Kim Klement-USA TODAY Sports
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Los Angeles Clippers estão perdendo sua melhor oportunidade na NBA

Longe dos anos de chacota, equipe da Califórnia pode deixar escapar chance de brigar pelo título em último jogo da série contra o Denver Nuggets

Scott Cacciola, The New York Times

15 de setembro de 2020 | 14h01

LAKE BUENA VISTA, FLÓRIDA - Mesmo antes dos Los Angeles Clippers verem o Denver Nuggets empatarem a série nos playoffs da NBA por 3 a 3 no domingo, o técnico Doc Rivers virou-se para Tyronn Lue, um de seus assistentes, e disse que sentia que o time estava com problemas. Seus jogadores tinham diminuído o ritmo no ataque. Isto era óbvio. Mas, quando esse ritmo diminuiu, foi de uma vez por todas.

“Veja bem, quando você decide ser treinador, sabe que não vai ser um jardim de rosas todos os dias”, disse Rivers. “Então, claramente temos a fórmula certa no que diz respeito à maneira como estamos jogando, mas continuamos perdendo”.

Nesta temporada, as expectativas são diferentes para os Clippers. Longe dos anos de chacota, eles têm grandes aspirações nesta temporada. Podem até ser considerados favoritos – ou pelo menos eram. Mas, para uma equipe que nunca avançou para as finais da conferência, os Clippers estão encontrando cada vez mais dificuldade para se afastar de seu passado.

Os Clippers tiveram duas oportunidades de despachar os Nuggets nas semifinais da conferência, mas desperdiçaram ambas. Na sexta-feira, perderam uma vantagem de 16 pontos na derrota no jogo 5. No domingo, voltaram a vacilar diante dos Nuggets, que eliminaram uma desvantagem de 19 pontos na vitória por 111 a 98, empatando a série de melhor de sete jogos com três vitórias cada. O jogo 7 acontece nesta terça à noite.

De maneira geral tem sido uma fase ruim para os Clippers, agravada pelo fato de que são os Lakers – com quem dividem o Staples Center, em Los Angeles – que aguardam o vencedor nas finais da conferência. Os Lakers estarão bem descansados para o jogo 1 na noite de sexta-feira. Os Clippers já ficarão bem felizes só de chegar até lá.

“Se superarmos essa fase, com certeza vamos nos sair bem”, disse Rivers. “Não há dúvidas quanto a isso. Porque, quando você passa por adversidades como essas e consegue sair do outro lado, do jeito certo, você definitivamente virou uma equipe melhor”.

Não é o mesmo Clippers que, em 2015, deixou escapar uma vantagem de 3 a 1 para o Houston Rockets nas semifinais da conferência, perdendo na melhor de sete jogos. Chris Paul e Blake Griffin, os líderes daquele grupo, já se foram. Kawhi Leonard e Paul George, que foram trazidos sem nenhum custo na última temporada para empurrar uma equipe pronta para os playoffs, não têm nada a ver com aquela história infeliz, claro. Mas talvez as feridas persistam, e as lembranças dos apagões do passado vêm se intensificando nos últimos dias.

“É pressão em todos os jogos”, disse Leonard. “Obviamente, ninguém quer voltar para casa. Mas é preciso ir lá, jogar o jogo e viver com os resultados”.

Os Nuggets são um problema. Eles parecem totalmente imperturbáveis por circunstâncias terríveis. Na primeira rodada, ficaram atrás do Utah Jazz por 3 a 1 na melhor de sete, mas viraram o jogo com o brilhantismo da dupla Nikola Jokic e Jamal Murray. Agora, contra os Clippers, os Nuggets estão tentando repetir a dose.

Nenhum jogador da série foi mais temível do que Jokic, que teve uma média de 25,8 pontos e 12 rebotes, com aproveitamento de 53% nos arremessos. No domingo, os Nuggets superaram os Clippers por 62-30 nos 22 minutos finais do jogo. Jokic terminou com 34 pontos.

“É preciso reconhecer o crédito deles”, disse Rivers sobre os Nuggets. “Eles estão jogando duro. Estamos jogando contra o terceiro melhor time do Oeste, e eles são bons, são implacáveis, resistentes. O que fizemos para sair na liderança estava funcionando, mas aí paramos de fazer”.

Mais especificamente, disse ele, os Clippers pararam de rodar a bola. E, à medida que sua liderança foi desaparecendo no último quarto, Rivers foi buscando soluções. Ele até convocou Reggie Jackson, reserva que pouco jogou na série. “Precisávamos de alguém para arremessar”, disse Rivers. (Jackson não tentou nenhum arremesso em 59 segundos de tempo de jogo).

Nos 50 anos de existência dos Clippers, eles foram 15 vezes para os playoffs e acumularam oito participações nas semifinais da conferência, ainda na época em que eram os Buffalo Braves. Mas é o mais longe que já foram.

Os Clippers ainda esperam ultrapassar essa barreira com mais uma vitória, mas estão enfrentando muitos obstáculos. Eles não parecem mais inteiros como estavam no início da temporada – muitos meses atrás. George, por exemplo, perdeu os primeiros 11 jogos do time por causa de uma cirurgia no ombro, depois Leonard foi afastado das quadras devido a uma contusão no joelho quando George finalmente voltou à equipe titular.

O reinício da temporada dentro da bolha do Walt Disney World trouxe seus próprios desafios. George falou sobre suas lutas para se adaptar à vida na bolha. Montrezl Harrell, o vencedor do prêmio de Sexto Homem do ano, ficou fora por um mês, em luto pela morte da avó, e teve dificuldade para recuperar a forma nos playoffs. Patrick Beverley, que estourou o limite de faltas em menos de 18 minutos no domingo, ficou para trás por causa de uma lesão na panturrilha. E Lou Williams está totalmente inconsistente, arremessando apenas 23,4% na linha dos 3 pontos nas duas primeiras rodadas.

Durante boa parte da temporada, os Clippers expressaram confiança – apesar de todas as lesões e desfalques, apesar de todas as dores do amadurecimento e dos altos e baixos – de que estariam à altura do desafio quando chegasse o momento mais importante. Mas talento nem sempre se traduz em jogo consistente, e os ensaios gerais acabaram.

“Eles sabem que têm uma oportunidade nas mãos”, disse Rivers. “E querem ganhar mais do que ninguém”, disse Doc Rivers. / Tradução de Renato Prelorentzou

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