'Participar deste momento é um sonho', diz Raulzinho

Armador do Utah Jazz estará em quadra atrás de vaga nos playoffs 

Marcius Azevedo, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 07h00

O Brasil terá dois representantes na despedida de Kobe Bryant. Além de Marcelinho Huertas, companheiro do astro no Los Angeles Lakers, Raulzinho Neto entra em quadra para tentar levar o Utah Jazz aos playoffs. Apesar de objetivos diferentes no jogo, o armador está ansioso para participar de uma partida histórica no Staples Center. 

 

Como foi enfrentar o Kobe pela primeira vez?

Meu primeiro jogo contra o Kobe Bryant foi pela seleção brasileira, se eu não me engano, antes das Olimpíadas de 2012. Foi bem diferente para mim porque eu não estava na NBA ainda, então não estava acostumado a jogar contra esses caras a cada dia. Pra mim foi uma coisa muito nova que até atrapalhou um pouco na hora do jogo. Eu ficava olhando pro banco deles. Até quando ele estava na quadra, em uma transição defensiva, eu caí marcando ele, então foi uma coisa bem diferente, mas acho que foi uma experiência ótima, que me ajudou a chegar onde eu estou, a me acostumar com esse mundo desses grandes jogadores, mas foi uma emoção muito grande e foi uma experiência muito legal.

Como será estar em quadra em um jogo histórico?

Acho que vai ser um jogo de dois times completamente diferentes em questão de objetivos. O nosso time vai estar ali, brigando pela última vaga nos playoffs e os Lakers vão estar em "comemoração" pelo último jogo do Kobe Bryant. Lógico que ele vai querer mostrar serviço, vai querer deixar uma imagem boa no último jogo, então, independentemente deles não terem mais chances de playoffs, eles estão fazendo uma temporada abaixo do esperado, mas acho que vai ser um jogo muito difícil. Pela situação, acho que o time vai querer mostrar serviço, vai querer terminar a carreira do Kobe Bryant com uma vitória, então vai ser um jogo bem competitivo. Em questão ao individual dele, vai ser um jogo importante, um jogo que vai ter visibilidade mundial, acho que o mundo inteiro do basquete vai parar para assistir esse jogo. E eu poder participar do jogo, jogando contra ele, estar dentro de quadra. Sem ter a visibilidade, sem ter o protagonismo que ele e o time dele vão ter, mas já é uma experiência e um sonho. Desde pequeno eu assisto ele a jogar, tinha pôster no meu quarto, caderno, assistia vídeos, assistia pela televisão e agora poder estar aqui, dividindo quadra com ele, jogando o último jogo da vida dele na NBA. Então acho que a experiência e uma oportunidade única que eu vou aproveitar ao máximo. Isso me deixa muito feliz e com muito orgulho, de onde eu cheguei e de poder estar jogando esse último jogo do Kobe Bryant contra ele.

O que espera do jogo?

Será bem disputado. Acho que cada time tem um objetivo final, mas, a gente lutando pelo playoff. O Kobe tentando deixar uma boa imagem no seu último jogo. O Lakers também quer terminar a carreira do Kobe com uma vitória, então vai ser um jogo bem disputado e uma experiência ótima. Poder participar desse jogo, acho que vai ser uma festa, um jogo que vai parar o mundo do basquete. Todos que acompanham basquete vão querer assistir o jogo, vão querer ver esse último jogo do Kobe Bryant, então vai ser uma oportunidade única e vai ser bem legal participar desse jogo.

Como foi participar do evento que marcou o último All-Star Game do Kobe?

Participar de um evento como o All Star Game já é uma oportunidade única e um sonho que eu realizei. Ainda mais sendo o ano que o Kobe vai se aposentar, participar do último All Star dele. No dia do jogo dele, eu estava na arquibancada assistindo, mas poder estar lá acompanhando esse final de semana foi muito bom.

Para você, qual o maior legado de Kobe?

Bom, o Kobe deixou muitas coisas para o basquete. a quantidade de jovens que se espelharam nele, acho que ele é um grande exemplo pro basquete pela competitividade dele, por ser um cara que treina, um cara que trabalha duro. Você nunca viu ele com grandes lesões até esses últimos anos. Jogador sempre tem uma dorzinha aqui e ali, muitos às vezes descansam, ou então se deixam levar pela dor e acabam não jogando um jogo ou outro. Mas ele sempre mostrou muito compromisso e ganhou títulos. Foi um cara competitivo, um líder e ele deixa pro basquete não só o exemplo não só pelo jogador que ele é, mas ele também demonstra ser uma ótima pessoa fora da quadra.

Em qual posição você coloca o Kobe entre os maiores jogadores da história?

Bom, eu não acompanhei basquete muito das antigas, mas acho que eu colocaria ele depois do Michael Jordan. Lógico que tem outros grande jogadores mais antigos como Karl Malone, John Stockton, Magic Johnson, mas como eu não acompanhei, não assisti os jogos desses jogadores, então acho que colocaria o Kobe como o segundo melhor jogado da história.

Você teve oportunidade de conversar com o Kobe em particular?

Acho que o único momento que eu troquei algumas palavras com ele, foi antes do último jogo nosso aqui em casa. Normalmente o capitão de cada time junta ali no meio com os juízes, com um fã, para tirar uma foto. E como o Gordon Hayward não estava no aquecimento, o pessoal me mandou porque eu sou novato e ninguém quer fazer isso. Então eu fui, cumprimentei o Kobe, trocamos algumas palavras bem rápido, 'como você está', 'tudo bem', 'bom jogo', só isso. Foi a única coisa que eu conversei com ele.

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