Lula defende exclusividade na seleção

O técnico Lula, da seleção brasileira masculina de basquete, acabou de ministrar palestra em São Paulo, na quinta-feira, e correu para o aeroporto, a caminho de Belo Horizonte, para dirigir o COC/Ribeirão Preto, no Campeonato Nacional. Ele já estava vindo de Londrina, onde sua equipe tinha jogado terça-feira. Lula tem rotina estafante, não reclama, mas admite que a seleção necessita de um treinador exclusivo, como é o Bernardinho, no vôlei. "Seria ideal. O basquete precisaria disso para descobrir talentos."Lula apresentou detalhes do projeto de descoberta e desenvolvimento de talentos, semana passada, em São Paulo, no 1º Congresso Internacional de Treinamento Esportivo. Na primeira etapa, a idéia é promover clínicas regionais, em todo o Brasil, detectando novos jogadores - uma comissão de técnicos se deslocará nas regiões fazendo testes de fundamentos. Na segunda ação, em clínica nacional, os atletas seriam testados tática e tecnicamente. Isso visando formar seleções de base, como a cadete. "Muitos chegam à seleção adulta sem nunca ter usado a camisa do Brasil em equipes menores, o que é muito ruim."Lula observa que existe um abismo - em termos de infra-estrutura, recursos disponíveis e política governamental - entre o que é feito no Brasil e em países que tem no basquete uma de suas forças, como os Estados Unidos. As gritantes diferenças foram constatadas durante a visita feita por integrantes da comissão técnica das seleções brasileiras, masculina e feminina, à Denver para conhecer a estrutura dos Nuggets, equipe do brasileiro Nenê na NBA.O técnico da seleção masculina foi apresentando os dados. Dos 29 times que disputam a NBA, 14 franquias têm aviões próprios e as demais viajam em vôos charter; o novo ginásio do Denver, o Pepsi Arena - financiado pela empresa de refrigerantes - custou US$ 30 milhões; a comissão técnica dos Nuggets é formada por 30 profissionais; o consultor-técnico do time, um experiente ex-técnico, tem vencimentos de US$ 1 milhão por ano; um árbitro ganha entre US$ 70 mil e US$ 350 mil por ano. "Não há comparação, mas voltamos fortalecidos ao ver que os técnicos brasileiros fazem trabalho bem superior com a estrutura que têm", afirmou Lula.

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