Divulgação/CBB
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Presidente da CBB nega ingerência e aguarda patrocínio para respirar aliviado

Carlos Nunes vinha recebendo críticas pela sua gestão na entidade

Marcius Azevedo, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2014 | 05h00

SÃO PAULO - O presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Carlos Nunes, rompeu o silêncio. No olho do furacão, o dirigente, que recebeu críticas do Secretário de Esporte de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, que cobrou mudanças na gestão da entidade, e ameaças do secretário-geral da Fiba Américas, Alberto Garcia, negou qualquer ingerência do Ministério do Esporte na administração da CBB.

Após se reunir com o ministro Aldo Rebelo, na terça-feira, em Brasília, Carlinhos, como é conhecido, concedeu entrevista exclusiva ao Estado ontem e afirmou que não foi cobrado para realizar mudanças drásticas e que vai colocar em prática apenas o que já havia sido prometido em reuniões anteriores, com a contratação de uma empresa para cuidar do marketing e outra de projetos, para capacitação de recursos junto ao Ministério.

 

Como foi o encontro com o Aldo?

Foi muito bom, até porque o ministro estava há algum tempo cuidando destas tratativas para conseguir uma estatal para o lugar da Eletrobrás. Os deputados Abelardo Lupion (DEM-PR), Bernardo Santana de Vasconcellos (PR-MG), Moreira Mendes (PSD-RO) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), interessados em ajudar o basquete, também participaram da reunião. Eles também estão preocupados com o fato de só termos um patrocinador master, que é o Bradesco. Precisamos de um outro parceiro para cumprir o planejamento que fizemos até os Jogos Olímpicos de 2016, passando pelo Mundial deste ano. O ministro disse que deve ter um retorno sobre isso em breve.

 

Os Correios serão o novo patrocinador?

O ministro não confirmou o nome da estatal, até porque os Correios patrocinam outras entidades. Mas, de qualquer maneira, nós apresentamos um demonstrativo e ele viu que a única modalidade olímpica que não tem uma estatal hoje é a CBB. É nisso que ele está empenhado em resolver. Até o dia 15 de julho já devemos ter um outro parceiro.

 

Foram pedidas mudanças drásticas na CBB?

Não tratamos de mudanças, em absoluto. Nós estamos aguardando o acerto com este parceiro para dar continuidade ao que planejamos. Nós dependemos disso para repetir o que fizemos antes, quando tínhamos um patrocinador e conseguimos classificar para os Jogos de Londres. Isso foi dito na reunião e ficou tudo muito claro. Não concordo que nossa administração esteja errada, claro que temos falhas. Todos temos. É difícil você ter um orçamento de R$ 21 milhões e ser repassado apenas R$ 4,8 milhões. Mostra que tivemos competência de gerir isso. Evidentemente que o Ministério do Esporte está ajudando muito nos projetos incentivados e nos convênios.

 

O Ministério do Esporte pediu que fossem contratadas empresas para ajudar na gestão?

Eu que informei ao (Ricardo) Layser que contratamos a IMX, que vai cuidar do marketing, e a Mercado Moderno, empresa que já atua junto ao Ministério do Esporte na elaboração de projetos com a natação. Estamos esperando agora o aporte financeiro para fecharmos com uma empresa de mídia, que já está definida por licitação. O planejamento está sendo realizado. Depois disso, se tivermos mais alguma coisa para acrescentar, vamos fazer.

 

Então por que o Layser fez críticas severas à gestão da CBB?

Não sei, sinceramente, não sei. A reunião com o ministro estava agendada. Já fui lá quatro vezes e teremos mais uma pelo menos. Mas não tem relação. Eu sinceramente não sei porque ocorreram estas declarações.

 

Talvez por causa da demora para colocar em prática o projeto que o senhor havia discutido com o próprio Layser no final do ano passado e novamente no começo deste ano?

Não levo isso em consideração. Nós fizemos o que era possível fazer dentro do orçamento que nos foi apresentado. Dos R$ 21 milhões, recebemos R$ 4,8 milhões. Vi declarações de que não tínhamos US$ 15 mil para o pagamento à Fiba para sediar o Pré-Olímpico, mas não são US$ 15 mil. Eram US$ 5 milhões. Além disso, teríamos o custo da hospedagem, alimentação, transporte... No fim seriam quase R$ 15 milhões. A nossa responsabilidade é marcante, não iríamos nos atirar numa aventura desta de jeito nenhum. Por isso, comunicamos em tempo hábil que não iríamos organizar o evento. Se isso fosse em outro momento, com o aporte de um parceiro e se tivesse algum retorno, aí tudo bem.

 

Com o aporte de um novo parceiro será possível respirar aliviado?

