Tae-Gyun Kim/AP Photo
Tae-Gyun Kim/AP Photo

Prima de Dwyane Wade morre vítima de bala perdida em Chicago

Um dia antes, ala-armador foi a uma emissora de TV para falar sobre onda de violência nos EUA

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2016 | 15h27

A onda de violência e tensão racial que assola os Estados Unidos nos últimos meses fez mais uma vítima nesta sexta-feira, atingindo a família de Dwyane Wade, personalidade do esporte norte-americano. O ala-armador, que recentemente trocou o Miami Heat pelo Chicago Bulls, perdeu a prima de 32 anos, que morreu vítima de uma bala perdida.

Nykea Aldridge, de 32 anos, andava pela rua na região sul de Chicago por volta de 3:30 da tarde, quando acabou na linha de tiro de dois homens que perseguiam um terceiro. Ela empurrava um carrinho de bebê no momento do tiro, e não resistiu aos ferimentos. A criança nada sofreu. Ela deixou quatro filhos.

Wade, de 34 anos, retornou à cidade onde nasceu para defender os Bulls, e aparecia como uma das personalidades norte-americanas que demonstravam maior ativismo contra a violência policial e o racismo da sociedade local. No dia anterior, inclusive, o atleta participou de um programa de TV dos EUA para falar sobre a violência e contra as armas.

Wade desabafou em sua conta no Twitter na noite desta sexta-feira.

"Minha prima foi morta hoje (sexta-feira) em Chicago. Outro ato de violência armada sem sentido. Quatro crianças perderam a sua mãe SEM MOTIVO ALGUM. Surreal.", afirmou o jogador.

Neste sábado, Wade voltou a falar sobre o ocorrido, pedindo maior ajuda das autoridades para controlar a violência na cidade onde atuará na próxima temporada da NBA.

 

"A cidade de Chicago está ferida. Precisamos de mais ajuda e mais mão na massa. Não para mim e para minha família, mas para o futuro do nosso mundo. Os JOVENS", escreveu. "Essas crianças estão gritando por socorro".

Anteriormente, o ala-armador apareceu ao lado de LeBron James, Carmelo Anthony e Chris Paul durante uma premiação de uma emissora de TV norte-americana, pedindo um fim para a violência armada. "A violência sem fim em cidades como Chicago, Dallas, sem esquecer de mencionar Orlando, precisa parar. Chega. Já é o suficiente", afirmou na ocasião.

Polêmico candidato a presidente dos EUA, Donald Trump aproveitou o triste fato para promover a si mesmo. Conhecido por promover uma campanha pró-armamento e por declarações polêmicas com relação aos negros, mulheres e a população LGBT, ele polemizou ao afirmar que a população negra irá votar nele na próxima eleição por causa da morte da prima de Wade.

"A prima de Wade levou um tiro e morreu enquanto andava com seu carrinho de bebê em Chicago. Exatamente o que eu vinha dizendo. Afro-americanos vão votar em Trump", bradou.

O jogador de futebol americano Colin Kaepernick, quarterback do San Francisco 49ers, fez um protesto na noite desta sexta-feira ao se negar a cantar o hino nacional norte-americano durante partida da pré-temporada da NFL em represália à violência e o racismo que o país vem sofrendo nos últimos meses.

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