Divulgação
Marcelinho Huertas é o novo 'xodó' da torcida do Los Angeles Lakers Divulgação

Atual 'bicampeão', Brasil terá recorde de jogadores na NBA

Cristiano Felício, Raulzinho e Huertas são as 'caras novas' do País na liga

Renan Fernandes e Felippe Scozzafave, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2015 | 07h00

O Brasil está no mapa da NBA. Depois de ter pelo menos um jogador campeão nas últimas duas temporadas, o País terá seu recorde de representantes na principal liga de basquete do mundo, que começa nesta terça-feira: nove no total. Os novatos Marcelinho Huertas (Los Angeles Lakers), Raulzinho Neto (Utah Jazz) e Cristiano Felício (Chicago Bulls) se juntam aos veteranos Nenê (Washington Wizards), Anderson Varejão (Cleveland Cavaliers), Bruno Caboclo e Lucas Bebê (Toronto Raptors) e aos campeões Leandrinho Barbosa (Golden State Warriors), que busca o bi, e ainda Tiago Splitter (Atlanta Hawks), que faturou o título em 2014 com o San Antonio Spurs.

Satisfeito com a ascensão no número de brasileiros na NBA, com o País já sendo o terceiro com mais representantes na liga, Leandrinho, um dos mais antigos da turma e que já viveu altos e baixos na carreira, dá a receita do sucesso: "Sempre falo para aquela atleta que quer chegar na NBA e pensa, depois que chegou, que vai ficar sentado e confortável, que todos os anos temos mais uma geração do draft. A idade chega. Hoje estou com 32 e tenho de marcar um jogador de 21 anos. Se eu não estiver na pegada, vou para o banco. E não quero ir para o banco. Quero ficar ali, encará-lo. Ele tem de me respeitar, sou veterano. Eu passei por muitas coisas que ele não passou. Ficar no topo não é fácil. Você tem de trabalhar, planejar, seguir os passos de um veterano da equipe. Foi o que fiz em Phoenix. Hoje eu tenho outro papel, sou o veterano e todos precisam me respeitar", diz o ala-armador, peça importante na conquista do título do Golden State Warriors.

E se experiência é fundamental para ter sucesso na NBA, Marcelinho Huertas pode ficar tranquilo. Aos 32 anos, e titular da seleção brasileira há quase uma década, o armador ficou por 11 anos na Europa antes de tentar o sonho nos EUA. "Tive de recusar boas propostas para lutar por esse sonho de jogar na NBA. Eu achei que já tinha feito a minha trajetória no basquete europeu e tive de aproveitar a oportunidade. Quando você tem sonhos e não pensa apenas no seu bolso, você precisa dar um passo para trás para depois dar dois para a frente. Estou muito feliz de estar nos Lakers."

Ciente das diferenças entre o basquete praticado na Espanha, onde atuou com destaque pelo Barcelona, e nos Estados Unidos, Huertas se diz muito tranquilo e acredita ter um papel importante na franquia dona de 16 títulos da NBA: "O jogo aqui é muito mais rápido e potente, mas sei que um dos motivos que os fizeram me contratar é o poder de controlar esse ritmo. Colocar a bola debaixo do braço, botar o time no lugar. Eu acredito no meu basquete e, se me trouxeram da Europa para cá, é porque confiam em mim."

Apesar de mais experiente, a situação de Marcelinho Huertas se assemelha com a de Raulzinho Neto, de 23 anos e que há quatro estava no basquete espanhol. Ele, que foi draftado em 2013 pelo Atlanta Hawks, mas trocado com o Utah Jazz, finalmente tem sua primeira chance na maior liga de basquete do mundo e, assim como o novo armador dos Lakers, sabe que vai ter de se adaptar rapidamente à NBA. "Aqui o jogo é muito mais corrido, as decisões são tomadas mais rápidas. Fisicamente o nível é muito mais alto. O pessoal joga mais duro, algumas faltas que são marcadas na Espanha, aqui não são."

