Leandrinho já está adaptado à NBA

Leandro Barbosa, o Leandrinho, queria dar uma vida melhor à família. Ainda pequeno, já pensava em atuar na NBA, isso no tempo em que a liga norte-americana não era globalizada e não passava de um sonho distante para jogadores estrangeiros. Desde que pegou uma bola de basquete, já sonhava com salários de quase US$ 900 mil por temporada para os novatos. Hoje, aos 22 anos, depois da 2ª temporada na NBA, o sonho começa a virar realidade. Com o Phoenix Suns, tornou-se o primeiro brasileiro a chegar a uma final de Conferência. Já deu um carro e uma casa confortável à mãe, Ivete, e ajuda irmãos e sobrinhos.De brinco de diamante, parte do visual NBA - "mas com simplicidade" -, Leandrinho passou os últimos 15 dias em São Paulo, com a namorada, Jill Lewis, de 23 anos, matando saudades da família e treinando com o time da Hebraica, longe da imprensa. Volta amanhã para os Estados Unidos. Vai jogar a Summer League e, depois, se integrar à seleção brasileira, comandada por Lula Ferreira. "Volto em duas semaninhas", avisou.O jogador chegou aos EUA em abril de 2003, a tempo de se preparar para o draft, realizado em 26 de junho - foi escolhido em 28º lugar pelo San Antonio Spurs e, em seguida, repassado ao Phoenix Suns, em que estreou em outubro. Duas temporadas depois, está 11 kg mais pesado. Ganhou massa muscular e visão de jogo, fundamental para um armador. Com o Phoenix, foi à final da Conferência do Oeste, perdendo para o San Antonio, que ficou com o título da NBA. Na temporada regular, disputou 63 partidas, com média de 17,3 minutos e 7 pontos por jogo. Na fase final, atuou 12 vezes, com média de 9,7 minutos e 2,5 pontos.Mudança - ?Nesta temporada, comecei a ter o reconhecimento de técnicos e jogadores. Ganhei experiência e isso está sendo importante na minha carreira.?Nash - ?Nunca imaginei que fosse ter um amigo assim na NBA. Em dia de folga, vou à casa dele, ele vai à minha. Sempre saio com ele, a mulher e as filhas gêmeas. Nash fala espanhol e quer aprender português. Me chama para jantar, ir ao cinema. Quando se casou, ficou bravo porque eu não estava lá para ser padrinho. Entendeu que eu tinha de voltar. Sabe que minha família é daqui. Nash quer vir ao Brasil visitar minha mãe e jogar futebol com amigos meus, do Corinthians. Sou amigo do Gil, que agora vai para o Japão.?Professor - ?Com o Nash aprendi sobre organização do jogo e assistências. Em uma partida, ela dá 10, 12 assistências. Não aprendi tudo, mas acho que já melhorei muito o meu jogo. Ele pega no meu pé. Às vezes é bravo, mas tem de ser assim. O carinho e a atenção que tem por mim são fora de série. Também sou amigo do Stephon Marbury (ex-armador do Suns). Estou feliz. É bom esse relacionamento com superstars da NBA.?Boxe - ?Nesta temporada, treinei boxe por 6 meses. Vários jogadores da NBA treinam boxe. Não para aprender a dar socos, mas para melhorar a movimentação das pernas e dos pés.?Phoenix - ?É muito quente, um calor abafado, não venta. É deserto. Estou morando com o Marcelo, meu irmão, e a Sara, uma poodle - faz companhia ao meu irmão quando eu viajo.?Infância pobre - ?Hoje, minha mãe tem uma casa muito boa, um carro, conforto. Desde pequeno, sonhava dar de tudo à minha mãe. Teve época em que era até difícil ter arroz e feijão em casa. Hoje me sinto muito feliz por poder dar as coisas para minha família.?Feira livre - ?Quando eu era pequeno, trabalhava na feira livre. O Artur, meu irmão mais velho, era feirante. Estava sempre com ele e todos me conheciam. Era franzino, mas trabalhava muito. Num dia eu vendia banana; no outro, alface; no outro, carregava sacolas. Ganhava caixinha, dava para minha mãe. Todos os meus irmãos trabalhavam.?Começo - ?Com 5 anos, era federado. Jogava no Continental (clube de Osasco). Como eu era magrinho, franzino, ninguém botava fé que eu fosse vingar. Meu irmão parou de me levar. Mas um técnico (Márcio, do São José) perguntou porque eu não estava indo e me chamou de volta. Peguei firme e não parei mais.?Jordan - ?Desde que peguei na bola de basquete, pensei em um dia jogar na NBA. Gostava muito de Michael Jordan. Via minha família naquela dificuldade e sabia que ele ganhava muito dinheiro. E que, para ganhar, tinha de trabalhar e fazer diferença. E ele fazia diferença. Então, disse à minha mãe: ?Tenho o sonho de ir para a NBA e trazer os dólares para a senhora.? Comecei a trabalhar. O Artur pegava no meu pé, gritava, era duro. Minha brincadeira sempre foi com a bola de basquete, driblando em casa, na rua, batendo bola. O Artur era mesmo exigente e graças a isso cheguei aqui.?Futuro - ?Ainda quero ser alguém. Assim como eu, muita gente está chegando à NBA. Tem muito jogador, muita troca, é business. Tenho de estar preparado e sempre trabalhando. Viver sempre de sonhos e metas. Já criei outro sonho: chegar à final.?Seleção - ?Vestir a camisa do Brasil é muito bom. Quero estar lá, vamos trabalhar e nos classificar para o Mundial de 2006. Temos bons jogadores. O Baby está de volta, será nosso pivô de força. O Brasil tem um time bom, de qualidade, com jogadores que estão trazendo experiência de fora. Temos de botar esse time para a frente. O basquete está meio parado no Brasil. É só futebol, futebol. Temos de abrir as portas para todo mundo para o esporte ir em frente. Torço para todos os atletas terem time, patrocínio, condições. Temos de dar conforto aos jogadores. Não é fácil, na disputa de um Brasileiro, o jogador ter de viajar de ônibus para jogar. Antes de ir para a NBA, não imaginava que os times têm aviões, levam os jogadores um dia antes do jogo. É lógico que eles têm mais condições, mas os times daqui deveriam dar, pelo menos, passagem aérea.?Estilo NBA - ?Eu sou simples. Os caras são "diamantados", gostam de jóias com diamantes grandes. O Marbury tem um brinco do tamanho do meu dedo e insistiu para que eu tivesse um colar. Dizia: ?Para sair comigo, você precisa de um desses.? Fiz com um LB, minhas iniciais, mas não uso, deixo no banco. Só uso brinco, pequeno, de vez em quando. Do que eles gostam? De brinco, colar, carro, som, DVD no carro... E de cantar.?

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