Kevin C Cox/AP
Kevin C Cox/AP

NBA espera por 'temporada o mais próximo possível de uma normal'

Liga está embarcando em uma temporada com restrições, mas sem bolha: com direito a idas ao supermercado, mas nada de elevadores lotados e visitas à loja de presentes do hotel

Marc Stein, The New York Times

18 de dezembro de 2020 | 09h00

A primeira equipe a fixar residência na bolha da NBA em julho foi uma das primeiras a ganhar a estrada na semana passada. O Orlando Magic na tarde de quinta-feira embarcou em um voo com a equipe pela primeira vez desde março e fez uma curta viagem até Atlanta para dar início a uma temporada como nenhuma outra.

Após a chegada, o grupo com 47 passageiros de Orlando - incluindo dois profissionais que realizam testes para diagnóstico do novo coronavírus - foi dividido e conduzido para quatro ônibus separados para maximizar o distanciamento social. Os jogadores foram lembrados de evitar a loja de presentes do hotel e os elevadores lotados, além de serem instruídos a permanecer na propriedade do hotel, com direito apenas a idas ao supermercado Whole Foods Market na vizinhança.

“Não sei se vai ser assim durante toda a temporada”, disse Evan Fournier do Orlando em entrevista por telefone. “Ainda não sei o que realmente tenho permissão para fazer. Acho que é para isso que serve a pré-temporada.”

Os ensaios gerais, para uma liga que se ajusta às novas realidades, estão de fato em andamento. A terça-feira marcou o dia 5 para a programação de exibição rápida da NBA - com um relógio de contagem regressiva no canto esquerdo inferior da NBA TV, o canal oficial da liga, oferecendo lembretes repetidos de que a noite de abertura da próxima terça-feira para a temporada 2020-21 está se aproximando rapidamente.

Como Fournier observou, as equipes da NBA estão tentando tornar a vida nas estradas o mais restritiva possível, na esperança de manter seus grupos de viagem seguros mesmo com o coronavírus ainda crescendo em todo o país. É muito cedo para dizer que as medidas da liga estejam funcionando, já que os deslocamentos para todos da liga apenas começou, mas Fournier parecia esperançoso quando conversamos, dizendo que se sente seguro com os testes diários dos jogadores, combinados com as muitas práticas da antiga bolha que as equipes são capazes de repetir agora que estão viajando.

O ala francês brincou no sábado no Twitter, em sua língua nativa, que estava ficando doente depois de três dias no mesmo quarto de hotel em Atlanta, mas Fournier não deixou dúvidas em nosso bate-papo de que estava “super feliz” por estar de volta à quadra para duas partidas contra o Hawks.

“É muito melhor do que apenas estar na bolha, na minha opinião, porque podemos viajar e jogar em arenas de verdade”, disse Fournier.

É possível entender o sentimento. Todo mundo que joga e trabalha na liga sabe que a vila de acesso restrito erguida pela NBA no Walt Disney World perto de Orlando, Flórida, era de longe a maneira mais segura para conduzir os negócios e terminar a temporada 2019-20, mas ninguém queria fazer isso de novo devido ao preço da saúde mental cobrado por longas estadias atrás dos portões da Disney, isolado do mundo exterior.

Portanto, a NBA tentará fazer isso dessa forma, com quase 160 páginas de diretrizes de segurança para as equipes seguirem a fim de tentar impedir o novo coronavírus de se infiltrar em treinos e principalmente em arenas sem torcedores, mesmo com a crescente (e às vezes ridícula) ineficácia do futebol americano e basquete universitários no combate ao vírus sugerirem que grandes pausas estão à vista. A NFL, sem a bolha, também tem incontáveis problemas.

Um mês atrás, conforme o draft e o fim dos contratos se aproximavam, escrevi sobre como era estranho ver e ouvir tão pouca preocupação pública em relação aos desafios assustadores que a NBA enfrentaria neste inverno, quando especialistas médicos previam, com razão, um aumento alarmante dos casos de covid-19. Não mudou muito desde então - o futuro incerto de James Harden em Houston recebe muito mais cobertura da mídia do basquete do que as questões de saúde - mas eu entendo. O vírus é uma constante em nossas vidas há nove meses. Muitos estão cansados de se preocupar.

Era, portanto, muito tentador, desde a noite de sexta-feira, agir nesta direção no basquete quando a pré-temporada começou. Os períodos de treinamento chegaram um pouco mais tarde no calendário do que o normal, mas esta, afinal, é a época do ano feita para isso - para todas as equipes e seus torcedores sonharem antes dos jogos começarem de verdade.

John Wall e DeMarcus Cousins pareciam mais saudáveis e animados do que os Houston Rockets - que estão mergulhados no drama do descontente Harden - poderiam esperar. Stephen Curry, do Golden State, voltou de seu afastamento por lesão com uma nova artimanha que ele usou ao arremessar diante das arquibancadas vazias no Chase Center durante os aquecimentos antes do jogo e que pode ter superado todos os truques para lançamentos anteriores em uma carreira cheia deles. 

Kevin Durant e Kyrie Irving tiveram momentos majestosos juntos em sua estreia há muito adiada como companheiros do Brooklyn Nets. Talen Horton-Tucker, que completou 20 anos no dia 25 de novembro, parecia tão perigoso quanto os integrantes do Los Angeles Lakers espalharam por meses que ele seria quando tivesse a chance de jogar minutos reais. Zion Williamson também estava de volta ao seu melhor desempenho destruidor na noite de segunda-feira na apresentação de abertura com o New Orleans Pelicans.

O jogo de pré-temporada do Minnesota contra o Dallas, na quinta-feira, é o primeiro que terei a chance de assistir pessoalmente. Profissionais de imprensa não podem chegar perto da quadra ou dos dois times, como costumávamos fazer, mas não acho que poderei ficar em casa depois de ficar sabendo da descrição de Fournier da vitória do Magic sobre o Hawks (116-112) na State Farm Arena, no confronto de sexta-feira.

“Foi muito divertido, na verdade”, disse Fournier. “Eu realmente não prestei atenção aos lugares vazios. Talvez tenha sido apenas eu. Talvez seja porque eu estava muito feliz por estar lá.”/TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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