Benoit Tessier|Reuters
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NBA retoma temporada em sua 'bolha' de US$ 150 milhões

Todos os jogos restantes da fase regular e dos playoffs serão disputados em um enorme complexo da Disney, na Flórida

Imagem Marcius Azevedo

Marcius Azevedo , O Estado de S.Paulo

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Após quatro meses e 19 dias de paralisação por causa da pandemia do novo coronavírus, a temporada da NBA será retomada nesta quinta-feira na 'bolha' criada pela liga norte-americana para dar segurança aos jogadores. A operação teve um custo de aproximadamente US$ 150 milhões (R$ 771 milhões).

Todos os confrontos serão disputados no enorme complexo da Disney, o ESPN Wide World of Sports, com cerca de 90 hectares, o equivalente a 90 campos de futebol. São três ginásios à disposição (Arena, Field House e Athletic Center) para jogos sem torcida, sendo permitido no máximo seis partidas por dia, além de outros sete para treinos. Uma instalação médica também foi montada.

Os atletas estão hospedados em três dos 18 hotéis que ficam dentro do complexo. A escolha foi definida pela posição das equipes na classificação antes da paralisação. Melhores equipes das Conferências Leste e Oeste, Milwaukee Bucks, Los Angeles Lakers, Toronto Raptors, Los Angeles Clippers, Boston Celtics, Denver Nuggets, Utah Jazz e Miami Heat ficaram no Hotel Grand Destino Tower, inaugurado em 2019. As outras equipes estão no Grand Floridian Resort & Spa e no Yacht Club Resort.

Ao todo 22 equipes das 30 da NBA estão na Flórida para o fim da temporada regular. Serão mais oito jogos para cada franquia - o desempenho pré-paralisação se mantém. Os sete primeiros de cada conferência avançam diretamente aos playoffs. Se os times na 9ª posição no Leste e no Oeste estiverem a quatro vitórias do oitavo colocado em suas conferências, haverá uma repescagem pela última vaga no seguinte sistema: o oitavo precisa vencer um jogo e o novo, dois. No atual cenário, Brooklyn Nets, Orlando Magic e Washington Wizards brigam pelas  últimas duas vagas no Leste. Já no Oeste são sete na disputa, com vantagem para Dallas Mavericks e Memphis Grizzlies.  

Pelo calendário da NBA, os playoffs começam no dia 17 de agosto. As semifinais e finais de conferência se iniciam em 31 de agosto e 15 de setembro, respectivamente. A decisão está agendada para começar em 30 de setembro e, se for necessário disputar os sete jogos, o último confronto acontece em 13 de outubro.

Em quadra, os atletas terão de seguir diversas regras estabelecidas pelo protocolo de segurança, um documento de 113 páginas criado com participação da NBA, da  Associação de Jogadores (NBPA), da Disney, além das autoridades de saúde pública da Flórida.  

Não é permitido, entre tantos itens, lamber os dedos, cuspir, limpar o nariz, mexer no protetor bucal e usar o uniforme para secar a bola. Os jogadores podem se cumprimentar durante os jogos, mas apenas entre os companheiros. Está proibido o mesmo tipo de contato com os adversários.

O banco de reservas também foram adaptados. São duas fileiras próximas da quadra, onde vão ficar os jogadores e técnicos, sem necessidade de usar máscara. Na segunda, os atletas não relacionados e os outros membros da comissão, todos com proteção. Para minimizar o fato da ausência de torcida nos ginásios, a NBA colocou telões nas quadras para exibir imagens de torcedores, que estarão torcendo em suas casas.

Preparação

A preocupação da NBA começou muito antes do reinício efetivo da temporada. Ao chegar na 'bolha' no começo de julho, todos tiveram de passar por um período de quarentena sem sair dos quartos e pela testagem para covid-19. Na última atualização, a liga informou que foram realizados testes em 346 jogadores e nenhum teve resultado positivo. Antes disso, foram 25 casos de atletas com coronavírus, além de dez entre os profissionais dos estafes das equipes.

Até um disque-denúncia foi criado para que os atletas pudessem delatar alguém que não estivesse de acordo com O regulamento neste período de isolamento. O pivô Dwight Howard, do Los Angeles Lakers, foi um dos alvos ao andar sem máscara pelo complexo. E não ficou muito satisfeito.

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Na minha opinião, acho que não corremos risco de nos contaminarmos enquanto estivermos aqui. Estamos apenas na nossa área interna todos os dias, então acho inútil alguém me denunciar da forma de fez
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Dwight Howard, Pivô do Los Angels Lakers

"Na minha opinião, acho que não corremos risco de nos contaminarmos enquanto estivermos aqui. Estamos apenas na nossa área interna todos os dias, então acho inútil alguém me denunciar da forma de fez", afirmou Howard.

Jogador do Houston Rockets, o brasileiro Bruno Caboclo também teve de cumprir um período maior de isolamento por deixar o quarto sem autorização durante o período de quarentena. O seu companheiro de equipe, o armador Russell Westbrook foi um dos jogadores que testou positivo para covid-19, mas já está recuperado.  

As equipes puderam levar uma delegação de 35 pessoas. Além da infraestrutura para jogos e treinos, os jogadores têm à disposição shows, exibição de filmes, além de diversos serviços, como barbearia. O jogo de cartas está liberado, mas os baralhos são descartados imediatamente após sua utilização.

Quem avançar aos playoffs vai ganhar um plus. Os classificados vão poder reservar um quarto adicional no hotel para que os jogadores possam receber convidados, sempre respeitando o protocolo, com isolamento e testes para covid-19.

