Morre o árbitro de basquete Righeto

O Brasil perdeu o maior árbitro de basquete de sua história: Renato Righeto, que tinha 80 anos e sofria do Mal de Alzheimer, morreu em Campinas. Ele apitou mais de 800 jogos internacionais nas décadas de 60 e 70, incluindo as Olimpíadas de Roma em 1962, Tóquio 1964, México 1968 e Munique 1972, além de vários Mundiais, Pan-Americanos e Sul-Americanos.Arquiteto de profissão, Righeto ficou mundialmente conhecido por uma decisão polêmica nas Olimpíadas de Munique, na Alemanha em 1972, na final entre União Soviética e Estados Unidos, adversários também no campo político, na Guerra Fria. Os soviéticos ganharam o jogo por 51 a 50, conquistando a medalha de ouro com um cesta no último segundo, quando o cronômetro estava zerado. Righeto validou o lance e tirou dos americanos a hegemonia do basquete olímpico mantida desde 1932, com 62 vitórias consecutivas e sete medalhas de ouro.O lance, porém, foi originado de outra forma. Faltavam três segundos para acabar o jogo quando os Estados Unidos venciam 50 a 49. Na reposição de bola, o técnico russo pediu tempo e foi atendido. Para o reinicio, segundo os árbitros, faltava apenas um segundo para terminar o jogo, tempo insuficiente para qualquer reação. A bola foi lançada ao ar e a vitória decretada aos americanos, que comemoravam o título quando apareceu na quadra o britânico Willian Jones, secretário geral da Federação Internacional de Basquete. Ele exigiu novo início de jogo com mais três segundos. Na saída de bola os soviéticos fizeram a cesta, deixando indignados os americanos, que se recusaram a receber a medalha de prata. O lugar no pódio ficou vazio e nunca os jogadores pegaram suas medalhas, cujo preço unitário era de US$ 28 e que estão depositadas até hoje num banco suíço.O Comitê Olímpico Internacional fez duas tentativas frustradas de entregar as medalhas, mas elas foram recusadas pelos vice-campeões olímpicos.Righeto sempre jurou não ter se arrependido de sua atitude em quadra. Assim foi até sua morte. Ele foi enterrado, no final da tarde desta segunda-feira, no Cemitério da Saudade, em Campinas. Seu caixão estava coberto pelas bandeiras do Brasil e da Ponte Preta, seu clube de coração.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.