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Obrigado, NBA

Liga de basquete chega ao Brasil com a finalidade de instalar aqui unidades de aprendizado desse esporte

Ugo Giorgetti, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2019 | 04h00

A NBA – National Basketball Association –, a poderosa liga americana, está no Brasil. Não para divulgar a próxima temporada. A audiência desses jogos transmitidos pela televisão já está assegurada faz muito tempo. Ela chega agora ao Brasil com a finalidade de instalar aqui unidades de aprendizado desse esporte, segundo seus métodos. São verdadeiras escolas de ensinar basquete para crianças e adolescentes. Há um representante da NBA no Brasil e é dele que emana todo esse ambicioso programa. Ambicioso como todas as atividades organizadas pelos Estados Unidos.

Nem bem se instalou e já está em várias localidades do Brasil, funcionando plenamente. São unidades autônomas dentro de escolas, clubes ou associações já criadas, ou que venham a ser, para a finalidade. Serão transmitidos todos os fundamentos do jogo à americana. A maneira correta de jogar e mesmo de apreciar o jogo estarão à disposição de quem quiser. 

Pelas primeiras aferições do interesse nos programas, essa iniciativa já é um sucesso. Fico muito feliz da intervenção americana no basquete brasileiro. Aqui no Brasil, o único jeito de fazer com que algo desperte interesse é quando vem de fora, consagrado nos grandes países que admiramos copiamos, aplaudimos irrestritamente, e ambicionamos ser.

Na verdade esses países são quase todos. A admiração pelo estrangeiro vem, em geral, menos de um genuíno conhecimento de suas qualidades e seus feitos – que, aliás, via de regra ignoramos –, e mais de uma convicção arraigada de nossa própria inferioridade. Quando ganhamos dos de fora é que alguma coisa está errada conosco. No futebol foi um pouco assim.

Voltando ao basquete, acredito piamente que a vinda da NBA vai restaurar o antigo interesse que tínhamos por esse jogo, certamente suplantá-lo. Dentro de poucos anos, conduzidos e ensinados pelos americanos, teremos talvez muita gente jogando, campeonatos poderosos e equipes de novo respeitáveis no âmbito internacional. 

Me alegro muito porque amo o basquete, fui jogador, e também admiro a NBA. É claro que sobra um traço de melancolia pelo nosso destino de jamais nos erguermos pelas próprias forças e sempre precisar de algo exterior que nos mostre o caminho certo. Muita gente vai acreditar que a NBA chega ao Brasil para nos mostrar um novo jogo, algo com que jamais tivemos contato antes. 

A verdade é que já fomos duas vezes campeões do mundo de basquete, mas quem lembra disso? Vários dos nossos antigos campeões ainda estão por aí, mas quem lembra disso? Fizemos Olimpíadas memoráveis com medalhas e tudo, mas quem lembra disso? 

Neste preciso momento estamos disputando bravamente um Mundial de basquete na China com um time muito bom, jogando um basquete que faz tempo eu não via, ganhando de adversários perigosos como a Grécia, onde, aliás, atua o jogador mais valorizado e mais badalado da ultima temporada da NBA. Temos no time atual do Brasil vários jogadores que estão ou estiveram na NBA com sucesso. Há até campeões da Liga como o Leandrinho, no Golden State Warriors.

Devemos ter em mente, portanto, que a NBA está entre nós há muito tempo, e sempre esteve. Ela foi trazida para cá pelos nossos próprios jogadores que para lá foram. Ao voltar depois de anos na Liga caíram num certo descrédito porque jogam no Brasil e se vê sinais disso na atitude de um Leandrinho ou do Varejão, veteranos jogando com garra e força que pareciam perdidas. 

Esse time que disputa o Mundial merecia mais interesse do público e da mídia. Saiu desacreditado e ainda mostra sinais disso até entre a torcida chinesa. O antigo ídolo Oscar, flagrado pela câmera sozinho, solitário, num canto deserto do ginásio assistindo à partida, ilustra o que se pensava do basquete brasileiro. Talvez já tenham mudado de opinião. O resto, daqui pra frente, será com a NBA.

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