Ron Jenkins/AP
Ron Jenkins/AP

Por assédio sexual de funcionários, Dallas Mavericks, da NBA, é punido

Após investigação, franquia terá de cumprir sanções e seu proprietário, Mark Cuban, pagar multa de R$ 40 milhões

Scott Cacciola / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2018 | 05h00

Mark Cuban, proprietário do Dallas Mavericks, pagará US$ 10 milhões (equivalente a R$ 40,7 milhões) para organizações de combate à violência doméstica e de lideranças femininas com base num acordo feito com a NBA, solucionando as queixas de assédio sexual e outras condutas inadequadas entre funcionários do seu departamento de marketing, vendas e serviços.

O pagamento e outras mudanças na liderança e no quadro de funcionários são resultado de uma investigação que durou um mês envolvendo acusações contra vários funcionários e dirigentes, incluindo o ex-presidente e diretor executivo da franquia Terdema Ussery.

Cuban não foi acusado de comportamento impróprio, mas as investigações concluíram que sua supervisão foi muito falha e ele concordou com o pagamento, evitando uma multa. Entretanto, a cobrança excede e muito o valor de qualquer multa que a Liga já impôs a um clube ou a seu proprietário.

Em comunicado oficial, a Liga de Basquete dos EUA anunciou que o dinheiro será doado a várias organizações a serem escolhidas por um conselho consultivo composto de executivos do próprio Mavericks, incluindo Cuban, e várias autoridades da NBA. O relatório da investigação também recomendou ao time para contratar mais mulheres, mesmo para posições de liderança, e abrir um processo formal para funcionários informarem casos de mau comportamento (dentro de suas dependências).

A NBA ordenou ao Mavericks o envio de relatórios trimestrais sobre os avanços nessas áreas, a começar com o treinamento de todo o seu quadro de funcionários, incluindo Cuban, de 60 anos, que adquiriu uma participação majoritária da franquia em 2000 e tem sido um dos mais veementes proprietários de equipes da NBA.

O relatório teve por base informações reunidas de mais de 200 entrevistas feitas com antigos e atuais funcionários do time. Em entrevista à ESPN na quarta-feira, Cuban se desculpou e comentou ter perdido oportunidades para corrigir a cultura da sua organização.

“Não se trata de apenas um incidente que acabou. Ele persiste no caso das pessoas e famílias. Lamento ver isto. E sinto não ter reconhecido o problema (antes). Espero que a partir de agora seremos melhores e conseguiremos evitar casos como estes e ajudar todos a serem mais habilidosos no trato do assunto em geral”, disse o cartola.

A investigação foi desencadeada por um artigo no Sports Illustrated em fevereiro traçando um quadro de um ambiente de trabalho problemático para as funcionárias da franquia.

Segundo o artigo, Terdema Ussery praticou vários atos de conduta inadequada com relação às mulheres. E Earl Sneed, ex-redator do website oficial do time, foi acusado várias vezes de violência doméstica.

As conclusões da investigação foram divulgadas nesta quarta-feira como parte de um relatório de 43 páginas. Entre outras coisas, ficou determinado que Ussery se comportou inadequadamente com relação a 15 funcionárias do Mavericks, fazendo comentários inoportunos e chegando a tocá-las, vendo pornografia em seu computador no escritório e assediando colegas de trabalho. 

Mesmo depois de ser repreendido por Cuban, seu comportamento continuou durante anos. “Eu devia tê-lo despedido de imediato”, admitiu Cuban na mesma entrevista à ESPN.

Depois que as acusações vieram à tona, há alguns meses, Cuban determinou algumas mudanças no clube – que o ajudaram a evitar penalidade mais grave. A Liga reconheceu que a franquia já adotou medidas para cumprir com algumas metas estabelecidas no relatório.

Encerrado o contrato de Buddy Pittman, diretor de recursos humanos da equipe, Cuban contratou três mulheres para posições de alto nível dentro da equipe: Cynthia Marshall como diretora executiva; Tarsha LaCour, na posição de vice-presidente de recursos humanos e ainda Cyndee Wales como diretora de ética corporativa e compliance. Foi também instituído um treinamento obrigatório sobre “respeito no ambiente de trabalho” e criada uma linha direta confidencial para funcionários do time compartilharem seus problemas (no dia a dia).

Ussery, depois de 18 anos no Mavericks, se demitiu em 2015 para assumir uma posição na Under Armour (empresa de material esportivo). Sneed anunciou sua saída da equipe depois da publicação do relatório pelo Sports Illustrated e cancelou sua conta na rede Twitter.

“As conclusões da investigação independente são inquietantes e lamentáveis”, atestou Adam Silver, da NBA. “Nenhum empregado da NBA ou qualquer local de trabalho nesse âmbito, deve se sujeitar ao tipo de ambiente descrito no relatório.”

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

 

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