Marquinhos afirma que o problema da seleção é Lula Ferreira

Cortado do pré-olímpico, ala chama técnico de incompetente e conta que jogadores tomaram o comando

Heleni Felippe, Estadão

31 Agosto 2007 | 12h38

O ala Marquinhos reafirmou nesta sexta-feira que existe um descontentamento de todos os jogadores da seleção brasileira que disputa o Pré-Olímpico de Las Vegas com o trabalho comandado pelo técnico Lula Ferreira. "Está visível para todo mundo que ele não sabe rodar os jogadores. Todo mundo está querendo ajudar o Brasil a se classificar para a Olimpíada, mas no Brasil não tem uma troca legal", disparou o jogador, cortado da competição depois de quebrar um dedo da mão direita. Veja também:  Derrota inesperada expõe clima ruim na seleção de basquete Jogadores pressionam repórter do Estadão  "Os titulares ficam cansados demais porque não deixam a quadra e os reservas aborrecidos porque não entram. Existe um descontentamento com o jeito que o Lula está dirigindo a seleção", prosseguiu o atleta, que defende o New Orleans Hornets na NBA. Ele confirmou que os jogadores falaram desse descontentamento na reunião que fizeram no vestiário do Ginásio Thomas & Mack Center. "Todos gostariam que houvesse um rodízio maior", disse Marquinhos, de 23 anos, que chegou ao Brasil nesta quinta-feira. O ala disse que não pretende voltar à seleção enquanto Lula estiver no comando. "Conversei com meu agente e se for para vir para a seleção jogar cinco, dez minutos fico lá nos Estados Unidos treinando com a minha equipe." Marquinhos reclamou por ter sido bastante aproveitado durante as campanhas vitoriosas no Pan do Rio e no Torneio Tuto Marchand, em Porto Rico, e praticamente não ter jogado em Las Vegas. Repercussão Para o ex-jogador Oscar, veterano de cinco olimpíadas e grande estrela da geração que conquistou o Pan de Indianápolis, há 20 anos, as declarações de Marquinhos mostram que o grupo que disputa o Pré-Olímpico não está fechado. "A declaração caiu como uma bomba. Para mim, foi uma surpresa negativa", disse Oscar. "Divergências de opiniões e rivalidades são normais em todo o grupo onde o relacionamento é intenso. Mas quando o grupo é fechado isso é resolvido no vestiário." Oscar disse que vê com tristeza que "uma notícia dessa tenha saído do vestiário", mas ainda confia que o Brasil tenha capacidade de ficar com a vaga olímpica no jogo deste sábado, contra a Argentina. "O Brasil deu um passo à frente em relação aos últimos pré-olímpicos, quando foi sexto (1999) e sétimo (2003). Não vai atrapalhar." Para Hortência, cestinha de uma geração campeã mundial (1994) e vice olímpica (1996), o Brasil é um time bom, a segunda melhor equipe do Pré-Olímpico, mas preocupa por não apresentar um jogo regular. "Num dia joga mal e no outro joga bem." Vendo de fora, aponta como principais problemas a falta de entrosamento e o fato de não ter um jogador líder em quadra "que coloque a bola debaixo do braço" e diga o que tem de ser feito. "Desde o Pan, sinto falta de um jogador que comande a equipe. Como a Paula, que chamava a atenção para o que estávamos fazendo durante o jogo. Você não vê na seleção masculina o grupo se reunir ali no garrafão a conversar como fazíamos no feminino", afirmou Hortência. Para ele, Marquinhos escolheu o momento errado para fazer críticas ao técnico Lula. "Agora não é hora. Isso teria de ser visto antes ou quando o Pré-Olímpico acabar." O bicampeão mundial (1959 e 1963) Wlamir Marques acredita que, se o grupo está unido contra o técnico e resolveu chamar para si a classificação olímpica, independentemente do comando, vai ter de assumir a responsabilidade. "O objetivo deles é conquistar a vaga e vale qualquer coisa para isso. Mas a atitude deixa os integrantes da comissão técnica numa saia justa e sem clima para continuar na seleção." Atualizado às 21h30, para acréscimo de informações

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