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Magic Paula se une a Guy e será vice na chapa para a eleição da Confederação Brasileira de Basquete

Ex-jogadora aceita o convite do presidente, que decide concorrer no pleito de março de 2021; 'é o momento de nós, mulheres, contribuirmos com o esporte do País, no comando'

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2020 | 11h02
Atualizado 11 de dezembro de 2020 | 17h00

O atual presidente da Confederação Brasileira de Basketball, Guy Peixoto, decidiu concorrer à reeleição no pleito que acontece em março de 2021. A principal novidade é que Magic Paula aceitou convite e será sua vice na chapa.

"Sempre fui questionada se não tinha vontade de ajudar o basquete brasileiro. A minha resposta era sempre que eu estava à disposição e que, se chegasse um convite, iria analisar com carinho o projeto e as pessoas, a filosofia do trabalho. Fui pega de surpresa com este convite do Guy, da vice-presidência, e fiquei muito feliz. É o momento de nós, mulheres, contribuirmos com o esporte do País, no comando das confederações", afirmou Magic Paula ao Estadão

"Eu me senti muito confortável, conheço o Guy, sei que ele está aí por paixão, apagando incêndio nos últimos quatro anos. Não fez tudo que queria, mas fez muita coisa sem ter recurso. Pegou uma terra arrasada. Estou chegando para reforçar. Temos de fazer um belo trabalho se conseguirmos se reeleger. Trabalhar pelo basquete, fortalecer esta estrutura. Tem muita coisa por fazer."

Dentro das quadras, Paula foi uma das melhores que o Brasil já teve. Ela quer ser relevante agora na gestão da modalidade que tanto ama. "Está na hora de eu contribuir com o esporte que me projetou como atleta, agora como gestora. Vamos precisar da ajuda de muita gente, da comunidade do basquete feminino unida. Temos de profissionalizar os clubes, federações... Temos de seguir em grupo, acertar ou errar juntos. Me sinto confortável com o grupo está sendo montado para este desafio. Não tem como não me sentir motivada", acrescentou.

O nome da ex-jogador tem credibilidade enorme. Não à toa, pouco tempo após o Estadão divulgar que Paula seria vice de Guy na eleição, alguns empresários já entraram em contato com interesse em saber mais sobre o projeto da CBB para os próximos quatro anos. "O único patrimônio que temos na vida é a credibilidade. Olhar nos olhos, dormir tranquilo, deixar as portas abertas por onde você passa. O futuro está sempre no trabalho que desenvolvemos. Executar o que sabemos com competência, com diálogo, transparência... Não é porque fui atleta que vou ser uma boa gestora. Eu tive de me preparar, estou o tempo todo me reciclando. Gosto muito do trabalho em equipe, gosto de colocar todo mundo no jogo, é importante delegar, confiar. O atleta tem esta questão da resiliência", disse Paula.

A ex-jogadora sempre foi crítica à forma com que o basquete brasileiro era comandado no passado, sem estrutura, sem ideias, sem objetivos claros. As verbas destinadas à modalidade nunca eram suficientes. Não havia formação de base. Tudo isso mudou, apesar de a seleção feminina não ter se classificado para os Jogos de Tóquio.

"A credibilidade você não diz, você conquista. Sempre me preocupei com o que sou, o que faço. Esse é o grande legado do ser humano. Não é elogio. É obrigação ser honesto, ser ético, seguir como tem de ser. Nunca fui política. Sempre tive minha opinião, expressei o que pensava. Isso me dá liberdade, não depender de A, B ou C... Sempre disse que só iria para um cargo na CBB pela minha credibilidade e não apenas por ter sido uma atleta. Lá atrás, quando o Guy entrou, ele me chamou para estar ao lado dele. Eu disse que não iria fazer porque se lá na frente fosse trabalhar na confederação, remunerada ou não, seria pela minha competência e não porque te apoiei politicamente. Sempre fiquei à disposição desta gestão, me consultaram e foram transparentes. Isso pesa bastante", disse.

Paula adiantou que, em caso de vitória na eleição, vai trabalhar principalmente para recuperar o basquete feminino. "A minha função será voltada ao departamento feminino, para sugerir, colaborar como o que for possível. Pensar em um plano, não sei se ambicioso, mas pés no chão, porque precisa ser feita muita coisa. Precisamos de muitas pessoas, entidades, ter um diálogo próximo, construir junto com as federações. Se o nosso sistema é esse, temos estes braços pelo Brasil, precisamos convergir, conversar mais, interagir mais com quem está lá na ponta e pode ajudar", disse ao Estadão.

"Claro que tenho minhas ideias e crenças, mas, em caso de vencer a eleição, temos de sentar e construir junto com a família do basquete feminino. Precisamos ser ambiciosos, mas com os pés no chão. Temos de construir isso já formando uma nova geração. A gente prejudicou muitas gerações que passaram por falta de carinho, atenção e oportunidade para o basquete feminino."

ELEIÇÃO

Quando foi eleito em março de 2017, Guy fez promessa de não seguir na entidade após quatro anos. A sua intenção era colocar tudo em ordem e eleger um sucessor. Apesar da situação da CBB melhorar na sua gestão, o ex-jogador recebeu diversos apelos para continuar como presidente e decidiu aceitar. 

Guy recebeu a entidade em um cenário de 'terra arrasada', como ele mesmo definiu. A dívida era de R$ 40 milhões, incluindo os processos da Justiça, após uma auditoria contratada pela CBB realizar um pente-fino na gestão de Carlos Nunes, que ficou no comando por oito anos, seu antecessor. Empresário de sucesso, colocou dinheiro do próprio bolso desde o começo para conseguir operar, obter certidões negativas e seguir adiante na busca por patrocinadores. O dirigente, por exemplo, pagou o salário do técnico Aleksandar Petrovic até que um acordo fosse fechado para que valor viesse por intermédio do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

A entrada de Magic Paula na chapa de Guy dá ainda mais credibilidade para uma continuidade na gestão da CBB. Campeã mundial e medalhista olímpica, a ex-jogadora de basquete sempre foi muito atuante fora de quadra, com diversos projetos para o crescimento da modalidade. Agora terá oportunidade, em caso de vitória no pleito, de colocar em prática planos importantes, principalmente para o basquete feminino.  

"Magic Paula é uma querida. Dispensa apresentações. Uma das maiores atletas da história. Hoje, já faz parte do Conselho da CBB. E, confiando no nosso trabalho, transparência e respeito, aceitou o desafio de conosco buscar melhores caminhos para o basquete brasileiro. Tenho certeza que Paula traz inteligência, novas ideias e muita determinação. Ao mesmo tempo, mostra nosso respeito e admiração pelo basquete feminino", afirmou Guy ao Estadão.

Com a confirmação da chapa de Guy, agora com Magic Paula, resta saber quem vai concorrer contra o atual presidente da CBB no pleito de março de 2021. Alguns presidentes de federações estão se articulando para lançar um nome de oposição. Na eleição de 2017, Amarildo Rosa, então presidente Federação Paranaense de Basketball, foi candidato.

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