'Jamais imaginei ser campeão da NBA', diz Tiago Splitter

Pivô do San Antonio Spurs foi o primeiro jogador brasileiro a vencer a liga americana de basquete

Entrevista com

Tiago Splitter

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2014 | 19h01

Evangélico fervoroso, o pai de Tiago Splitter, o ex-jogador Cássio, montou um projeto social no final dos anos 80 na cidade catarinense de Indaial. A ideia era ajudar as crianças carentes e manter próximo de sua vida o basquete, esporte do qual teve que se afastar por ter contraído poliomelite infantil. Então com seis anos de idade, Tiago insistia para que o pai o levasse para brincar na quadra, e acabou se transformando na principal revelação do projeto. No domingo à noite, o filho de Cássio fez história, transformando-se no primeiro brasileiro campeão da NBA. Seu time, o San Antonio Spurs, fechou a série final por 4 a 1 contra o Miami Heat, então bicampeão da liga, e devolveu a derrota da temporada passada. 

 

Você já teve tempo para dimensionar a importância da sua conquista?

É bom demais. Foi um dia histórico pro basquete brasileiro. Eu jamais havia imaginado ser campeão da NBA quando era criança. Tudo o que eu queria era apenas jogar na NBA.

 

Todas as vitórias de San Antonio foram por pelo menos 15 pontos de diferença. Como se pode explicar tamanha superioridade em finais de NBA?

A gente simplesmente jogou mais do que o Miami. Com mais raça, mais determinação e motivados pela derrota no ano passado, sem dúvida.

 

No ano passado, o toco que o LeBron James deu em você foi uma das imagens mais marcantes das finais. Ontem, você conseguiu dar o troco, com outro belo toco, mas em Dwyane Wade. Sentiu um gostinho de vingança?

Naquele momento do jogo, foi um lance importante. Um toco sempre acrescenta à equipe em termos de confiança. Mas é a imprensa que dá um boom muito grande para os lances. Chegaram a dizer, no ano passado, que eu deveria parar de jogar por causa daquele toco. Em nenhum momento isso passou pela minha cabeça. Isso é basquete, acontece. O último lance quem fez fui eu. No ano passado foi o contrário.

 

 

O que o técnico Gregg Popovich fez para mudar tão radicalmente a relação de forças no San Antonio?

Nós estamos praticamente com o mesmo time do ano passado. Tivemos muitos altos e baixos. Acho que o nosso mérito foi nos adaptar a cada adversário. Tivemos que nos esforçar muito para superar o Dallas, que foi o oitavo colocado na Conferência. Ganhamos só por 4 a 3. E depois tivemos um adversário duríssimo no Oklahoma, que é um timaço. Foi a série mais difícil, na minha opinião. E contra Miami tivemos nossa grande revanche. Eles estavam engasgados na nossa garganta. Não é nada contra o time deles, mas foi difícil engolir a derrota no finalzinho do sexto jogo e no sétimo no ano passado.

 

Você desenvolveu uma grande virtude, está se esmerando em dar assistências. É fruto de um trabalho específico?

Se você olhar só para a série final, realmente é o que sobressaiu no meu jogo. Mas isso é porque o Miami dobra a marcação no armador. Então um jogador vai ficar livre, e nossa obrigação é encontrá-lo. O Dallas já não joga assim, e exigiu de mim que pontuasse mais. E o Oklahoma exigiu que eu defendesse mais. Procurei me adaptar o tempo todo ao que pedia cada adversário.

 

Agora você terá pouco mais de um mês de férias. No dia 20 de julho a seleção se apresenta para os treinamentos visando à Copa do Mundo da Espanha. Como está o relacionamento com o técnico Rubén Magnano? Ele fez fortes críticas aos jogadores que não disputaram a Copa América. Como está a relação agora?

Conversamos pessoalmente, olho no olho, e colocamos tudo sobre a mesa. É assim que homens resolvem as coisas. Está tudo bem. Se não estivesse, não iria.

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