Marcel e Hélio Rubens trocam farpas

Hélio Rubens é o técnico da seleção brasileira masculina de basquete desde 1997. Marcel de Souza quer seu lugar. Hélio Rubens ficou em oitavo lugar no Mundial de Indianápolis, em setembro, e apresentou suas justificativas por não ter disputado o título. Marcel rebateu-as, pôs em xeque sua capacidade para dirigir a equipe e disse que faria melhor. A discussão ficou pública e a Confederação Brasileira de Basquete ainda não decidiu - ou pelo menos não divulga - quem será o treinador no ano que vem.Por enquanto, só há uma certeza: Hélio Rubens não quer nem ouvir falar de Marcel. "Ele não existe como técnico. Para conhecer a competência de alguém, você tem que analisar o currículo. Ele não tem nada, tanto é que está procurando emprego. Fez isso para se autopromover. Não tem cabimento um cara que não tem serviço prestado arvorar de técnico da seleção. Se eu sair, vou ajudar a escolher alguém. Agora o Marcel, coitado, eu lamento. Nem ética profissional ele tem." Os dois jogaram juntos na seleção de 1973 a 1979 e Hélio Rubens foi técnico de Marcel em 1990.A confusão começou quando Marcel, no site www.databasket.com.br, admitiu a vontade de assumir a seleção e criticou o trabalho de Hélio Rubens. Embora tenha declarado no site que "seria hipocrisia não admitir o desejo de dirigir a seleção", Marcel afirma: "Não estou querendo que o Hélio Rubens saia". Para depois desafiar: "Não posso negar que eu acho que se você me trancar por três semanas com a equipe num ginásio, levar a chave embora e nos abastecer de comida, a cara do basquete está mudada."Um dos melhores arremessadores que o Brasil já teve, hoje Marcel se dedica à carreira de treinador. Está sem time desde que deixou o Pinheiros, no final do ano passado - daí Hélio Rubens dizer que o rival está atrás de emprego. "Primeiro que não estou, segundo que o cargo na seleção não é emprego, é missão."Independentemente da vontade ou não de puxar o tapete de Hélio Rubens, Marcel tem críticas ao colega. Diz que a seleção joga o mesmo basquete que jogava em 1990 e não tem um esquema adaptado ao jogo mais individual dos dias atuais, em que a força e a altura do jogador são decisivas. "Antigamente, a habilidade conseguia superar o físico. Mas hoje você tem que procurar novas utilidades para aquela técnica, inserindo o individualismo num jogo coletivo moderno." Segundo ele, a melhor maneira de fazê-lo é implantando o sistema de triângulos do técnico norte-americano Phil Jackson, maior campeão da NBA nos últimos anos. "Estudo os triângulos há sete anos, desde que sou técnico. É o mais adaptado à criatividade do jogador brasileiro.""Triângulos? Nós jogamos assim", defende-se Hélio Rubens. "Mas o Marcel é muito petulante, porque não tem preparo nenhum. Foi um vexame nos clubes que dirigiu. Se acha que por ter sido jogador é um bom técnico, está completamente fora da realidade."A querela tem tudo para ser longa. Resta esperar que Hélio Rubens entregue, ainda neste mês, o relatório técnico do Mundial à Confederação, que decidirá se ele continua no comando. A entidade não adianta nada e informa que não há pressa, pois as atividades da seleção somente começam no meio do ano. Mas o comandante avisa. "A missão não está encerrada, o ciclo olímpico vai até 2004."

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