Oscar a três pontos do recorde mundial

Três pontos separam o ?mão santa? Oscar Schmidt, um ala de 2,04 metros e 107 quilos, da consagração. Aos 44 anos, entra na quadra do Maracanãzinho, no sábado, em um Fla-Flu, para bater o recorde mundial de pontos no basquete, marca que pertence ao lendário Kareen Abdul-Jabbar, um pivô que deixou a NBA, em 1989, com a incrível soma de 46.725 pontos. O recorde já poderia ter sido quebrado, na quarta-feira, quando o Flamengo enfrentou o Comary, e venceu, por 129 a 83, com 31 pontos de Oscar. Com isso, o cestinha chegou aos 46.723 pontos, em 1.520 partidas e uma impressionante média de 30,70 por jogo.Mas tudo já estava tudo combinado. O ala iria mesmo para o banco quando chegasse perto do recorde. A festa será diante da torcida, em um clássico, com televisão. Flamengo e Fluminense jogam às 17 horas com transmissão da ESPN/Brasil.A história de Oscar começa na infância, em Natal, quando passava o dia no clube; continua no primeiro time, o Unidade Vizinhança de Brasília, quando, aos 13 anos, dormia com a bola, literalmente... Segue no Palmeiras, Sírio, na Europa, de volta ao Brasil, em 1995, Corinthians... Convite, recusado, para jogar na NBA, por causa da profissionalização, que proibia a presença na seleção. Recordes e mais recordes, o de maior cestinha olímpico, com 55 pontos, em Seul, em 1988.E agora, o maior de todos. Oscar fala sobre o feito, uma frase emendada na outra, sobre como colocou tantas bolas na cesta, de "chuá", sem tocar no aro, com tanto sentido de direção, medida de ângulo e força."Me sinto orgulhoso por estar jogando basquete há 25 anos, sem parar, e sempre no alto nível. É ano prá burro! Não é demais uma coisa dessas? Sempre fiz isso como protagonista, titular. Quem consegue jogar 25 anos? Sabe o que são esses números? Valem por serem a soma desses incríveis 25 anos", afirmou Oscar, que joga a última temporada da carreira, no Flamengo.Com o filho - A possibilidade do recorde surgiu só há alguns anos, quando chegava cada vez mais perto. "Eu não imaginava que um dia isso fosse ocorrer, com quase 44 anos!" Agora, a aposentadoria virá, mas após o Campeonato Nacional e depois de jogar uma partida oficial ao lado do filho Felipe. O garoto, de 15 anos, estuda e joga basquete em Saint Petersburg, Estados Unidos.Moral - O pivô Kareen Abdul-Jabbar, hoje com 54 anos, foi uma lenda na NBA. Veio da Ucla, uma universidade da Califórnia, e, a partir de 1969, passou 20 anos na NBA, primeiro no Milwaukee Bucks, onde foi campeão uma vez (1970/71) e depois no Los Angeles Lakers, ao lado de Magic Johnson, onde conquistou o pentacampeonato (1980, 82, 85, 87 e 88). O pivô, de 2,18 metros e 120 quilos, teve 18 participações no All Star Game, disputou 1.560 partidas, 57.446 minutos em quadra.O basquete norte-americano é rico em estatísticas, o oposto do Brasil, especialmente no passado. "Se o Kareen jogasse aqui não saberia que era o recordista. Alguém sabe os pontos do Sabonis, do Kukoc, e de outros grandes jogadores?" Oscar teve de recuperar os seus pontos, do Sírio e Palmeiras, onde atuou no início da carreira. O jornalista Odir Cunha, que ajudou na tarefa, disse que não haviam súmulas e o jeito foi "chutar para baixo", considerando o número de jogos nos campeonatos e a média do cestinha. Daí para frente, desde que foi para a Itália, os números são oficiais.Oscar não se importa com aqueles que questionam os números. E disse que as estatísticas apenas são um reconhecimento a um obstinado por basquete. "Ofereço esse recorde a torcida, de um brasileiro, como eu, que, durante 25 anos, fez o seu trabalho com muita obstinação."

Agencia Estado,

25 de outubro de 2001 | 19h55

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