Kevin C. Cox/AFP
Kevin C. Cox/AFP

LeBron James, astro do Los Angeles Lakers, é o Sr. Outubro deste ano

Jogador está prestes a levar seu time para mais um título num momento incomum de um ano incomum. Reggie Jackson, antiga estrela dos Yankees, está de olho no seu 'sucessor'

Marc Stein, The New York Times

09 de outubro de 2020 | 12h00

Este nunca foi o mês em que os jogadores de basquete deveriam estar no ápice. Outubro é o mês da glória do beisebol, e só pode haver um Sr. Outubro. Ao fazer três home runs em três swings no jogo 6 da World Series de 1977 contra o Los Angeles Dodgers, Reggie Jackson cimentou um dos apelidos mais adequados e duradouros de todos os esportes.

Em 2020, é claro, as coisas quase nunca acontecem como se espera. LeBron James está atrás de mais uma vitória para conquistar seu quarto campeonato da NBA no Walt Disney World, ao mesmo tempo que os amados New York Yankees de Jackson enfrentam o Tampa Bay Rays pela American League Divisional Series num campo neutro em San Diego.

O calendário abarrotado com tantos esportes diferentes representou um dilema inesperado para outubro, porque Jackson também é um grande fã de LeBron James. “Gosto de ver esse cara jogar tanto quanto gosto de beisebol”, disse Jackson. “O basquete está chegando ao fim, então, se os dois jogos estiverem acontecendo ao mesmo tempo, vou dar as costas para o beisebol, porque vou ver o basquete. Não dá para perder esse cara jogando”.

Tive a sensação de que foi o que aconteceu quando vi Jackson bradando no Twitter depois da obra-prima de James no Jogo 5 das finais da Conferência Oeste para despachar o Denver Nuggets: 38 pontos, 16 rebotes e 10 assistências.

Então, liguei para ele no fim de semana para confirmar se Jackson estaria acompanhando James de perto, mesmo em meio à pós-temporada de beisebol mais carnuda de todos os tempos, com 16 dos 30 times da Major League de Beisebol convidados para jogar uma temporada regular abreviada pela pandemia: apenas 60 jogos em vez de 162.

O Sr. Outubro agora está com 74 anos e é fanático por basquete há tempo suficiente para mencionar Bill Russell, Oscar Robertson, Jerry West, Wilt Chamberlain, Kareem Abdul-Jabbar e Julius Erving como alguns de seus jogadores favoritos, antes de se lembrar de Magic Johnson, Larry Bird, Michael Jordan e, por fim, Kobe Bryant. Assim como todo mundo, Jackson sabe que, para alguns, James nunca conseguirá rivalizar com Jordan no sempre contencioso debate sobre o GOAT (o maior de todos os tempos, na sigla em inglês). Mas ele acha que isso não incomoda James tanto quanto muitos de nós pensamos.

“De vez em quando você tromba com um crítico maledicente, mas no geral as comparações com LeBron são do mais alto nível. Ele é um dos caras lá do Monte Rushmore", disse Jackson. “Ele é o maior? Eu diria que isso realmente não tem a menor importância. Quando você está no meio desses nomes todos, quer dizer que você é muito bom”.

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Ele é o maior? Eu diria que isso realmente não tem a menor importância. Quando você está no meio desses nomes todos, quer dizer que você é muito bom
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Reggie Jackson, ex-astro de beisebol

Jimmy Butler, do Miami Heat, foi tão bem no Jogo 3, batendo James na melhor partida de sua vida, que, numa mensagem de texto para seus companheiros de equipe, chamou o Jogo 4 de terça-feira de “imperdível”. Como o Lakers acabou vencendo, agora eles precisam evitar outro revés, com Bam Adebayo de volta ao time de Miami após lesão (pescoço) e Goran Dragic (pé) provavelmente retornando para o Jogo 5 de sexta-feira.

Mas, para James, a visão geral de grande parte desta série pareceu mais convidativa do que ele já tinha visto nos playoffs. Em suas nove incursões anteriores às finais da NBA, James costumava chegar com a equipe decididamente mais fraca (2007, 2017 e 2018). Ou o time, como o Miami nos Jogos 2 e 3, perdia seu segundo ou terceiro melhor jogador: lembre-se de que o Cleveland estava sem Kevin Love e ainda perdeu Kyrie Irving no Jogo 1 das finais de 2015.

Talvez o cenário desta temporada seja para James uma compensação pelas injustiças do passado. Ele tem Anthony Davis como seu braço-direito - e até Dwyane Wade disse na semana passada que Davis é o melhor parceiro que James já teve. A liga, como Draymond Green do Golden State a descreveu em nossa última newsletter, está “escancarada” para James, Davis e seu modesto elenco de apoio depois de cinco incursões consecutivas às finais da NBA. Nem mesmo a interrupção abrupta da temporada da NBA há quase sete meses pareceu afetá-lo. De início, James temeu que o hiato o prejudicasse fisicamente: no final de março, ele se queixou de que seu corpo estava em choque, porque a suspensão da temporada o tirara de seu ritmo normal de playoff quando ele já estava “passando pela terceira base”.

O plano de ver James quando ele ainda jogava nas ligas estudantis acabou não dando certo por um conflito de horários, mas Jackson o encontrou nos bastidores da Oracle Arena em 2016, na noite da maior conquista de James. Naquela temporada, Jackson fez várias viagens até a antiga arena do Warriors em Oakland, Califórnia, e viu de perto o toco de James na bandeja de Andre Iguodala no Jogo 7 das finais. O bloqueio ajudou o Cleveland Cavaliers a completar uma recuperação histórica, revertendo um 3-1 na série, e a conquistar o primeiro grande campeonato para a cidade em 52 anos.

“Fui até ele, apertei sua mão e perguntei: ‘Você me conhece?’”, disse Jackson. “E ele respondeu: ‘Eu sei quem você é. Você é o Sr. Outubro’”.  Mais uma vitória em outubro de 2020 e James, provavelmente pela única vez em sua vida, terá uma vaga ideia de quanto pesa a coroa de Jackson. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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