Hélio Rubens, as mãos da renovação

Esperança e otimismo são as palavras que o técnico Hélio Rubens Garcia usa para falar sobre a nova seleção brasileira masculina de basquete, que encerrou a temporada, com a medalha de bronze do Goodwill Games, hoje - o Brasil venceu a Austrália por 94 a 93, na final. Nas semifinais, sábado, a seleção levou à prorrogação, depois de empatar por 90 a 90, a partida contra o Dream Team sub-23 dos Estados Unidos, antes de perder por 106 a 98 (os Estados Unidos ficaram com a medalha de ouro ao vencer a Argentina por 91 a 63). Esse torneio, mais a Copa América (o Brasil foi vice-campeão, em agosto), confirmam "a potencialidade" da nova geração. Dos 27 jogadores convocados na temporada, 16 têm 23 anos ou menos. Hélio, o técnico a quem foi confiada a renovação, afirma que não é possível comparar o Brasil de hoje com o de gerações especiais da história, quando a seleção teve muitos craques excepcionais ao mesmo tempo, como nos anos 60 (Vlamir Marques, Rosa Branca, Amaury Passos, etc). Mas garante que não está vendendo "falsa expectativa" ao ter esperança em garotos de talento. A seleção desfaz-se agora. Os jogadores voltam para os seus clubes e aguardam a próxima convocação para o Sul-Americano, amistosos internacionais, na Europa e no Brasil, e o Mundial, no ano que vem. "Essa seleção é nivelada, jovem, precisa de regularidade, mas não estamos criando falsa expectativa. Sabemos dos desafios do trabalho que começou, mas temos esperança. São jovens com bom estado físico e a potencialidade que há muito tempo não tínhamos", define Hélio. Entre os desafios estão a falta de experiência internacional, as deficiências físicas e técnicas, acostumar-se com o estilo da arbitragem internacional, que não apita qualquer contato e ficar de olho nos adversários, acompanhando as mudanças que ocorrem no basquete mundial. Para proporcionar experiência internacional, depois de manter a tradição de participação do Brasil em Mundiais - com os Estados Unidos são as duas seleções que disputaram as 14 edições do torneio -, o técnico planeja chegar a Indianápolis tendo feito 50 jogos. Hélio continuará tendo o apoio da Comissão Técnica que ainda tem mais três treinadores - Aluisio Ferreira, o Lula, Nilo Guimarães e Ênio Vecchi. E trabalhando com a mesma extensa relação de jogadores da temporada (foram relacionados 6 armadores, 10 laterais e 12 pivôs). Mais coragem - O trabalho é a única saída, na avaliação do treinador, até o Mundial. Hélio admitiu que "fica frustrado por perder da Argentina" - foram 22 confrontos desde 1997, com apenas seis vitórias para o Brasil -, mas que "esse é um resultado que só mudará com o trabalho". O assistente-técnico Lula, que trabalha com jovens jogadores nos clubes que dirige, disse que está acostumado com a instabilidade dos novatos. "Eles têm ousadia, mas não sabem medir, administrar determinados momentos." Tanto podem levar à prorrogação uma partida contra os Estados Unidos, como ganhar de um ponto para a Austrália ou deixar um marcador abrir 28 pontos em favor da Argentina. Lula acha que o Brasil "tem de pagar o preço por renovar e pagar o preço é colocar esses meninos para jogar". Mas entende que já têm reflexos os resultados da temporada. Os próprios clubes também estão mais confiantes, na opinião de Lula, nos jovens jogadores, além de terem orçamentos reduzidos que não permitem a contratação de estrangeiros ou atletas mais experientes, e caros. "No Paulista, a partir de sábado, Franca, por exemplo, será conduzida por Fúlvio, de 20 anos, o COC tem Nezinho e Fred, de 21 anos, e o Bauru o Leandrinho, de 21 anos, todos como armador."

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