Patrick T, Fallon/Reuters
Patrick T, Fallon/Reuters

Um ano após morte de Kobe, familiares das vítimas vão à Justiça contra empresa dona do helicóptero

Viúva do astro da NBA, que também perdeu uma filha na queda da aeronave, move ação milionária contra a Island Express Helecopters, responsável pelo translado

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2021 | 11h56

Faz um ano que o jogador de basquete Kobe Bryant morreu após o helicóptero em que estava cair na cidade de Calabasas, na Califórnia, Estados Unidos. Ele estava com sua filha Gianna Bryant, de 13 anos, e mais seis passageiros. Nove pessoas morreram no acidente. Kobe era um dos mais brilhantes jogadores de basquete dos EUA, muitas vezes comparado a Michael Jordan.

Nesse período, a família das vítimas, inclusive a mulher de Kobe, tratou de mover ações milionárias na Justiça contra a empresa de translado aéreo Island Express Helicopters. Da parte dos familiares do piloto, que também morreu, o trabalho é para inocentá-lo de qualquer responsabilidade. Há argumentos que dizem respeito à insistência dos tripulantes de voar naquele dia, mesmo com as condições de tempo inadequadas. A causa da queda do helicóptero deverá ser divulgada em fevereiro, mês limite para o fim das investigações. Por enquanto, os motivos da queda apontam para "causa acidental".

Kobe será lembrado nos jogos desta semana da NBA. Ele era um dos principais nomes da história do Los Angeles Lakers. Foi cinco vezes campeão da NBA e tinha duas medalhas de ouro de Jogos Olímpicos. Ele usava a camisa 8 e 24 da franquia. Kobe morreu num domingo, aos 41 anos. Além do basquete na quadra, Kobe tinha em sua estante um Oscar de 2018 com a animação Dear Basketball.

No total, somando as 20 temporadas na NBA, Kobe terminou a carreira com a impressionante marca de 33.643 pontos - a quarta maior de todos os tempos, atrás apenas Kareem Abdul-Jabbar (38.387), Karl Malone (36.928) e LeBron James (33.655) até então. Kobe era uma lenda. Ele encerrou sua trajetória no basquete dos EUA com médias de 25 pontos, 4,7 assistências e 5,2 rebotes em seus 1.346 jogos disputados em temporadas regulares.

Pela seleção americana, Kobe Bryant faturou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 2008, em Pequim, e também em 2012, em Londres. O Los Angeles Lakers aposentou as camisas 8 e 24. Em sua última partida como jogador profissional, diante do Utah Jazz, marcou 60 pontos. No entanto, sua maior marca foi diante do Toronto Raptors, em 2006, quando atingiu nada menos que 81 pontos. Nesta segunda, LeBron James, outro gigante da NBA, foi reverenciado porque fez 46 pontos.

TRAGÉDIA

Naquele dia, o tempo não estava legal. O helicóptero da Island Express deixou Orange County, onde Kobe e sua família moravam, e seguiu para Thousand Oaks. Na cidade, Gianna jogaria uma partida de basquete. O acidente ocorreu às 9h47 do horário local (14h47 de Brasília). A aeronave era de modelo Sikorsky S-76. O fogo após a queda demorou cerca de uma hora para ser controlado. Um total de 56 bombeiros participaram do atendimento, mas ninguém sobreviveu. Segundo o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos, não houve falha no motor do helicóptero. Havia muita neblina no local da queda.

Exames feitos nos corpos das nove vítimas tiveram seus resultados conhecidos em maio do ano passado. O piloto Ara Zobayan estava sóbrio. O relatório final, no entanto, pode apontar que ele perdeu por segundos a lucidez do voo, achando que estava subindo quando na verdade estava caindo. Ele não tinha visão na hora da queda.

Vanessa Bryint, mulher de Kobe, responsabiliza o piloto e a empresa aérea na ação por não ter se precavido e cancelado o voo com as informações do mau tempo. Ela cobra dinheiro que a família poderia ter ganhado pelo legado de Kobe. Segundo a revista Forbes, o processo indenizatório é de US$ 600 milhões, pouco mais de R$ 3 bilhões.

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