Melhor de todos os tempos, Michael Jordan completa 50 anos

Jordan completa hoje 50 anos de uma vida repleta de glórias dentro das quadras, fracassos, críticas e crises fora dela

GUILHERME DORINI E MARCIUS AZEVEDO, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 16h09

SÃO PAULO - 17 de fevereiro de 1963. Esse dia, que poderia ser como um outro qualquer, ficará marcado para sempre na história do esporte. No bairro do Brooklyn, em Nova York, nasceu Michael Jeffrey Jordan, filho de James e Dolores Jordan. Maior jogador de basquete que já existiu e um dos esportistas mais importantes de todos os tempos, MJ chega aos 50 anos arrimado em uma carreira repleta de glórias dentro das quadras e um nome capaz de render US$ 80 milhões (R$ 157 milhões) por ano até hoje, mas também abalado por fracassos como dirigente e problemas conjugais.

É difícil encontrar um ser humano que não saiba responder de bate-pronto quem é Michael Jordan. Não à toa, o ex-jogador, atualmente dono de 80% do Charlotte Bobcats, pior equipe da NBA, é citado em praticamente todas as listas das cem personalidades mais influentes do mundo. Um estudo encomendado pela revista americana Forbes, por exemplo, mostra que a carreira do superastro teve um impacto de US$ 10 bilhões (R$ 19,65 bilhões) na economia dos Estados Unidos.

O nome de Jordan é tão influente que bastou surgir a informação de que ele pode jogar uma partida oficial pelos Bobcats como parte da comemoração do seu 50.º aniversário para que milhões de pessoas comentassem o assunto nas redes sociais.

Os fãs de MJ desejam vê-lo em ação contra o Chicago Bulls, na sexta-feira, mas há chance de o jogo ser postergado para mais próximo do fim da temporada ou até não acontecer. Por ser dono de equipe, Jordan teria duas opções para voltar às quadras: vender suas ações ou receber uma autorização da NBA.

A primeira pista do retorno foi dada pelo próprio Jordan em 2009, no evento que o introduziu no Hall da Fama. “Pode ser que algum dia vocês me vejam jogando uma partida aos 50 anos.” Recentemente, ele intensificou os treinamentos com os Bobcats, iniciou uma dieta para perder peso e já mostrou boa forma, inclusive derrotando Michael Kidd-Gilchrist, um dos seus melhores jogadores, em uma disputa um contra um. “Claro que achava que ganharia de Jordan. Como poderia perder para alguém de 50 anos?”, disse o novato.

Os rumores continuem. Antawn Jamison, do Los Angeles Lakers, aumentou o clima de expectativa. "Eu não duvido que, na situação adequada, ao lado do LeBron ou do Kobe, ele poderia marcar 10 ou 11 pontos e jogar de 15 a 20 minutos. Eu não duvido disso, especialmente se ele estiver em forma e sem lesões. Você ouve boatos até hoje, especialmente no ano passado, quando ele participou de alguns treinamentos e ninguém conseguia pará-lo no 1 contra 1".

 

PRECOCIDADE

O talento para o esporte foi descoberto de maneira precoce. Desde garoto, Michael Jordan já dava sinais de sua grandeza. Apesar de ser preterido no segundo ano do colegial, por causa da sua então baixa estatura - ele tinha apenas 1,80m -, MJ, que também jogava beisebol e futebol americano, influência do pai, conseguiu entrar para o time do Instituto Emsley A. Laney graças a um amigo e começou mostrar suas qualidades.

 

Motivado para demonstrar seu valor, MJ, que sempre foi competitivo ao extremo, começou a se destacar e terminou a temporada com vários jogos com mais de 40 pontos. No ano seguinte, já com dez centímetros a mais, ele assumiu definitivamente o papel de estrela da equipe. O prodígio entrou para o Mc'Donalds All American Team (melhor time estudantil) atingindo médias de triplo-duplo: 29,2 pontos, 11,6 rebotes e 10,1 assistências.