Com certeza. Nós estamos cientes das nossas dificuldades, das dívidas, mas temos administrado tudo isso. Não fizemos mais dívidas (o balanço de 2012 apresentou R$ 6 milhões em dívidas) e o valor diminuiu. Não sanamos, mas diminuiu. O departamento financeiro da CBB está trabalhado no balanço, que deve sair em breve porque temos assembleia no dia 26 de março, mas eles já me acenaram que eu terei uma surpresa agradável. Com o aporte financeiro de um novo parceiro, com certeza, ficaremos tranquilos. A gestão hoje da CBB é toda profissional. Uma coisa é administrar com dinheiro, outra é sem. E temos sabido administrar sem dinheiro. Ninguém comenta sobre isso. Nós conseguimos, por exemplo, o convite para o Mundial. Ainda temos um respeito lá fora. A Fiba conhece nossa administração.

 

A CBB atrasou salários de funcionários ou comissão técnica, inclusive do técnico Rubén Magnano?

Funcionários não, comissão técnica sim, tivemos atrasos, mas hoje está tudo certo. Ainda temos algumas dívidas em diversas áreas, inclusive o empréstimo do Itaú, mas estamos cumprindo. Claro que ficamos defasados, porque caímos de R$ 21 milhões para R$ 4,8 milhões, mas estamos resolvendo. Com o dinheiro de um novo patrocinador será tudo sanado.

 

E como o senhor viu também as críticas do Aberto Garcia? Conversou com ele?

Eu liguei para o Alberto. Ele me disse que não foi bem aquilo que ele disse, disse que queria ajudar. Ele é conhecedor de que estamos absolutamente em dia com o que foi tratado em Barcelona com o pessoal da Fiba. Se não tivéssemos cumprido o acordo, não teríamos recebido o convite para o Mundial. Ele insistiu que foi apenas um mal-entendido e pediu para me fazer algumas perguntas depois para tudo ficar esclarecido. Ele vai mandar tudo por escrito e eu vou responder.

 

Mas presidente ele ameaçou o Brasil de ficar fora das Olimpíadas, mesmo sendo o país-sede?

Isso não depende dele! É uma decisão da Fiba, não apenas da Fiba Américas. A Grã-Bretanha em 2012 foi convidada. Os outros países antes também foram. E não podem dizer que eles (Grã-Bretanha) fizeram um plano de desenvolvimento do esporte. O basquete não é prioridade lá. Está tudo certo com o pagamento do convite. A minha surpresa foi grande com o Alberto, porque ele foi muito importante no processo para recebermos o convite da Fiba, nos ajudou bastante. Nós tínhamos outros países aqui das Américas participando do processo, como Canadá e Venezuela, e ele tomou partido do Brasil. Até mandei um ofício ao Alberto agradecendo.

 

Então se sentiu traído?

Não. Nesta função, eu estou sujeito a chuvas e trovoadas. O que interessa é a verdade. Todos podem falar, mas o que prevalece é a verdade. A nossa verdade é que tínhamos um orçamento de R$ 21 milhões, passou para R$ 4,8 milhões e conseguimos administrar até agora. Vai demorar, vai. Vamos sofrer uma solução de continuidade no planejamento, vamos, caso não venha o aporte de um outro parceiro, mas estamos dando continuidade ao planejamento.

 

O planejamento da seleção para o Mundial está pronto?

Está quase tudo certo. Falta definir apenas uns jogos aqui no Brasil. Por enquanto, estão confirmados Argentina e Angola. Vamos jogar na Argentina também com o México e Argentina novamente. Teremos ainda um compromisso contra os Estados Unidos em Chicago e depois vamos para a Europa para uma série de amistosos antes do Mundial.

 

Os jogadores que atuam na NBA estão confirmados? Há verba prevista no planejamento para o pagamento do seguro?

O seguro nunca foi um problema. A NBA tem um critério muito coerente, pagamos pelo tempo que os jogadores vão ficar conosco. O valor disso está dentro do nosso planejamento.

 

E o Magnano conversou com os jogadores para aparar arestas depois que esses jogadores foram criticados pela ausência na Copa América?

Sim, o Magnano conversou por telefone. Não sei se faltou algum, mas está tudo resolvido. Aliás, nunca foi um grande problema. O Magnano, naquele momento de competição, de cabeça quente, disse algumas coisas, mas está tudo bem. Os atletas também conhecem o treinador. Está tudo bem.

 

O senhor traçou uma meta para o Mundial?

Queremos ficar entre os quatro. A nossa equipe, com todos os jogadores, sem lesões, é muito forte. O Nenê se lesionou agora, é uma preocupação, mas temos bastante tempo até o Mundial. Se tivermos com o nosso time completo, vamos fazer frente lá.

 

E o planejamento do feminino está pronto? O Zanon, técnico da seleção, estava um pouco preocupado se seria possível enfrentar rivais fortes nos amistosos de preparação?

A preocupação do Zanon não era na parte financeira e sim na questão dos convites, das seleções aceitarem enfrentar o Brasil. Mas está tudo planejado. A equipe também vai fazer uma preparação na Europa antes do Mundial na Turquia.

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