Seth Wenig/AP
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Parceria com James Borrego faz de Kemba Walker um astro na NBA

Treinador fez o rendimento do armador de 28 anos subir na atual temporada da NBA

The New York Times, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2018 | 04h30

A parceria entre Kemba Walker e James Borrego começou durante o jantar em Charlotte, na Carolina do Norte, pouco depois de Borrego ter começado o trabalho de treinador do Charlotte Hornets no início deste ano e quando Walker, o armador de 28 anos, entrou na temporada final do seu contrato na NBA.

“Nós nos encontramos pela primeira vez e apenas sentamos e conversamos sobre a vida, sobre basquete”, disse Borrego. “Começamos com a vida, no entanto. Eu só queria conhecê-lo. Realmente queria fazer parceria com ele”, continuou o treinador, “para me envolver com ele, e ver o que estava sentindo, o que experimentou nos últimos dois anos, porque eu podia perceber que ele estava desapontado com algo”.

Essa decepção pode ser atribuída diretamente à única estatística com a qual Walker parece se preocupar, ou seja, se sua equipe vence ou perde. Depois de levar o Connecticut a um campeonato nacional universitário em 2011, Walker foi selecionado pelos Hornets com a nona escolha da primeira rodada do draft da NBA de 2011. No entanto, mesmo quando Walker floresceu como um jogador de elite, os Hornets tinham apenas duas temporadas vencedoras em suas sete primeiras com o time, e ainda faltava vencer uma série de playoffs desde a sua chegada ao clube.

O fato de os Hornets ainda não terem construído um elenco forte em torno de Walker levou, naturalmente, a rumores consistentes de que a equipe poderia negociá-lo. Mas o proprietário de Charlotte, Michael Jordan, que se vê em Walker, o tornou praticamente intocável, fazendo este último ano do contrato atual do atleta – quatro anos, US$ 48 milhões – um empreendimento cooperativo entre jogador e técnico para determinar se cada um é um futuro adequado para o outro.

A colaboração levou o jogo de Walker a outro nível, colocando-o entre as maiores estrelas da NBA à medida que a temporada de 2018-19 progride. Até 3 de dezembro, Walker, que já foi duas vezes um All-Star, está registrando os melhores números de sua carreira em praticamente em todos os fundamentos – mesmo em áreas das quais tipicamente não se fala, tal como rebote e defender o bloqueio ofensivo (pick-and-roll).

De sua parte, Walker está levando tudo em consideração, particularmente quando a palavra superstar é colocada ao lado de seu nome. “Não tenho certeza. Superstar... Quero dizer, quando penso em superstar, penso em LeBron James, Kevin Durant e Stephen Curry, nomes como esses. Eu não sei se posso me colocar nessa categoria.”

Mas seu desempenho fez exatamente isso. Walker está em terceiro lugar na NBA no mais/menos ofensivo, uma estatística importante para medir o valor total do jogo ofensivo de um jogador. Lebron está em quarto nesse ranking, enquanto Durant é o quinto. Walker também está tentando mais cestas de três pontos do que nunca, enquanto ainda vem tendo seu melhor desempenho no quesito (36,2%). Ele aumentou sua eficiência de dentro do arco também, e agora tem o melhor percentual de sua carreira: 51%.

E talvez o que melhor defina uma estrela, ele está tendo performances como os 60 pontos contra o Philadelphia no dia 17 de novembro (os Sixers deixaram claro após o jogo que eles simplesmente não tinham como segurar Walker), e tornando seus companheiros de equipe cada vez melhores também. 

SOLIDÁRIO

Ter a bola em suas mãos não impede os companheiros de aparecerem. Oito jogadores do Hornets têm porcentagem de pelo menos dez assistências, refletindo uma equipe que faz o passe certo com a frequência de qualquer um, particularmente levando em conta o baixo índice de turnovers (erros) do Charlotte na liga. 

“Ele está apenas atraindo tanta atenção para si mesmo que muitas equipes estão tentando dobrar a marcação em cima dele", disse Cody Zeller, o pivô dos Hornets e antigo companheiro de equipe de Walker. A média de assistências de Zeller foi de 7,4 na última temporada, mas subiu para 12 este ano. “Então, Kemba é muito altruísta. Ele tem bom senso para fazer jogadas. Muitas vezes ele assume um time duplo, faz um passe para mim e então cabe a mim criar a próxima oportunidade.”

Para Walker, não houve grandes mudanças em sua dieta, nenhum regime de treino secreto. Mas ele aceitou o pedido de Borrego para tomar decisões mais rápidas - algo além dos números brutos, mas que levou a uma equipe que dribla menos e faz mais passes. Então, enquanto os Hornets caíram do oitavo lugar no campeonato no ano passado, para 12º nesta temporada, sua eficiência ofensiva saltou do 13º para o 7º lugar, o que significa que eles estão fazendo valer cada uma delas.

Mesmo no lado defensivo, o Walker de menor tamanho encontrou outro nível. Ele melhorou na defesa do pick and roll, esforçando-se para se tornar mais resistente em uma área na qual ele era suscetível. Walker agora está entre os melhores defensores da liga em tais jogadas.

"É o esforço de Kemba", disse Borrego. “Nós ajustamos nossa defesa a partir de como eles jogaram no passado. É um esforço de equipe, mas dou a Kemba um bocado de crédito. Seu esforço através do bloqueio ofensivo é tão bom quanto qualquer um. Ele está marcando os melhores armadores a cada noite, e ele está competindo em todos os cantos da quadra.”

Walker está até pegando rebotes defensivos com a melhor taxa desde seu ano de estreia, e eles também são rebotes vitais. Em uma vitória recente sobre o Milwaukee Bucks, foi Walker quem conseguiu dois rebotes no último minuto, que acabou com as posses de Milwaukee e selou a vitória.

"É apenas o competidor que existe nele”, disse Zeller, e acrescentou: “No final do jogo, temos confiança de que ele vai fazer grandes jogadas - não apenas a cesta decisiva, mas conseguir uma roubada de bola ou um grande rebote. Ele vai fazer o que for preciso”.

Tradução de Claudia Bozzo

 

 

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