Osman Orsal/Reuters - 11/5/2012
Osman Orsal/Reuters - 11/5/2012

Marcelinho Huertas: 'Brigaremos por medalha'

Jogador é a voz de Rubén Magnano na quadra e aposta alto no Brasil em Londres

Raphael Ramos, Jornal da Tarde

23 de junho de 2012 | 23h21

SÃO PAULO - Marcelinho Huertas se apresenta neste domingo à seleção brasileira com o ego inflado. No último sábado, o seu Barcelona foi campeão espanhol em cima do arquirrival Real Madrid e o armador foi apontado pela imprensa espanhola como um dos grandes nomes da vitoriosa campanha catalã. O seu desafio agora é bem maior: conduzir o Brasil ao pódio nos Jogos Olímpicos depois de a equipe ficar 16 anos sem participar do torneio. Ele sabe que a tarefa é árdua, mas mostra confiança nesta entrevista ao Jornal da Tarde.

Qual é a avaliação do basquete brasileiro no exterior?

Hoje em dia, somos muito respeitados. Pelo menos na Espanha, o Brasil é visto como uma ameaça porque sabem da capacidade física e técnica que o nosso time tem. Se o nosso jogo encaixar, seremos um osso duro de roer e brigaremos por medalha em Londres.

Como parte da preparação para a Olimpíada, o Brasil vai enfrentar seleções como Argentina, Estados Unidos e França. Os resultados nesses amistosos servem de parâmetro para Londres?

Teremos um período de treinamento curto, com uma série de viagens, mas nenhuma seleção vai ter muito tempo para treinar. Nesse aspecto, acho que estamos até um pouco melhor do que os outros. Mas se tivermos algum tropeço ou uma vitória incrível, isso não vai condicionar a maneira como vamos jogar na Olimpíada. O mais importante é a gente conseguir pegar ritmo de jogo, encaixar o time e que o treinador possa fazer testes e treinar situações diferentes de jogo, para quando chegar mais perto da Olimpíada ele focar mais em como vamos jogar em Londres.

Qual é o papel do Rubén Magnano nesta fase do basquete brasileiro?

É um privilégio trabalhar com um técnico que tem o currículo dele, que já foi campeão olímpico e levou o basquete argentino ao patamar mais elevado da sua história. Essa é uma vantagem que temos em relação aos outros times. Até quem é leigo e vê os nossos últimos resultados sabe que a importância dele para a nossa seleção é vital.

Com ele o Brasil, enfim, passou a ter padrão de jogo?

Sempre tentamos ter um padrão, a diferença é que nos últimos anos passamos a ter um estilo mais controlado. Nossa característica sempre foi de explosão e velocidade, mas hoje em dia, para conseguir resultados importantes contra equipes fortes, você precisa controlar mais esse ímpeto.

Acredita que o Brasil superou a barreira psicológica de fracassar justamente nos momentos decisivos dos jogos mais importantes?

Estamos muito mais maduros. A experiência e o nível de concentração que temos agora não se comparam com os dos últimos anos. Todos sabem que não podemos ter nenhum tipo de afobação e isso faz muita diferença.

O Brasil está no grupo B dos Jogos Olímpicos ao lado de Espanha, Austrália, China e Grã-Bretanha. As chances de classificação são grandes, mas, dependendo da posição, o adversário nas quartas de final pode ser os Estados Unidos ou a Argentina. Isso te preocupa?

Temos de pensar jogo a jogo. O mais importante é a gente entender que na Olimpíada cada jogo é uma final. A estreia contra a Austrália, por exemplo, é uma partida-chave porque pode decidir quem terminará a primeira fase na frente, nós ou eles. Não podemos tropeçar contra a China e teremos pela frente um time como a Grã-Bretanha, que, apesar de não ter tanta tradição, conta com vários jogadores da NBA e é o time da casa. Sem contar a Espanha, que dispensa comentários. Só vamos fazer contas no final, mas sabemos que é importante evitar uma posição ruim no grupo para não cruzar com os Estados Unidos logo nas quartas de final.

Apesar de a Seleção contar com atletas que atuam na NBA, você é o líder e capitão do grupo. Como é carregar essa responsabilidade?

Tenho a característica de tentar ser a voz do treinador dentro da quadra. Isso está no sangue. O armador tem de ter esse espírito de líder e faço isso com naturalidade, sem forçar nada. Conquistei essa posição pela minha trajetória não só na Seleção, mas pelos clubes que defendi fora do País. Mas a importância de cada um é a mesma, tanto faz se você fica cinco, dez ou 35 minutos em quadra.

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