Luxemburgo não reduz bronca de Karina

Após pôr fim ao mês de angústias que passou atrás de patrocinadores e mesmo contando agora com o apoio financeiro do técnico do Corinthians, Wanderley Luxemburgo, para manter o time feminino de basquete de Jundiaí, uma equipe de cadeira de rodas e escolinhas, a pivô Karina não está completamente feliz. Nesta terça-feira, em entrevista coletiva para a divulgação da identidade do "salvador da pátria" Luxemburgo, a jogadora-empresária (é proprietária da Associação Karina Loestre Basquetebol Clube, que administra o time de Jundiaí) se mostrou desgostosa com a falta de incentivo dos dirigentes, do governo e das empresas ao esporte."Este é um dia de alegria, mas também de tristeza. A que ponto tivemos de chegar! Conversei com 122 empresas e foi um amigo, com dinheiro, que teve de me socorrer", declarou Karina, que continuará à procura de um patrocinador.O acordo com o treinador terminará no dia em que a jogadora conseguir um patrocinador. Em todo o caso vai durar, no máximo, três meses, até o fim do Campeonato Nacional. O projeto, que tem gastos mensais de cerca de R$ 120 mil, é custeado também pela Sundown e pela Prefeitura de Jundiaí. O valor que caberá a Luxemburgo desembolsar não foi divulgado.CPI - "O importante não é o dinheiro. Nem queria estar aqui, pois o projeto é deles. Só vim esclarecer que vou ajudá-los porque ficaria ruim para a Karina justificar depois o aparecimento do dinheiro", desconversou Luxemburgo. "Iam fazer uma CPI para que eu explicasse onde arrumei a verba", brincou Karina.Luxemburgo, que recebe cerca de R$ 70 mil mensais, está sendo investigado pela CPI do Futebol e pela Receita Federal por suspeita de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Segundo a CPI, ele teria movimentado R$ 18,82 milhões em suas contas bancárias entre 1995 e 1999. "Não acredito que com isso terei mais problemas com a CPI. Vai ser tudo legal."De acordo com o treinador, seus advogados estão estudando a possibilidade de fazer a "doação" a Karina. "Isso não será problema. Mais do que já fui investigado nestes cinco meses..." Ele acredita que receber os recibos das quantias que depositar na conta da jogadora já será suficiente. Não haverá um contrato com cláusulas, prazos de pagamento e multas. "É um acordo entre amigos", definiram.O "salvador da pátria", que não poderá abater a "doação" no Imposto de Renda, fez questão de afirmar que não se trata de patrocínio ou investimento. Não terá seu nome na camisa do time. A marca que as jogadoras do Jundiaí levarão no Nacional é a da Sundown. "É tão simples tudo isso e as pessoas estão vendo tanta coisa ruim. Tenho de tocar a minha vida e é isso que estou fazendo", observou Luxemburgo, que, a partir de agora, garantiu que não falará mais de basquete. "Sou técnico do Corinthians e não existe possibilidade de eu trocar de esporte."

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