Onde assistir aos jogos da NBA

Na TV fechada, os canais ESPN e SporTV vão transmitir a maioria dos jogos. A Band, na TV aberta, também vai passar algumas partidas. Já pela internet, é possível assistir todos os jogos pela NBA League Pass, serviço de streaming pago. Os horários dos jogos são os mais variados. Em média, as partidas iniciam a partir das 14h30 e até às 22h há confrontos sendo iniciados.

Para Entender

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'Aqui estamos seguros. A preocupação é com quem está fora', diz Raulzinho

Armador admite que 'bolha' da NBA deixa jogadores confortáveis para voltar, mas é impossível esquecer o impacto da pandemia do coronavírus

Entrevista com

Raulzinho

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2020 | 08h00

Confortável para o reinício da temporada em relação ao novo coronavírus na 'bolha' da NBA, o armador Raulzinho Neto admitiu ao Estadão que é difícil não se preocupar com os familiares e amigos que estão do lado de fora.

O jogador do Philadelphia 76ers afirmou que busca informações das pessoas próximas todos os dias. "Aqui (na bolha) acho que estamos bem seguros. A preocupação é com quem está fora", admitiu o Raulzinho. "Eu converso muito com minha família para saber como estão."

Em quadra, o armador vê o Philadelphia com chances de brigar pelo título na retomada da temporada, apesar de o time não empolgar antes da paralisação. "Queremos disputar o título. Sabemos da nossa força, da qualidade e da capacidade do nosso grupo", afirmou.

Como imagina que será o retorno da NBA após este longo período de paralisação?

Difícil dizer qualquer coisa. Foram alguns meses parado, com um treinamento que nem de longe se parece com o ideal e num esporte como basquete, que exige condicionamento, precisão e que tem muito contato físico, a perda é muito grande. Eu ainda consegui me manter bem, consegui bater bola algumas vezes numa quadra, sozinho, e a cabeça estava sempre boa também. Fizemos alguns treinos, a equipe está voltando a ganhar corpo, todos estão muito motivado e focados. Aos poucos, vamos voltar ao nosso melhor ritmo.

Como tem sido viver na 'bolha' da NBA?

Não é fácil, por melhor que seja o hotel, ou melhor que seja a estrutura, porque estamos com uma rotina bem limitada. Não podemos ir a qualquer lugar, nem receber visita, a família não está aqui com a gente. Isso é a parte mais complicada. Estou ficando bastante tempo no quarto, temos a nossa programação de treinos, reuniões do time, mais parece uma concentração em época de seleção. Mas está sendo melhor do que eu esperava. Estamos mais próximos, a equipe está mais unida, estamos tendo um tempo juntos que nunca tivemos durante a temporada. Estou muito feliz de poder estar em quadra novamente, de voltar a jogar.

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Estamos num ambiente controlado, na 'bolha' que foi montada pela NBA, e o que vejo passa, sim, segurança
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Raulzinho, Armador do 76ers

O protocolo de segurança estabelecido pela NBA te deixou tranquilo para voltar?

Estamos num ambiente controlado, na 'bolha' que foi montada pela NBA, e o que vejo passa, sim, segurança. Saíram os resultados dos últimos testes, feitos em todos os atletas que estão aqui em Orlando, e ninguém testou positivo, um sinal de que as coisas estão sendo bem feitas e que podemos ficar um pouco mais tranquilos.

Como você vê os outros jogadores... Todos estão confiantes, sem nenhuma preocupação com o covid?

Não ficamos falando muito sobre isso. Claro, a situação ainda é muito grave, a pandemia ainda está muito forte pelo mundo, o coronavírus é poderoso e precisamos ter todos os cuidados. Aqui acho que estamos bem seguros, a preocupação é com quem está fora, com a família, amigos, com a população. Eu converso muito com minha família, todos os dias, para saber como estão e de como estão as coisas no Brasil.

O Philadelphia está preparado para o retorno?

Estamos nos preparando da melhor maneira. Estamos muito focados, crescendo nos treinos, melhorando o entrosamento, recuperando a melhor forma e espero que a gente consiga fazer bons jogos nessa fase final de preparação, para entrar bem nos Playoffs. Temos um grupo muito forte, que está saudável, que quer muito brigar pelo título e sabemos do potencial do nosso time.

Pessoalmente, como você avalia o seu momento para o retorno?

Estou me sentindo bem. Claro que ainda recuperando o melhor do condicionamento físico, mas bem. Ainda teremos alguns jogos de preparação, partidas ainda válidas pela fase de classificação, antes do início dos Playoffs, mas estou bem. Estamos confiantes em fazer uma boa competição, entrar forte nos Playoffs.

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A quadra vai ser neutra para todos. Vínhamos numa campanha muito boa como mandantes, mas esses três meses, três meses e pouco parados, fez com que tudo mudasse, o cenário do campeonato mudasse também.
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Raulzinho, Armador do 76ers

A equipe tem uma campanha espetacular em casa, com 29 vitórias e 2 derrotas, o quanto isso pode pesar por jogar em uma quadra neutra?

A quadra vai ser neutra para todos. Vínhamos numa campanha muito boa como mandantes, mas esses três meses, três meses e pouco parados, fez com que tudo mudasse, o cenário do campeonato mudasse também. Todo mundo queria poder jogar em casa, com sua torcida, mas não será possível. Vamos jogar sem eles, mas com a certeza de que vão estar nos apoiando, torcendo por nós, mesmo de longe, e vamos estar prontos para jogar o nosso melhor basquete.

Até onde o time pode chegar?

Queremos disputar o título. Essa é a vontade, o objetivo de todos aqui e, com certeza, não é diferente das outras equipes. Sabemos da nossa força, da qualidade e da capacidade do nosso grupo, e vamos pensar num passo de cada vez. A caminhada é longa, mas o nosso objetivo não poderia ser outro, se não o título.

 

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