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Lucas 'Bebê' Nogueira pode ser o mais novo pivô brasileiro da NBA

Jovem é visto como um dos mais completos jogadores de garrafão desta edição do draft

GUILHERME DORINI E RENAN FERNANDES, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2013 | 07h56

SÃO PAULO - Nome praticamente certo para ser escolhido no Draft da NBA, que acontece em Nova York, nesta quinta-feira, Lucas Nogueira, conhecido como Bebê, pode ser mais um pivô do País no principal torneio de basquete do mundo, que já conta com Nenê, Anderson Varejão, Tiago Splitter e Fab Melo.

O atleta de 20 anos e 2,13 de altura, que atua no Asefa Estudiantes, da Espanha, obteve na última temporada médias de 5,5 pontos, 3,4 rebotes, 0,3 assistência, 0,5 roubo de bola e 1,1 toco, em pouco mais de 12 minutos por jogo, sendo eleito como segunda maior revelação da liga.

Muito elogiado pela imprensa norte-americana, Bebê é apontado, pelo próprio site da NBA, como o quarto melhor jogador de garrafão deste draft. No Eurocamp, evento que reunia os principais candidatos do evento que atuam fora dos Estados Unidos, realizado em Treviso, na Itália, o pivô foi eleito o melhor da posição.

O atleta, que já atuou nas categorias de base da seleção brasileira, está bem conceituado em sites especializados, que chegam a colocar o brasileiro como uma das dez primeiras escolhas. Até hoje, Nenê é o jogador brasileiro que conseguiu a melhor posição no evento, sendo o 7.º escolhido, em 2002.

Confira a entrevista que Lucas 'Bebê' Nogueira deu ao Estado:

ESTADO - Como está a expectativa para entrar na NBA?

Lucas - Estou bem tranquilo, controlando a ansiedade, porque é um momento único na minha vida, na minha carreira. Tenho recebido muito carinho de todos, amigos, família, torcedores do Brasil, e isso me deixa feliz e confiante de que vai dar tudo certo.

ESTADO - Não participar do Draft Combine, em Chicago, pode prejudicar seu recrutamento?

Lucas - Não, acredito que não. Fiquei satisfeito com os meus treinos, participei de um camp na Itália onde estavam os principais jogadores e consegui jogar um bom basquete.

ESTADO - Existe alguma equipe pela qual você gostaria de jogar?

Lucas -Não, nenhuma em especial. Claro, se fosse uma em que já tivesse um jogador brasileiro, ia ser bacana, mas não tenho nenhuma preferência. Na verdade, não estou pensando nisso ainda. Estou muito concentrado nesses últimos dias, em fazer o meu melhor, em estar focado, pois é uma semana muito especial na minha vida.

ESTADO - Alguns sites especializados em draft te colocam como uma escolha de final de primeira rodada. É isso mesmo que você espera?

Lucas -Meu objetivo é entrar. Não estou acompanhando o que sai na imprensa, não estou vendo os sites ou lendo sobre essas possibilidades. Fiz a melhor preparação que pude para este Draft, estou vindo de uma temporada excelente, estou bem cercado, tenho uma equipe que me dá suporte e toda estrutura, em especial meus agentes, que me dão tranquilidade para focar apenas em basquete.

ESTADO - Estes mesmos sites dizem que o Wizards poderia te recrutar outros falam em Spurs. Como seria jogar com outro brasileiro na Liga?

Lucas - Ia ser muito bom, especialmente pelo lado da adaptação. Ter um outro brasileiro ia facilitar bastante, alguém que me ajudaria muito não só na adaptação à cidade, como à equipe.

ESTADO - Qual é seu relacionamento com os brasileiros que atuam na NBA?

Lucas - Muito bom. Tenho admiração por todos eles, estive com eles na seleção brasileira em períodos de treinos e sempre me trataram com carinho, me deram conselhos, me ajudaram muito e agradeço a eles por isso. Graças ao esforço e à dedicação deles, nosso basquete é muito respeitado na NBA, estamos tendo mais espaço e, hoje, eu e outros brasileiros temos a oportunidade de estar no Draft.

ESTADO - Você retirou sua inscrição no draft de 2011. O que mudou de lá para cá?

Lucas - Mudou muita coisa. De lá para cá, cresci como jogador, amadureci muito e, hoje, sou um jogador melhor, mais completo e mais preparado. Estou mais seguro, mais confiante, venho de uma boa temporada na Espanha, onde recebi muito apoio de todos, ganhei tempo de quadra e consegui ajudar mais o Estudiantes.

ESTADO - Você pretende disputar alguma summer league ou continuar seu desenvolvimento na europa?

Lucas -Isso é algo que não conversei ainda com meus agentes. É um planejamento que fica mais para eles, mesmo.

ESTADO - Você já teve contato com alguma equipe? Recebeu convite para treinos ou conversou com algum olheiro?

Lucas -Apenas fiz algumas entrevistas.

ESTADO - Quem é seu grande ídolo atualmente na NBA?

Lucas - Admiro muitos jogadores. Tenho uma admiração maior pelos brasileiros, por tudo o que eles vem fazendo na liga nos últimos anos, e pela amizade que tenho com eles.

ESTADO - As regras da NBA não permitem apelidos no nome das camisas. Você pretende acrescentar Bebê ao seu nome em cartório para manter o apelido, como o Nenê?

Lucas - Não sei, não pensei nisso ainda. Na Espanha, no Estudiantes, usava Nogueira na camisa. Sou mais chamado de Bebê no Brasil mesmo, muitos me chamam de Lucas, mas acho que isso não é problema. Se for para usar Nogueira, Riva, se for para usar Bebê, qualquer desses nomes está bom na camisa. Estou mais preocupado em terminar bem essa semana e alcançar o meu objetivo, que é ser selecionado no Draft.

ESTADO - Como foi a mudança para a Europa?

Lucas - Quando fui para a Espanha, fui sozinho. Somente depois de algum tempo a minha família foi me visitar. Não foi fácil, eu não tinha ainda 16 anos, a adaptação foi demorada, era um país novo, uma língua nova, um lugar novo, era tudo muito diferente para mim, eu era um adolescente, mas consegui superar todas as dificuldades, sabia que era aquilo que eu queria, e hoje lembro com muito carinho tudo o que passei, pois foi importante para o meu crescimento. Passei os últimos anos na Europa e hoje tenho muitos amigos, aprendi uma nova cultura e cresci muito profissionalmente.

ESTADO - Como seria fazer outra mudança, agora pra os Estados Unidos?

Lucas - Não parei para pensar nisso. Tudo depende do que vai acontecer no Draft. Acho que a minha ‘mudança’ mais complicada foi para a Espanha, eu era novo e tudo era muito diferente. Espero que corra tudo bem e eu consiga entrar na NBA.

ESTADO - Fala inglês? Já domina o espanhol?

Lucas - Falo um inglês ainda razoável, preciso estudar um pouco mais para ficar mais fluente. Meu espanhol é muito bom, falo bem.

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