Reprodução/AE
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O fenomenal armador dos Knicks, Jeremy Lin, deixou o anonimato e virou estrela em duas semanas

Está todo mundo assombrado com a façanha de Lin no basquete norte-americano, até o presidente Obama falou dele

Mateus Silva Alves, estadão.com.br

20 de fevereiro de 2012 | 15h56

SÃO PAULO - A temporada 2011/2012 da NBA parecia destinada a entrar para a história como aquela que quase foi cancelada por causa de um locaute. Agora não mais. No futuro, os historiadores da liga norte americana vão se lembrar dela como a temporada do furacão Jeremy Lin, o descendente de taiwaneses que em míseras duas semanas deixou de ser um completo desconhecido para se tornar uma das maiores atrações do campeonato.

Não por acaso, sua história tem sido comparada à de Cinderela. E ele ganhou o apelido de “Linderela”. A trajetória de Lin no basquete é incomum desde o começo, na Universidade Harvard, onde ele completou o curso de Economia.

Uma das melhores e mais respeitadas universidades do mundo, Harvard não tem tradição nos esportes, tanto que sequer participa da liga universitária.

Sua equipe disputa um torneio menor, em que enfrenta outras universidades de primeira linha no quesito qualidade de ensino (como Princeton e Yale), e foi lá que Lin, que joga como armador, começou a mostrar o seu potencial. Inscrito no draft de 2010, Lin foi ignorado pelos 30 times da liga. Ainda assim, mais tarde conseguiu um contrato com o Golden State Warriors, mas praticamente não jogou por lá. Milagrosamente, Lin obteve um contrato com o New York Knicks, mas nada de jogar.

Até que, duas semanas atrás, bateu o desespero no técnico Mike D’Antoni – por causa dos maus resultados e da falta de opções – e ele colocou o rapaz de 23 anos na quadra. E foi aí que a vida de Lin mudou.

INVICTO

Com ótimo visão de jogo, pontaria precisa e uma maturidade absurda para alguém que pouco jogou na NBA, Lin vem brilhando noite após noite.

Terça-feira passada, ele decidiu a partida contra o Toronto Raptors com uma cesta de três pontos a segundos do fim. Após um começo ruim no jogo, ele se recuperou e terminou com 27 pontos. Nos seis primeiros jogos que fez como titular dos Knicks (sem contar a daquela terça, contra o Sacramento Kings), ele atingiu médias de 26,8 pontos e 8,5 assistências por partida –ninguém na história recente da NBA conseguiu números tão bons em seus seis primeiros jogos como titular. E o time ganhou todos.

A combinação de uma trajetória incomum com um desempenho brilhante transformou Jeremy Lin no assunto do momento nos Estados Unidos. Até o presidente Barack Obama, um fã de basquete, tem se derretido em elogios ao armador. Jogadores, técnicos, jornalistas, torcedores... Todos estão boquiabertos com Lin.

A torcida dos Knicks está em êxtase. E até os times adversários estão faturando, porque têm aumentado os preços dos ingressos quando recebem a equipe de Nova York.

E há os chineses. Carentes de um ídolo na NBA desde que Yao Ming encerrou a carreira, eles “adotaram” Lin, apesar de seus pais terem nascido em Taiwan, república que alimenta o desejo de ser independente da China.

Agora que está famoso, Lin deu adeus ao sofá do apartamento de seu irmão e mudou-se para um lugar só seu. Esse foi apenas um dos obstáculos superados por ele, mas há outros pela frente. O mais urgente é provar que é mesmo um grande jogador, e não um sonho de algumas noites de verão – ou inverno, estação vigente nos Estados Unidos.

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