Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Palmeiras tenta retomar sua tradição no basquete

Com técnico espanhol, reforços e muita motivação, Alviverde busca seu lugar na modalidade

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2012 | 15h18

SÃO PAULO - O pivô que foram buscar em Brasília, a pedido de Edson Bispo, logo descobriu como era o jeito italianado de fazer basquete do Palmeiras. Chegou a São Paulo pela manhã, disputou a final do Torneio Preparação Juvenil à tarde e foi campeão. Como de praxe, a comemoração foi numa pizzaria. Depois de engolir algumas fatias, o reforço de 16 anos começou a dar pulinhos no chão. "É para assentar melhor e abrir espaço para mais pizza", comentou o adolescente, que alguns anos depois seria internado no hospital, devido a uma overdose de bombons Sonho de Valsa.

O ano era 74 e o pivô, Oscar Schmidt, que, com o passar dos anos, assumiu a posição de ala. O clube da Rua Turiaçu foi a porta de entrada do cestinha no principal cenário do basquete brasileiro.

Mas os méritos do basquete palmeirense não param por aí. O clube é um dos que fundaram a Federação Paulista, em 1924. O departamento palmeirense de basquete, o segundo a ser montado no clube, fora criado um ano antes. Desde então, conquistou 12 títulos paulistas e a Taça Brasil de 77. Passaram por lá Rosa Branca,  Ubiratan, Carioquinha e Marcel, entre outros. Leandrinho, hoje no Boston Celtics, foi lançado num time adulto pelo técnico Padola, no Palmeiras.

Porém, por não querer viver só de história, o Palmeiras, que nunca abandonou as divisões de base, remontou um time adulto em 2010. Depois de passar pela A-2 do Paulista e pela Copa Brasil, prepara-se para disputar o principal campeonato do país, o NBB, que começa no próximo dia 23.

As pretensões, por ora, são modestas. Uma vaga nos play-offs já terá sabor de conquista. O investimento não é pequeno. No time de cima, gasta-se R$ 1 milhão por ano. Mas em comparação com potências como Flamengo e Brasília, que investem o quádruplo desse valor, os números empalidecem.

Como o grau de competitividade do NBB se acirra a cada temporada, a direção decidiu investir na contratação de um treinador de maior gabarito. Trata-se do espanhol Arturo Alvarez. Aos 36 anos, ele tem no currículo um trabalho elogiado no comando da seleção paraguaia, que voltou a disputar um Pré-Olímpico depois de décadas de ausência. No Sul-Americano de junho, na Argentina, o Paraguai perdeu por apenas quatro pontos para a Seleção B do Brasil - uma façanha num país sem tradição alguma no esporte.

Alvarez comandou o Barreirense, de Portugal, por uma temporada, o que o ajudou a se familiarizar um pouco mais com o idioma. Depois perambulou pelo Los Lobos, de Cantabria - onde já jogou Marcelinho Machado - e pelo Alicante, entre outros.

Para transmitir ao torcedor palmeirense uma noção do modelo que o inspira, ele cita um nome conhecido - Rubén Magnano. "Gosto do jeito como ele cuida de todos os aspectos do time - preparação, descanso, alimentação, ginásio".

No Palmeiras não há nenhum craque badalado. Alvarez usa outras palavras para deixar claro que, para atingir os objetivos mais imediatos, não tão ambiciosos, o fundamental é mesmo o trabalho. "O importante é o método, a filosofia. E, na quadra, vamos defender nossas cores até a morte". Em espanhol, essas palavras soam como se fizessem parte de um filme sobre a Revolução Mexicana ou sobre a Guerra Civil Espanhola.

Menos grandiloquente, o pivô Tiagão, que passou pelo Palmeiras quando era infanto, cadete e juvenil, fala sobre a importância da missão de quem vai vestir a camisa verde. "O Palmeiras não pode passar vergonha. Não pode entrar para levar paulada de jeito nenhum, em nenhum campeonato, cara".

E, dependendo do resultado, tudo pode acabar com uma comemoração com pizza.    

 

     

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