Divulgação/AMB Santa Cruz
Divulgação/AMB Santa Cruz

Projeto em Santa Cruz do Sul busca parceiros para manter vivo o sonho das Meninas do Basquete

Sob os cuidados da ex-jogadora Karina Knak, iniciativa sobrevive atualmente com doações; "Estamos lutando" 

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2022 | 20h00

A bola quica na quadra e carrega consigo o sonho de diversas meninas de se tornarem jogadoras. Ex-atleta, Karina Knak é responsável por tocar um projeto social em Santa Cruz do Sul, cidade gaúcha que fica a 155 km da capital Porto Alegre, que usa o basquete como ferramenta de formação.  O Meninas do Basquete, hoje Associação das Meninas do Basquete de Santa Cruz (AMB Santa Cruz), surgiu em 2015 por iniciativa do professor Reginaldo Soares e, depois que ele se mudou para Santa Catarina neste ano, o bastão foi passado para Karina. 

O trabalho é difícil. A pandemia do novo coronavírus afetou diretamente o projeto. Hoje, para se manter, necessita de doações de pequenas empresas da região. "É R$ 100 aqui, outros R$ 200 lá", explicou Karina ao Estadão. "Não exigimos nenhum pagamento das meninas. Algumas famílias contribuem, sem qualquer obrigatoriedade", acrescentou.

Ela afirmou que sempre contou com ajuda da prefeitura para projetos incentivados, mas o edital para capacitação de recursos ainda não foi divulgado neste ano. 

Os treinos acontecem na quadra da Amorlisc, associação que fica no bairro Linha Santa Cruz, duas vezes por semana. Ao todo são 34 meninas, dos oito aos 16 anos. O número era maior, mas infelizmente foi necessário abrir mão do trabalho com garotas entre 18 e 19 anos porque não existia verba para participar do Campeonato Gaúcho. Além disso, não há torneio adulto no Rio Grande do Sul. 

O esforço já rendeu frutos. Em julho de 2021, Betina Faga Bergallo saiu do projeto para ir estudar nos Estados Unidos com uma bolsa de estudos. Outras atletas, que conquistaram o título gaúcho sub-17 e sub-19 no ano passado, também foram para outras equipes.

"Há alguns anos estamos tentando colocar o basquete feminino gaúcho para jogar algumas competições em nível nacional, mas é muito complicado", afirmou. "Falta incentivo, são poucos clubes", completou. 

Karina contou que chegou a ter uma parceria com o União Corinthians, equipe que participar do Novo Basquete Brasil (NBB), mas esta situação não evoluiu satisfatoriamente. "A metodologia era incompatível", justificou. A equipe masculina voltou ao cenário nacional recentemente após um passado de glória, com o título brasileiro, em 1994, sob o comando do lendário técnico Ary Vidal.

Caminhando com suas próprias pernas, Karina continua contando com doações, como a da LSPB Store, que doou camisetas para os treinos. "Muito bacana essa atitude. Uma marca que pensa no público feminino de basquete", afirmou. CEO da empresa, Vlademir Pereira da Silva acrescenta que espera, desta maneira, atrair mais interessados em ajudar. "Conheço muito bem à dinâmica desse tipo de trabalho social e sei o quanto é importante contar com parcerias."

Com passagens por equipes como Perdigão/Divino, AA Guaru, Unimep/Piracicaba e Bauru Tênis Clube, Karina não pensar em desistir do projeto. O basquete profissional precisou sair da sua vida em 1997 por causa de diversas lesões no joelho, mas voltou como uma missão. "Não está fácil, mas estamos na luta."

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