Newton Nogueira/Divulgação
Newton Nogueira/Divulgação

Paulão recupera a confiança em Franca e volta a sonhar com a NBA

Draftado pelo Minnesota Timberwolves em 2010, Paulão sofreu com uma série de lesões

Alessandro Lucchetti - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2014 | 17h02

FORTALEZA - Draftado pelo Minnesota Timberwolves (em segunda rodada), melhor jogador do Mundial juvenil de 2007, cinco temporadas de experiência no basquete espanhol, convocado para a seleção brasileira. Tudo isso está no currículo de Paulão Prestes. Mas mesmo assim o pivô, que foi selecionado para o Jogo das Estrelas do NBB, é muito sincero quando perguntado: tem muito a melhorar.

Um dos motivos é o pouco tempo de rodagem em quadra. Paulão começou a jogar com apenas 14 anos de idade, em sua cidade, Monte Aprazível - hoje tem 26. "Eu tinha 150kg e um cabelo gigante. Fui fazer uma peneira de futebol e nem relei na bola. O meu professor de Educação Física então me sugeriu que eu fosse jogar basquete. Na primeira jogada levei uma cotovelada na boca e pensei em desistir. Mas depois achei o jogo tão fantástico que acabei me apaixonando".

As boas apresentações por Garça, que foi vice-campeão paulista infanto-juvenil em 2002, chamaram a atenção de Márcio Juzzo, que trabalhava nas categorias de base do Ribeirão Preto/COC. Embora cru, a altura (hoje tem 2,10m) e a vontade renderam pontos na avaliação de Lula Ferreira, técnico do COC na época. "O Juzzo me incentivava muito. Eu treinava no cadete, no juvenil e no adulto e ficava cansado. Ele me falava para pensar que cada rebote que eu pegasse ia me ajudar a comprar uma casa para a minha mãe".

Lula acabou dando uma chance para Paulão, que a agarrou e evoluiu. "Eu aprendi muito na época, jogando e apanhando muito de caras como o Vargas (o dominicano José Vargas, ex-pivô de Franca) e o Janjão. Hoje não tem mais pivôs assim".

Em 2006, o aprazivelense assinou contrato com o Unicaja Málaga, um dos maiores times da Espanha. No ano seguinte, teve um ano mágico: foi o maior pontuador e maior reboteiro do Mundial juvenil, em que o Brasil perdeu por pouco da Sérvia na semifinal e ficou em quarto lugar. Poucos meses depois,  foi campeão do Pan do Rio.

Em 2010, Paulão foi draftado pelo Minnesota Timberwolves, na 45ª posição. Ele não conseguiu lugar no elenco. As lesões foram se sucedendo: rompeu todos os ligamentos do pé direito e depois peregrinou por Murcia e Granada. Tentou se reerguer no Pieno Zvaigzdes, da Lituânia, e voltou para a Espanha, onde malogrou no Gran Canaria.

Enquanto isso, foi convocado por Rubén Magnano para treinos visando ao Pré-Olímpico de Mar del Plata, em 2011, e para a Copa América de Caracas, no ano passado. Foi dispensado por ter rompido o menisco e por ter sofrido um edema ósseo na cabeça da fíbula da perna direita, respectivamente.

Sem opções, assinou contrato com Brasília. Ainda penando com o edema ósseo, tornou-se uma peça decorativa num time que não usa um pivô-pivô, como ele gosta de se defnir. "É um estilo de jogo diferente. Eles jogam com os arremessos do Nezinho, com as infiltrações do Alex. Se você for ver, eles não costumam ter um pivô-pivô. O Alírio, por exemplo, joga aberto".

Com tempo para restaurar o joelho, e resgatado pelo velho Lula, ele reencontrou seu basquete em Franca. "O Lula deixou bem claro o que queria que eu fizesse. Os jogadores me procuram, sabem as bolas que gosto de receber. O Figueroa (armador) é um dos melhores da posição no Brasil. Não é valorizado como deveria, mas sabe fazer o time todo jogar. Agora consigo desfrutar do basquete. Voltei a jogar com prazer".

Para melhorar ainda mais, e voltar a um grande time da Europa, Paulão pretende levar vantagem na briga pela balança. Hoje está com 128kg, e acha que melhorará muito se perder uns oito. "Procurei uma nutricionista por conta própria e vou fazer dieta. Eu sei que serei outro jogador se ficar mais leve".

O Minnesota Timberwolves, após a mudança da diretoria, praticamente o esqueceu e não tem feito contato. Mas Paulão, com a confiança restabelecida, pretende voltar às ligas de verão. Mais leve, veloz e cheio de esperança. Algo inacreditável no ano passado. "Chegaram a perguntar para o meu agente, no Jogo das Estrelas do ano passado se eu ia encerrar a carreira. Dá para acreditar?".

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