Brandon Dill/AP - 09/12/2014
Brandon Dill/AP - 09/12/2014

Pela 1ª vez desde 71, dois irmãos, os Gasol, jogam no All-Star Game

Símbolos de uma NBA a cada temporada mais globalizada, espanhóis são os primeiros europeus escolhidos pelo voto popular

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

09 de fevereiro de 2015 | 19h33

 A NBA se torna a cada temporada uma entidade mais global. Do atual campeonato tomam parte 101 estrangeiros, representando 37 países e territórios, como as Ilhas Virgens Americanas, terra natal de Tim Duncan. Pela primeira vez, dois europeus foram escolhidos pelo voto popular. Curiosamente, são irmãos: Pau Gasol, do Chicago Bulls, vai defender o time da Conferência Leste, e Marc Gasol, do Memphis Grizzlies, jogará pela Conferência Oeste.

É a primeira vez, desde 1971, que dois irmãos chegam junto ao All-Star Game. Naquele ano, os irmãos gêmeos Tom e Dick van Arsdale participaram do evento.Os Gasol concederam nesta segunda-feira uma entrevista por teleconferência. Confira:

Como veem o All Star, como reconhecimento pela competência ou como prêmio?

PAU: É um momento que se deve desfrutar, um fim de semana que na verdade é uma experiência única para viver como irmãos. É sem dúvida um prêmio pela temporada que ambos estamos fazendo e uma honra poder estar nesta situação. Isto posto, o objetivo é desfrutar e deixar o público desfrutar.

A família está dividida?

PAU: Não, de forma alguma. É um presente também para eles. Nossos pais querem que joguemos bem sempre e sabem que quando nos enfrentamos um de nós dois vai ganhar e o outro perder, mas esse jogo em particular é o de menos.

Têm a expectativa de jogar na Olimpíada do Rio?

MARC: É muito difícil estar nos Jogos Olímpicos. Primeiro a seleção tem que se classificar neste verão, no Europeu, e mais adiante tomaremos a decisão sobre jogar com a seleção. Esperamos que a equipe seja capaz de participar dos Jogos. Estivemos em três edições dos Jogos, desfrutamos essa experiência e sabemos o quão bonito é, mas ainda falta muito.

Como ex-jogadores do Barcelona, qual sua opinião sobre o movimento pela independência da Catalunha?

PAU: Estamos à margem da política. Nós nos atemos a jogar basquete e nos distanciamos de outros assuntos. Nossa opinião guardamos para nós mesmos.

Como se sentem sendo grandes estrelas de um país com grandes esportistas, como Nadal e Fernando Alonso?

PAU: É uma honra ter esse reconhecimento e ter podido desenvolver a carreira num nível tão alto.

Qual é o relacionamento que vocês têm como irmãos dentro e fora da quadra?

MARC: É a típica relação de irmão mais velho e irmão mais novo fora da quadra. Agora estou mais maduro e o relacionamento foi ficando cada vez mais próximo. Na quadra entendemos um o jogo do outro, como fazemos as coisas, sabemos como trabalhamos um e outro e quando jogamos um contra o outro o fazemos com muito conhecimento mútuo, tentamos algo novo para surpreender o outro, mas é difícil conseguir. Depois sabemos que um dos dois não estará feliz porque terá perdido e respeitamos muito isso.

PAU: Temos um relacionamento próximo. Quando jovens, a diferença de idade (três anos e meio) sempre influiu, mas à medida em que se amadurece, tudo melhora muito, como ocorre em todas as famílias. Competimos e não permitimos que o relacionamento pessoal influa na quadra quando jogamos um contra o outro.

Você é o único do atual elenco dos Bulls que tem anel de campeão (temporadas 2008/09 e 2009/10).

PAU: Acho que entendo o que isso acarreta. É difícil chegar lá e o que tento compartilhar com meus companheiros, especialmente os mais jovens, é a importância da temporada regular e de todos os jogos. Desenvolver bons hábitos e boas posturas até o final da temporada. É um desafio para nós. A experiência nos ajudou muito nos Lakers quando ganhamos o anel, acho que é importante. Temos potencial na equipe e temos que desenvolvê-lo, ser mais consistentes e mais dominantes.

O que mudou no público norte-americano para que tenha votado em vocês para o All-Star game?

PAU: Tanto Marc como eu sabemos que é uma votação global e mundial. Esse é um reflexo da boa temporada que estamos tendo tanto Marc como eu por nossas respectivas equipes, e um reconhecimento pela nossa forma de jogar esse esporte. Estamos muito gratos por esse apoio e por essa confiança. Agora cabe a nós desfrutar esse momento tão especial.

MARC: Acho que é um conjunto de circunstâncias. Nosso jogo está beneficiando nossas equipes e estamos os dois na parte de cima da tabela das nossas Conferências. Isso ajuda. Além disso, o público nos apoia, nos conhece e acho que é uma longa trajetória e um grande trabalho. Temos que continuar nele. Não é que tenha mudado algo no público norte-americano, mas o conjunto das coisas é que ajuda.

Como se sente no sistema de Thibodeau? Está vivendo uma segunda juventude?

PAU: Não sei se é renascer como jogador ou não. No alto nível você sabe que tem anos bons. Muitos fatores influem para determinar que você logre fazer bem as coisas. A maneira pela qual jogamos e competimos, temos um bom sistema que me permite estar em posições nas quais sou efetivo e me sinto cômodo. Estou contente com a forma como as coisas estão indo e com a decisão que tomei no verão. Era uma decisão complicada, mas estou contente. Estou jogando no nível mais alto possível e tento conseguir outro anel de campeão. Trabalhei duramente durante o verão, me encontro são e posso fazer aquilo de que preciso na quadra. É um grande momento para mim.

