Raulzinho Neto conquista seu espaço na seleção brasileira

Armador festeja sua atuação espetacular contra a Argentina, jogo que colocou o Brasil nas quartas do Mundial de basquete

Marcius Azevedo, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2014 | 07h00

A noite foi de pouco sono. A adrenalina pela excelente atuação na vitória diante da Argentina, que colocou o Brasil nas quartas de final do Mundial da Espanha, fez Raulzinho Neto demorar para cerrar os olhos. Em seu quarto no hotel, em Madri, o armador de 22 anos revia mentalmente todos os movimentos executados com precisão na partida de domingo. O herói improvável da classificação, enfim, provou que é não o futuro do basquete brasileiro. É o presente.

"Eu procuro ficar tranquilo. Claro que as coisas mudam com uma atuação assim. Não digo na minha carreira, mas são jogos assim que provam ao jogador quem ele é. Mas sei que tenho muito trabalho pela frente, muitos jogos  ainda para disputar", afirmou Raulzinho, em entrevista ao Estado, por telefone, ontem, um dia depois de ter alterado o rumo do destino da seleção no Mundial.

O armador fez um segundo tempo primoroso, liderando o time na ausência do titular Marcelinho Huertas, pendurado em faltas. Raulzinho anotou 21 pontos, com um aproveitamento impressionante de 90% nos arremessos, e foi o  responsável direto pela classificação.

Logo depois do jogo, ainda no vestiário, o jogador ligou para o pai. A conversa foi impossível de descrever. "Ele estava muito emocionado", contou Raulzinho. "O meu pai sempre me apoiou muito desde o início da minha carreira. Foi um dia muito especial para mim."

Natural de Belo Horizonte, Raulzinho despontou para o basquete pelo Minas Tênis Clube, onde atuou até 2011 antes de se transferir para Lagun Aro, da Espanha. Na próxima temporada vai atuar no Murcia, também no basquete  espanhol. O futuro será na NBA. Ele foi selecionado no draft de 2013 e seu destino será em breve o Utah Jazz. "Eu ainda não decidi em quantos anos eu vou."

Raulzinho prefere viver o presente. O pensamento já está no jogo de amanhã, às 13h (horário de Brasília), diante da Sérvia, pelas quartas de final. "O objetivo é chegar o mais alto possível. Até agora temos demonstrado que vamos lutar contra quem for. Se for possível brigar pelo ouro, vamos fazer o melhor. Se o nosso melhor for uma medalha de bronze ou prata vamos ficar muito felizes com isso", afirmou.

"Estados Unidos e Espanha estão em outro patamar, mas não são imbatíveis. É um jogo que pode acontecer qualquer coisa. Mas primeiro temos de pensar na Sérvia, em dar mais este passo."

É necessário rever o passado para explicar o presente. Raulzinho, por pouco, não ficou fora do Mundial. As atuações no Sul-Americano foram ruins e o destaque na Venezuela foi seu concorrente, Rafael Luz. Apesar do panorama desfavorável, o Magnano bancou o armador, que esteve com o grupo em 2010, no Mundial da Turquia, e em 2012, nos Jogos Olímpicos de Londres. "Claro que tive medo de ser cortado", revelou o jogador.

"Mas chegou em um momento na preparação que eu pensei que tinha de estar preparado para dar o meu máximo se fosse entrar um segundo ou 30 minutos. Depois que coloquei isso na cabeça as coisas mudaram para mim. Meu jogo passou a fluir mais, ficou mais solto, consegui fazer bons amistosos e agora estou conseguindo fazer um bom Mundial", encerrou.

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