Em contrapartida ao caminho feito por seus dois colegas para chegar à NBA, Cristiano Felício, de 23 anos, terá, nos Bulls, sua primeira experiência fora do Brasil. Ele, que nos últimos anos era um dos pilares do Flamengo, atual tricampeão do NBB, não teme que a falta de rodagem vai ser um problema para sua adaptação. "Sou novato no grupo e sei que ainda preciso de tempo para mostrar meu basquete e ganhar espaço. Preciso trabalhar muito e aproveitar as oportunidades que tiver", diz.

Além disso, o ala-pivô destaca o bom ambiente que encontrou no ex-time de Michael Jordan: "Estou vivendo um momento muito especial na minha vida. Fui muito bem recebido por todos, pelos jogadores, pela comissão técnica, pelos fãs dos Bulls. O carinho que recebi dos brasileiros também é algo muito importante para essa adaptação".

JOGOS DESTA TERÇA-FEIRA

Detroit Pistons x Atlanta Hawks - Philips Arena, Atlanta

Cleveland Cavaliers x Chicago Bulls - United Center, Chicago

New Orleans Pelicans x Golden State Warriors - Oracle Arena, Oakland


Tudo o que sabemos sobre:
Basquete, NBA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Varejão se diz 100% recuperado e focado no título na NBA

Primeiro campeão do Brasil da Euroliga tenta 'unificar' os troféus

Renan Souza e Felippe Scozzafave (Especial para o Estado), O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2015 | 07h00

Em maio de 2003, Anderson Varejão se tornou o primeiro brasileiro a conquistar a Euroliga, quando defendia o Barcelona. Na temporada seguinte foi para a NBA, atuar no Cleveland Cavaliers, onde, 11 anos depois, ainda continua na busca por seu primeiro título nos EUA e tenta unificar as principais conquistas de clubes do basquete mundial.

Após bater na trave em duas oportunidades, em 2007 e agora em 2015, o ala-pivô brasileiro pode, enfim, conseguir seu objetivo. Em votação realizada com todos os gerentes das franquias da NBA, os Cavaliers foram apontados como favoritos a levar o anel de campeão.

Sem fugir da responsabilidade, o camisa 17 da franquia de Ohio concorda que o time é um dos favoritos. "Somos sim uma das equipes candidatas ao título. Mas somos uma das equipes. Há muitos times fortíssimos para a temporada, o equilíbrio é enorme, todo mundo se reforçou bastante." 

Contando com estrelas de grande calibre como LeBron James, Kyrie Irving e Kevin Love, os Cavaliers ainda se reforçaram este ano com Mo Williams e Richard Jefferson, além de não pouparem dinheiro para renovar com o jovem Tristan Thompson. O time é o que mais gastará dinheiro em salários na temporada: R$ 425 milhões de dólares, sendo 93 milhões de dólares acima do teto salarial.

Mesmo com o alto investimento, Varejão não coloca este elenco como o mais forte com que já jogou. "Não gosto de ficar fazendo comparações. Joguei temporadas maravilhosas aqui, em grupos muito fortes que honraram essa camisa. Fiz parte de times que eram muito amigos, unidos e que tiveram grandes campanhas dentro da NBA. Temos, hoje, uma equipe muito forte e objetivos para a temporada, e vamos lutar para alcançá-los."

LESÕES

Além do título, Varejão tem outro grande objetivo na temporada: se manter longe das lesões. Ele ficou fora das finais deste ano depois de sofrer uma ruptura no tendão de Aquiles. Nos últimos anos também foi desfalque por problemas como ruptura do tendão do tornozelo, punho quebrado, embolia pulmonar e lesão na patela do joelho.

"Estou treinando normalmente, pronto para uma temporada saudável, com saudade disso tudo, pronto para ajudar o time a alcançar os nossos objetivos. Gosto muito dos médicos dos Cavs, mas esse ano não quero conviver tanto com eles (risos)", comenta o jogador, que disputou apenas 172 dos 410 jogos possíveis nas últimas cinco temporadas regulares.

INVASÃO BRASILEIRA

Um dos veteranos do Brasil na NBA, ao lado de Nenê e Leandrinho, Varejão comemora a chegada de outros compatriotas na liga norte-americana. "Estamos vendo esses meninos chegarem, se desenvolverem e eles vão ganhar espaço. Estão chegando numa NBA diferente da que nós encontramos e isso é muito bom para eles e para os que ainda chegarão no futuro", comenta. "Quanto mais jogadores aparecerem, quando mais o esporte se fortalecer e se organizar, se estruturar, melhor. O Brasil tem muita qualidade e nos últimos anos isso vem sendo mais notado por todos", torce.