O fato de ser o All-Star Game em Nova York torna ainda mais irreal esse sonho?

MARC: É certo que acrescenta um pouco mais de magia ao que já se parece mais com um sonho, ou é mais que um sonho para mim. Que seja no Madison Square Garden, considerado a meca do basquete e em uma metrópole como Nova York acrescenta um pouco mais de magia e de simbolismo ao significado que tem um All Star por si só em que somos ambos titulares, em Nova York e no Madison...Quando se fala nisso, parece que é algo que não vai acontecer.

PAU: Já são muitas as atrações desse jogo, dessa experiência neste momento. Jogar no Madison, numa cidade que podemos considerar a capital do mundo ou a cidade mais internacional do mundo...Que mais podemos pedir? É um momento de sonho e um momento maravilhoso para competir e viver.

Como pode descrever o momento atual da NBA?

MARC: Este momento na NBA é um bom momento. Ambos estamos em boas fases de nossa carreira, sãos, e com uma temporada com objetivos à frente. Em alguns dias estaremos juntos e estaremos também com a família durante a interrupção da temporada. Desfrutaremos bastante e o público está contente conosco por aquilo que alcançamos. Será divertido e temos ganas por isso.

PAU: Estamos desfrutando muito. Na carreira sempre se tem bons e maus momentos, o atual é um dos melhores da nossa carreira. Deve-se apreciar estes momentos de êxito, desfrutar e continuar trabalhando para que continue assim.

Depois de serem titulares no All-Star, o passo seguinte é lutar pelo anel?

MARC: A primeira coisa que temos que fazer é curtir o próximo fim de semana, vivê-lo com a intensidade que merece. Nós dois sabemos a dificuldade que envolve a luta pelo anel, sobretudo Paul que chegou três vezes às Finais. Eu tive a sorte de chegar à final de Conferência e sei o complicado que é, sobretudo sendo no Oeste. Temos que tentar chegar o mais descansados possível e na melhor situação possível nos playoffs e em seguida tentar passar cada rodada, o que na minha situação vai ser uma batalha. Não é tão importante contra quem se joga mas sim se possuímos o fator quadra ou não porque cada pequena vantagem que possa conseguir é importante numa conferência tão igualada.

PAU: Falta muito e tem que se ir passo a passo. O próximo passo para nós são os dois jogos que temos em casa que nos sobram antes do fim de semana do Jogo das Estrelas. Para mim e para minha equipe é fundamental ganhar e depois desfrutar desse momento que é o All Star. E na segunda parte da temporada, continuar competindo ao máximo para poder ter a melhor posição possível para os playoffs e a partir daí é uma batalha contínua com os diferentes times que vai enfrentando conforme vai avançando. Os playoffs são muito complicados, é muito difícil avançar e acho que as duas conferências são fortes. Sabemos que Marc vai fazer o possível para ajudar sua equipe a ir o mais longe possível e eu vou tentar fazer o mesmo. Tomara que possamos chegar os dois à Final e competir por um anel, mas para isso falta muito e temos que ir passo a passo.

Vai jogar forte ou suave quando enfrentar seu irmão no Madison?

PAU: Acho que o All-Star é um jogo que se joga para os fãs. As duas equipes querem ganhar, mas não se trata de ir forte ou suave mas de proporcionar um show para os aficionados. Não permitiremos um ao outro pontuar, nem permitir que ninguém pontue com facilidade. Nossa paixão pelo basquete e pela natureza do jogo nos impede que façamos isso, respeitamos o jogo.

MARC: Se a partida entra igualada no último quarto seremos muito competitivos porque todos queremos ganhar. Mas o jogo, como disse Pau, é um jogo para os fãs, é para eles.

Qual qualidade do outro que vocês gostariam de acrescentar a seu jogo?

PAU: Temos um jogo diferente mas temos muito em comum pela maneira pela qual jogamos basquete. Procuramos os companheiros que podem anotar mais facilmente e os tornamos melhores. Marc tem uma dureza natural muito competitiva, não são todos que a possuem. Ele ajuda suas equipes a ganhar. É um líder e é muito duro, um dos mais duros da NBA. Nós dois estamos contentes com nossa forma de ser e não pensamos naquilo que o outro tem. Trabalhamos duro e tentamos jogar o melhor possível.

MARC: Temos habilidades diferentes e aquilo que nos faz especiais é a visão de jogo que nos faz pensar muito na equipe. Tentamos achar o companheiro mais livre e não somos egoístas. Procuramos entender o jogo da melhor forma possível. Pau tem habilidades que eu não tenho, tampouco ninguém que eu tenha visto na vida as possui. Faz coisas que parecem fáceis mas não são. É muito persistente na quadra, também.

A quem admiravam, fora da NBA, quando eram crianças?

PAU: Meu ídolo era Toni Kukoc, quando jogava na Iugoslávia e quando foi para o Benetton (Treviso). Acabou sendo contratado pelo Chicago Bulls. Era um jogador com muitíssimas qualidades, tremendamente completo.

MARC: Não posso nomear apenas um jogador. Se tivesse que fazê-lo seria Epi (Juan Antonio San Epifanio Ruiz, ex-jogador do Barcelona, vice-campeão olímpico pela Espanha em 1984), um jogador da Espanha que não se parecia nada comigo. 

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