Lula quer jogadores da Nossa Liga

Há duas semanas, Gerasime ?Grego? Bozikis, presidente da Confederação Brasileira de Basquete, mandou seu recado aos dirigentes da Nossa Liga: ?Quem participar da NLB não defenderá a seleção brasileira?. Em qualquer categoria ? cadete, juvenil ou adulto ?, acrescentou. Mesmo assim, a NLB inicia seu Campeonato Nacional nesta terça-feira, com 18 equipes, sob o comando do ex-jogador Oscar Schmidt, seu presidente. O racha causou mal-estar entre técnicos e atletas, justamente em um momento que o basquete tenta se reerguer: a seleção brasileira masculina ficou fora das duas últimas Olimpíadas (Atenas/2004 e Sydney/2000). Para Aloísio Ferreira, o Lula, técnico da seleção masculina e do COC/Ribeirão Preto, a equipe nacional tem de estar acima de tudo. O treinador diz não temer que a precipitada decisão de Grego prejudique a formação de um grupo para o novo ciclo olímpico. ?Ninguém quer essa situação (o veto). Nem dirigentes, nem técnicos. Mas ainda é muito cedo para tirar conclusões porque a convocação para o Mundial será daqui a nove meses. O basquete está vivendo um novo momento, com a criação de um segundo campeonato nacional. Muita coisa pode acontecer até lá?, diz Lula. ?Mas ninguém gostaria de deixar de fora da seleção um grande jogador. Não é bom para o basquete. Se puder convocar, eu convoco. Posso lutar para mudar!? Por cautela, no entanto, acrescenta: ?Todas as posições devem ser respeitadas?. Lula também não teme retaliação por parte dos jogadores que atuam na NBA. Em julho, Nenê Hilário não foi à Copa América. Além de contundido, disse que não jogaria pela seleção enquanto não houvesse transparência dos dirigentes da CBB e condições melhores para defender a equipe nacional. ?O trabalho da seleção não é de uma pessoa só. Em conversas com o Nenê, em nenhum momento ele falou em boicote e sim que precisava tratar de sua lesão, da renovação de contrato e do casamento. Disse que em outro momento estaria disponível?, conta o técnico. Campeão da Copa América ? em julho, na República Dominicana ?, Lula aposta na base vitoriosa para o Mundial/2006, com Guilherme, Leandrinho, Marcelinho, Tiago Splitter e Murilo. Mas lembra que quase um time inteiro ficou de fora: Varejão abandonou a competição com uma contusão no ombro, Rafael ?Baby? Araújo não embarcou por conta de uma conjuntivite, Estevam pediu dispensa por problemas pessoais e Valtinho estava contundido. O grupo ainda deve melhorar com a volta deles. No último Mundial, em Indianápolis/2002, o Brasil terminou em oitavo lugar. Para o Japão, Lula diz que o time terá de jogar ?acreditando?. ?Nosso grupo tem qualidade, talento individual e gosto de vencer?. Os destaques do Mundial do Japão/2006 devem ficar por conta das forças européias e da Argentina. Serão 24 países divididos em quatro grupos de seis. Quatro de cada grupo avançam aos mata-matas. Depois vem o cruzamento olímpico. ?Dizer que há um favorito é burrice. A competição terá grandes candidatos, mas favorito, nunca?, acredita Lula.

Agencia Estado,

23 de outubro de 2005 | 17h06

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.