Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE
Nell Redmond-USA TODAY Sports
Nell Redmond-USA TODAY Sports

Para Jrue Holiday, do Milwaukee Bucks, um jogo só é bom quando sua mulher diz que foi

Às vésperas dos playoffs, jogador da NBA tem alguém em casa que entende de competição: Lauren, que enfrentou grandes expectativas na seleção americana de futebol

Marc Stein, The New York Times

21 de maio de 2021 | 20h00

Foi só em maio, quando o Milwaukee Bucks começaram a ter vitórias consecutivas contra o Brooklyn Nets, que a franquia anunciou em voz alta que ainda era um candidato ao título da NBA. Jrue Holiday marcou 14 pontos no primeiro quarto da segunda vitória e, satisfeito no vestiário, um dos principais jogadores defensivos da liga baixou a guarda.

Enquanto ele checava se havia novas mensagens em seu celular após o jogo, deu de cara com uma de sua mulher, Lauren. Ali estavam palavras que fariam qualquer parceiro ficar de orelha em pé: “Precisamos conversar”.

“Você poderia ter feito mais”, Lauren Holiday escreveu.

Depois de seu primeiro quarto produtivo, Jrue Holiday marcou apenas um ponto em quase seis minutos no segundo quarto. Lauren Holiday, que ganhou duas medalhas de ouro olímpicas e a Copa do Mundo de 2015 como meio-campista da seleção feminina de futebol dos Estados Unidos, não considerou a vitória contra os Nets ou o jogo de seu marido como um desempenho exemplar. Ela disse que "sentiu como se ele tivesse tirado aquele tempo para descansar".

“Não é que eu ache que ele se saiu mal”, disse Lauren Holiday. “Eu só queria saber o que ele estava pensando - apenas para me ajudar a entender. A princípio, ele disse: ‘Aceitei o que a defesa ditou’, e eu disse: ‘Não, não concordo’. Essas são as conversas que ele tem apenas porque eu também sou uma atleta.”

Os Holidays têm essa troca de experiências desde que eram atletas na UCLA, e ficaram ainda mais próximos depois que os médicos descobriram que ela tinha um tumor no cérebro em junho de 2016, quando estava grávida de seis meses da filha, Jrue Tyler. Eles têm dois filhos agora e mantêm um profundo interesse pelos esportes um do outro. Eles também supervisionam um fundo social de sete dígitos que apoia organizações sem fins lucrativos lideradas por negros e negócios de propriedade de negros, depois de decidir no ano passado que eles poderiam fazer mais como um casal também.

Eles se mudaram de Nova Orleans para Milwaukee em novembro. Os Bucks viam Jrue Holiday como o tipo de acréscimo cuja chegada iria persuadir Giannis Antetokounmpo a se comprometer a longo prazo com a franquia de mercado pequeno, então os Bucks entregaram os armadores veteranos George Hill e Eric Bledsoe, três futuras escolhas de primeira rodada dos drafts e os direitos de trocar mais duas escolhas de primeira rodada para obtê-lo como parte de uma negociação entre quatro equipes.

Depois de uma espera nervosa para os fãs dos Bucks, Antetokounmpo assinou uma extensão de contrato de cinco anos e com o valor de US$ 228 milhões, a chamada supermax, 21 dias após a negociação, apenas para Holiday descobrir rapidamente que os negócios eram apenas uma parte do fardo.

Os Bucks não ganham um campeonato desde a temporada de 1970-71. Antetokounmpo carrega o peso das expectativas mais do que qualquer pessoa na cidade, depois de ganhar dois prêmios consecutivos de Jogador Mais Valioso e o Prêmio de Jogador Defensivo do Ano da última temporada, mas Holiday é o próximo da fila. Ele foi anunciado como a peça que faltava aos Bucks que, apesar de apenas uma aparição no All-Star e 31 jogos de playoff em seu currículo de 11 anos completados nesta temporada, levaria a equipe a um novo patamar. E essa conversa começou meses antes de ele assinar uma extensão de contrato de quatro anos em abril no valor de pelo menos US$ 134 milhões.

“É algo com o qual você não se acostuma, mas precisa aceitar se quiser estar neste ramo de trabalho”, disse Holiday.

Lauren Holiday concordou. Ela jogou em quatro competições importantes durante sua experiência de oito anos com a seleção americana, ajudando os Estados Unidos a vencer três delas. Embora a final da Copa do Mundo de 2011 tenha escapado devido aos pênaltis contra o Japão, ela disse que só imaginava passar um curto período ali.