OLIMPÍADA

Se chegar às finais da NBA, o brasileiro terá pouco mais de dois meses de preparação para a disputa da Olimpíada de 2016, mas ele ainda não pensa nisso agora. "Meu foco está todo na temporada da NBA nesse momento. Tenho objetivos com os Cavs e quero me dedicar. Disputar os Jogos Olímpicos no Brasil será algo único e maravilhoso, mas só vou poder pensar nisso quando me apresentar à Seleção Brasileira."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Veteranos brasileiros da NBA já ganharam juntos mais de R$ 1 bi

Nenê, Varejão e Leandrinho ajudaram a consolidar o País nos EUA

Renan Fernandes e Felippe Scozzafave (Especial para o Estado), O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2015 | 07h00

Se a nova geração de jogadores brasileiros começa a ganhar espaço na NBA, os veteranos que consolidaram o País na liga norte-americana de basquete têm outro motivo para comemorar. Nenê Hilário, Anderson Varejão e Leandrinho Barbosa já ganharam, juntos, 257 milhões de dólares, apenas em salário, ao longo dos anos que atuam na liga. Na cotação atual (R$ 3,90), o valor ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão.

 

Este alto investimento das franquias na remuneração dos jogadores ajuda a explicar a ausência dessas estrelas em algumas convocações da seleção brasileira. Os atletas só podem entrar em quadra por seus países se tiverem um seguro resguardando suas equipes nos EUA. Se as confederações não conseguem o contrato, não podem contar com os atletas.

O mais velho do trio na NBA é Nenê. O pivô foi escolhido pelo New York Knicks na oitava posição do draft de 2002 e enviado para o Denver Nuggets antes da temporada começar. Após 14 anos, o ex-jogador do Vasco está atuando pelo Washington Wizards e tem como um dos maiores feitos de seu currículo ser convocado para disputar uma partida no Jogo das Estrelas, quando ainda era novato. Já faturou R$ 478 milhões na carreira.

Ao contrário do que acontece no futebol, os salários nos esportes dos Estados Unidos são de conhecimento da imprensa, inclusive quanto será pago pelos times por ano, para não comprometer o teto salarial. É o caso de Anderson Varejão, que teve seu contrato de mais três anos com o Cleveland Cavaliers detalhado pela mídia. O acordo pode chegar a R$ 117 milhões, divididos em R$ 37 milhões em 2015/16, R$ 40,9 milhões em 2016/17 e R$ 39 milhões em 2017/18. Mas os números são apenas parcialmente garantidos. Se a franquia de Ohio decidir mandar o ala-pivô embora terá de pagar 'apenas' R$ 17,5 milhões no ano da rescisão.

Com carreira consolidada no Barcelona, da Espanha, antes de chegar aos EUA em 2004, Varejão bateu na trave em duas oportunidades de ganhar o título da NBA, em 2007 e agora em 2015. Se ganhar 100% do acordo que tem com os Cavs, o carismático camisa 17 vai embolsar a bagatela de R$ 359 milhões em toda a sua carreira na liga.

Mais humilde, Leandrinho não conseguiu faturar igual a seus companheiros de seleção e ganhou R$ 165 milhões até agora. Uma explicação para este lucro menor é que jogadores de garrafão, na média, ganham mais que armadores. Tanto que nesta temporada, o jogador do atual campeão Golden State Warriors vai receber um salário relativamente baixo: R$ 9,7 milhões no ano.

Além de ter um título da NBA, o experiente jogador tem passagens por cinco equipes da NBA em seus 11 anos de carreira: Phoenix Suns, Toronto Raptors, Indiana Pacers, Boston Celtics e Golden State. Conhecido por sua velocidade, Leandrinho é chamado nos EUA como The Brazilian Blur (borrão brasileiro) e tem em seu currículo o prêmio de melhor jogador reserva da NBA na temporada 2006/2007, quando somou 18 pontos, 4 assistências e 2 rebotes de média em 80 partidas disputadas.

Tudo o que sabemos sobre:
Basquete, NBA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.