito”, pontua.

A tradição da família Garcia pesou na decisão. Após viver um momento difícil em 2015, quando quase encerrou as atividades por falta de dinheiro, Franca tinha de recuperar sua identidade. Em mais de meio século de existência, o clube teve cinco treinadores – Helinho é o sexto –, sendo que apenas Lula Ferreira era de fora da cidade. 

Helinho era o cara certo, na hora certa. “Franca é um lugar místico em relação ao basquete. É uma coisa passada de geração para geração. A nossa família se orgulha de fazer parte desta história, juntamente com tantas pessoas que deram sua contribuição. Tudo isso faz de Franca uma referência.”

Hélio Rubens lembra com carinho da história que começou com o avô de Helinho. “Aprendi com o meu pai, com os colegas dele, pude ter oportunidade de participar diretamente e repassar isso para os outros, particularmente ao Helinho. A tradição é mantida e não há similar no mundo inteiro.”

Além do jogo baseado na defesa, Helinho embutiu no grupo o desejo por vitórias. “É um time extremamente jovem, mas comprometido, disciplinado e focado.” A equipe ocupa o quinto lugar do NBB com 15 vitórias e nove derrotas, restando quatro jogos para o fim da fase inicial. Dos times que brigam no alto da tabela, Franca bateu Flamengo, Brasília, Bauru e Vitória. “O caminho é longo, mas estamos indo para o lugar certo. Seguindo com o nosso comprometimento, conceitos e disciplina, vamos alcançar nossos objetivos.”

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Com um orçamento enxuto, aposta nos garotos da base

João Pedro e Antônio são destaques formados em casa

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2017 | 07h00

Apesar do aporte financeiro do Magazine Luiza, principal empresa da cidade, do apoio da prefeitura e de parceiros pontuais, Franca adota uma política de austeridade e isso se refletiu na montagem do elenco. Dono do nono orçamento entre os 15 times do NBB, Helinho mesclou um grupo de jogadores experientes, como Cipolini, Dedé e Coelho, com jovens das categorias de base, onde o clube tem parceria com o Sesi.

Campeões da Liga de Desenvolvimento de 2016 (em sua sexta edição), João Pedro (21 anos) e Antônio (23) foram apostas do treinador que deram certo. Os garotos chegaram ao clube adolescentes, aprenderam como lidar com o peso da tradição de Franca e, após quase serem dispensados antes do início da temporada, demonstraram que podem ser importantes para a equipe.

João Pedro tem médias de 5,5 pontos e de três rebotes. "Temos aqui uma energia que não vou achar em outro lugar. As pessoas te param na rua e falam que viram um jogo do sub-22 que você nem imagina. Quem joga aqui precisa valorizar isso", disse o ala/pivô, que veio de Santos para Franca aos 15 anos. 

"Quando o Coelho (armador) chegou, ficou surpreso porque o clima é diferente de qualquer outro time que ele jogou", afirmou Antônio, que mudou da cidadezinha vizinha Peixoto para Franca aos 12 anos. O ala/pivô tem médias de 8,5 pontos e de 3,8 rebotes na NBB.

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Programa de sócio-torcedor vira solução para Franca

Atualmente são apenas 600 participantes

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2017 | 07h00

A diretoria do Franca aposta no programa de sócio-torcedor para afrouxar o nó que estrangula financeiramente o clube. Apesar de o plano ter dado certo, com a diminuição da dívida de R$ 3,6 milhões de 2015 para R$ 1,5 milhão nesta temporada, o time paga ainda R$ 70 mil mensais em empréstimos bancários, que foram contraídos para evitar o desmanche da equipe.

Atualmente são 600 sócios-torcedores. Para o presidente do Franca, Luis Prior, os números são modestos para um cidade com 344.704 habitantes, de acordo com o senso do IBGE de 2016, e que é apaixonada por basquete. "Somente 1% da população já seria suficiente para bancar o nosso time."

Ao todo são cinco planos para os torcedores. O Bronze custa R$ 380 por ano, mas não garante ingresso para os jogos. Os demais, de R$ 360 (Silver) a R$ 840 (Platinum), há entradas garantidas e opção do pacote família, que faz o valor diminuir um pouco por pessoa. Existe ainda o novo plano ‘sou Franca, sou torcedor’.

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Anderson Varejão: 'Família Garcia é um patrimônio do basquete'

Pivô conheceu Hélio Rubens e Helinho em Franca

Anderson Varejão, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2017 | 07h00

"Seria para falar de amizade, de gratidão e de respeito. Falar da família Garcia e de Franca é especial para mim. A cidade me recebeu de braços abertos quando cheguei, ainda garoto, vindo de Vitória, deixando a casa dos meus pais para trás e fazendo a escolha de ir jogar com o meu irmão, Sandro. Era um desafio.

Em Franca, onde tenho muitos amigos até hoje e um laço de carinho enorme, conheci Hélio Rubens e o Helinho, naquela época meu técnico e meu companheiro de time. Hoje, posso dizer que são mais do que amigos, são daquelas pessoas que cruzam as nossas vidas e que consideramos como da família.

O Hélio, o Helião, é um dos maiores nomes do nosso esporte, alguém que admiro pela inteligência, pela dedicação e pela maneira como construiu sua carreira. Seu amor, sua paixão pelo basquete vai muito além da profissão, vai muito além da função de técnico, e isso fez muita diferença na minha formação, no meu crescimento... Sou grato a ele por tudo o que fez por mim, pelas orientações, pelos conselhos, por ter estado ao meu lado num momento importantíssimo da minha carreira.

Helinho, o meu 'Maninho', é um amigo de muitos anos, alguém que fazia diferença dentro de quadra e já está mostrando que vai fazer a diferença fora de quadra também. Mostrou na bola que era muito mais do que o 'filho do Hélio' e se preparou bastante para seguir os passos do pai. Ano passado, ele veio aos Estados Unidos para um 'intercâmbio' da NBA, é interessado, disciplinado, estudioso e tem um futuro brilhante pela frente. Tem a confiança de todos e, principalmente, alguém como o Helião para ensinar alguns atalhos.

Sei que Franca se orgulha e muito da família Garcia. São patrimônios do basquete, fizeram, fazem e ainda farão muito pela cidade e pelo nosso país."

*Depoimento exclusivo ao Estado

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