“A NBA é como um mundo diferente”, disse ela. “Eles tentam administrar seus corpos. Essa parte do basquete, como eles descansam, tudo isso é estranho para mim. Eu estou 110% o tempo todo. Isso é tudo que eu sei. Isso foi instilado em nós na seleção americana: ‘Vocês são vencedoras. Nós ganhamos. Não perdemos.’”

A experiência de Lauren Holiday em lidar com expectativas elevadas a torna uma opinião confiável e útil para seu marido, enquanto ele se encaminha para uma pós-temporada em que os Bucks podem ser imediatamente testados com temores antigos, graças a um possível confronto na primeira rodada contra o Miami Heat. O Milwaukee foi dominado pelo Miami em cinco jogos no ano passado em uma série de segunda rodada na bolha da NBA no Walt Disney World, caindo cedo depois de alcançar o melhor registro da temporada regular da liga pelo segundo ano consecutivo.

Lauren também foi a principal fonte de aconselhamento quando Jrue, ainda em Nova Orleans, considerou fortemente deixar de participar do retorno das partidas da NBA. O JLH Fund, o fundo de impacto social criado pelo casal, foi inspirado pela sugestão dela de que ele encerrasse a temporada nos Pelicans e doasse o restante de seu salário de 2019-20 (US$ 5,3 milhões) para ajudar as comunidades negras devastadas pela pandemia e um verão de manifestações após o assassinato em maio de 2020 de George Floyd em Minneapolis.

A nova temporada, em uma nova cidade, previsivelmente trouxe novos desafios. Hendrix, o filho dos Holidays, tinha cinco semanas quando a mudança para o Milwaukee foi concluída. Eles escolheram uma casa, disse Lauren Holiday, em grande parte percorrendo as "fotos no site da Zillow". Foi a primeira casa em que Jrue viveu com um porão - que provou ser extremamente útil quando ele teve covid-19 em fevereiro e deixou de participar de dez jogos.

Ele disse que ficou no porão por quase duas semanas de "isolamento dentro de casa". O contato com as crianças era, no máximo, por ligações pelo FaceTime e pelos retratos que J.T., 4 anos, como seus pais a chamam, desenhava para o pai e deixava no topo da escada do porão. “Pelo menos eu conseguia escutar meus filhos”, disse Jrue Holiday.

Ele disse que teve “todos os sintomas - calafrios, febre, dor de cabeça, dores no corpo e perdi o paladar e o cheiro”. Ainda assim, Jrue, que completa 31 anos no mês que vem, recuperou-se e teve o melhor desempenho em uma temporada de sua carreira. Ele estava lançando em 50,3% de seu tempo em quadra e 39,2% na linha de 3 pontos, o maior percentual de sua carreira, chegando na final da temporada de domingo contra o Chicago, ao mesmo tempo em que aumentava sua reputação como um dos melhores jogadores de ataque e defesa do esporte. Veteranos respeitados como Damian Lillard do Portland e Andre Iguodala do Miami o elegeram como o melhor armador da NBA. Sua força, antecipação e agressividade permitem que ele defenda quatro posições no chão, apesar de ter apenas 1,80 metro.

O julgamento externo dependerá naturalmente de quanto Holiday pode ajudar os Bucks nos playoffs. Depois de dominar as últimas duas temporadas regulares e depois ter eliminações humilhantes nos playoffs nas partidas contra o Toronto, em 2019, e o Miami, no ano passado, o técnico dos Bucks, Mike Budenholzer, atendeu aos apelos para experimentar ofensivamente (mais triagem) e defensivamente (mais trocas). O objetivo era aumentar a versatilidade, em apoio a um grupo de atletas muito importante depois de contar por anos com maior intensidade com Antetokounmpo, mas a experimentação teve um custo.

O caminho dos Bucks, se eles terminarem como nº 3 nos confrontos, para conseguir chegar às finais da NBA pela primeira vez desde 1974, pode exigir que eles eliminem o Miami, o Nets e a primeira divisão Filadélfia um após o outro. A presença de Holiday teoricamente alivia a pressão sobre Antetokounmpo e o ala-armador Khris Middleton, mas os ativos comerciais e o contrato que ele impôs exigem que Holiday participe do All-Star - quer ele tenha ou não recuperado formalmente o status de All-Star que conquistou em 2012-13 com a Filadélfia.

Um destemido Holiday insistiu que estava "pronto para ir" e que desejava que os playoffs "já estivessem aqui". Receber críticas pós-jogo mais incisivas de Lauren, ele acrescentou, está incluído nessa prontidão. “Ela é literalmente a atleta e a vencedora em nossa família”, disse Jrue Holiday. “Receber esse retorno significa muito para mim. É real e ela me apoia de verdade." / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.