 

Em 1981, impressionados com o novo talento que surgia na região - a família Jordan há muito havia trocado Nova York pela Carolina do Norte -, a Universidade local concedeu uma bolsa de estudos para o jogador, onde se formou em geografia. Mas não era explorando regiões e elaborando mapas que Jordan se via no futuro.

Já no primeiro ano foi eleito o melhor calouro de sua conferência e no segundo brilhou. Em 1982, sua equipe chegava a decisão da NCAA (liga de basquete universitário) para quebrar um jejum de títulos que já durava 25 anos. Contra Georgetown, Jordan recebe um passe na lateral do garrafão faltando vinte segundos e anota os dois pontos que garantiram o título.

 

A universidade conquistava seu segundo campeonato e Jordan apenas seu primeiro. Dois anos mais tarde, o garoto encerrava sua história na Carolina do Norte, que inclusive aposentou a camisa 23, e se apresentava ao Draft. A partir de então, o esporte da bola laranja não seria mais o mesmo.

 

No dia 19 de junho de 1984 começava o 38º draft da história da NBA, no tradicional templo do basquete, o Madison Square Garden, em Nova York. Houston Rockets e Portland Trail Blazers, donos das primeiras, optaram por selecionar jogadores fortes, grandes, os pivôs Hakeem Olajuwon e Sam Bowie. Terceiro na lista, o Chicago Bulls escolheu aquele que se tornaria o melhor de todos os tempos.

A carreira de Michael nos Bulls durou ao todo 14 anos, dividido em duas partes. A primeira passagem aconteceu de 1984 a 1993 e foi quando ele conquistou o seu primeiro tricampeonato: 1991, 1992 e 1993. Sob o comando do técnico Phil Jackson e ajudado pelos jovens Scottie Pippen e Horace Grant, Jordan liderou os Bulls nos títulos contra Los Angeles Lakers, Portland Trail Blazers e Phoenix Suns, sendo eleito MVP (jogador mais valioso) em 1991 e 1992 e melhor jogador das finais em todas as três temporadas.

 

Pouco depois de ser bicampeão da NBA, em 1992, Jordan, que já havia sido campeão olímpico em 1984, em Los Angeles, ainda como universitário, fez parte da equipe que ficou conhecida como "Dream Team", ao lado de jogadores como Magic Johnson, Larry Bird, Scott Pippen, Charles Barkley e Karl Malone, e levou o seu segundo ouro nos Jogos de Barcelona, na Espanha.

 

Em 1994, depois de perder o pai, no auge da carreira, Jordan anunciou que deixava o basquete para jogar beisebol. Jogou uma temporada em equipes de menor expressão, Birmingham Barons e Scottsdale Scorpions, antes de voltar para as quadras. Retornou na temporada 1994-95, utilizando o número 45 e não mais o imortalizado 23, mas acabou não chegando à final da Conferência Leste.

 

"Tenho medo que me vejam como um deus", disse à época. Nos três anos seguintes, quando retirou da aposentadoria o 23, Jordan, no entanto, não decepcionou. Com um nova safra de valores, como Ron Harper, Toni Kukoc e ainda ao lado de Scott Pippen, Jordan faturou mais três anéis de campeão da NBA: 1996, 1997 e 1998, sendo eleito MVP em dois deles.

 

Depois de colocar o Chicago Bulls ao lado dos tradicionais Boston Celtics e Los Angeles Lakers, franquias mais vitoriosas da NBA, Jordan anunciou sua segunda aposentadoria em 1999. No ano seguinte, virou executivo do Washington Wizards, fracassou. E em 2001 expressou interesse em voltar às quadras. "Volto como jogador do esporte que amo", anunciava. Jogou duas temporadas para os Wizards antes de se aposentar definitivamente em 2003.

 

Incomodado com o fracasso como dirigente, Jordan decidiu ter o seu próprio time e comprou uma parte de Charlotte Bobcats em 2006, ano também em que se divorciou de Juanita Jordan. O fim da união de 17 anos custou US$ 168 milhões (R$ 327 milhões) ao ex-jogador, o mais caro divórcio de uma celebridade da história. Em 2010, ele se tornou proprietário majoritário do Bobcats. O plano de ter uma franquia vitoriosa ainda não saiu do papel.

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