Fiba/Divulgação
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Petrovic torce para não cair no grupo da Sérvia: 'Missão impossível'

Sorteio nesta quarta-feira define os rivais da seleção brasileira masculina no pré-olímpico para Tóquio

Marcius Azevedo, Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 18h31

A seleção brasileira masculina de basquete vai conhecer nesta quarta-feira, às 10h (horário de Brasília) em sorteio que será realizado pela Federação Internacional de Basquete (Fiba), o caminho para buscar uma das últimas quatro vagas nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Em entrevista ao Estado, o técnico Aleksandar Petrovic afirmou que não gostaria de ser sorteado para jogar em Belgrado, na Sérvia. O Facebook da Confederação Brasileira de Basketball transmite ao vivo.

"Ali podemos ter uma missão impossível", admitiu o treinador. As outras sedes são Canadá (Victoria), Croácia (Split) e Lituânia (Kaunas). Os torneios acontecem entre os dias 23 e 28 de junho e, segundo o regulamento, serão dois grupos de três seleções em cada cidade, com semifinal e final. Apenas o campeão está garantido.

Qual avaliação faz do Mundial?

Tive o grupo por 45 dias e em 44 tudo saiu perfeitamente. Mas em 24 horas o time se perdeu. Todos me perguntam o que aconteceu no jogo com a República Checa? Eles estavam instalados muito mais próximos de Shenzhen (local do jogo). Eles viajaram menos e tinham uma equipe mais jovem e nos enfrentaram no único dia que não tínhamos energia. Quando se joga uma competição deste nível, depois de 9h de viagem era necessário dar um dia de recuperação. Com mais um dia, o Brasil ganharia. Também pensávamos que o nosso oponente nesta fase seria a Turquia. Eu, por cinco ou seis meses, olhei mais para a Turquia.

Então ficou satisfeito com o desempenho?

Quando voltei da China para a Croácia e encontrei pessoas da Fiba, jogadores e amigos, todas estavam surpreendidos pelo jogo do Brasil. Não falo apenas pelo Mundial. Na fase de preparação ganhamos da Argentina, medalha de prata, jogando um basquete excelente. Depois, contra a França, medalha de bronze, o Brasil em 30 minutos jogou o seu melhor basquete destes 45 dias. De todos os jogos que fizemos só não fomos bem contra a República Checa.

Como foi o trabalho com o grupo?

Não tive nenhuma decepção. O único jogador que não teve muitas oportunidades foi o Augusto Lima. A volta do Bruno (Caboclo) foi importante. Foi um trabalho de diplomacia, uma vitória pessoal. É um jogador que eu sabia que iria me ajudar muito, que eu necessitava no grupo. Conversei com o pessoal da CBB, com meus auxiliares, já que eles estavam na comissão técnica (no episódio de indisciplina na Copa América) para convencê-los, negociei com o Memphis (Grizzlies, da NBA)... E ainda tinha de ver como os jogadores iriam reagir. Com 15 dias de treino, tudo estava resolvido. Todos nós erramos. Com ele, Yago e Didi, já são três jogadores para os próximos 10 ou 15 anos.

E como avalia os veteranos? Varejão, sem clube, te preocupa?

Não olho idade. Um Alex, que depois de não treinar por 15 dias com lesão, aparece no segundo tempo contra a Nova Zelândia resolvendo problemas que tivemos nos primeiros minutos. Um Marquinhos, que em nenhum momento de sua carreira teve um papel vindo do banco, aceitou o papel e foi impressionante. Anderson (Varejão) me ajudou em todas as janelas com os mais jovens e contra a Grécia ainda fez 26 pontos e pegou 13 rebotes. Sobre o Leandro (Leandrinho Barbosa), sempre temos duas opções quando temos ele em quadra. Marcelo (Marcelinho Huertas) também contribuiu. Por que temos de falar de idade? Eu vou conversar com cada um dos veteranos e perguntar como estão, se podem responder ao que eu quero e, neste caso, vou convocá-los. O que significa idade? O Alex massacrou o Giannis Antetokounmpo. Sobre o Anderson, não é uma situação que me preocupa. Tenho conversado com ele. A mulher está grávida, mas acredito que ele já esteja jogando na virada do ano.

O que projeta para o sorteio do pré-olímpico mundial?

Eu só não quero cair no grupo da Sérvia. Ali podemos ter uma missão impossível. Diante de 20 mil pessoas, contra uma grande equipe e que agora assinou com um grande treinador, o Igor Kokoskov, assistente técnico no Sacramento Kings e campeão europeu com a Eslovênia. Na Croácia, Lituânia e Canadá não vejo problemas. Temos de pensar em nós mesmos. Temos de estar em boas condições de jogar um bom basquete. Temos de ganhar três partidas para se classificar.

Com ou sem vaga, qual legado quer deixar para o Brasil?

Tenho de deixar para os próximos anos uma coluna vertebral, sete, oito ou nove jogadores para carregar isso. Em dezembro, vou para a Espanha falar com Vítor Benite, Augusto Lima, Rafa Luz e Marcelinho Huertas. Desses quatro, três têm 26, 27 anos. Eles podem estar em 2024 nos Jogos Olímpicos de Paris. Já estou pensando em uma equipe para a próxima Copa América. Em 2021 esses jovens vão estar prontos para assumir o time. 

O que tem observado nos jogos do NBB? Georginho está se destacando no São Paulo...

Estou vendo os detalhes. Para mim não importam os triplo-duplos do Georginho, não olho estatísticas, e sim como ele se posiciona na defesa e como posso utilizá-lo. Ele pode jogar em parceria com um outro armador. As principais seleções do mundo estão jogando assim. O clube é diferente da seleção. Agora, por exemplo, Georginho joga 40 minutos por jogo no São Paulo. Na seleção você precisa estar pronto para jogar três minutos e produzir bem. Eu busco em um atleta intensidade, que esteja pronto para entender o que a equipe precisa. É necessário defender individualmente, mas também dentro de um plano.

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