Instagram: @powerthephotographer
Instagram: @powerthephotographer

Renee Montgomery, armadora da WNBA, vai deixar a temporada de lado para trabalhar em causas sociais

Atleta será a primeira a optar por não participar dos planos da liga por uma temporada mais curta durante a pandemia

Gillian R. Brassil, The New York Times

20 de junho de 2020 | 05h00

Armadora do Atlanta Dream, Renee Montgomery planeja pular a próxima temporada da WNBA para se concentrar em promover causas de justiça social, tornando-se a primeira jogadora da liga a optar publicamente por não participar dos planos da liga por uma temporada mais curta durante a pandemia do novo coronavírus.

"Há trabalho a ser feito fora da quadra em muitas áreas da nossa comunidade", disse Renee no Twitter na quinta-feira. Ela também escreveu um artigo para o site Players 'Tribune, explicando sua decisão. "A reforma da justiça social não vai acontecer da noite para o dia, mas eu sinto que agora é a hora e o momento para lutar por isso."

Renee, de 33 anos, manifestou-se ativamente de modo presencial e na Internet após o assassinato de George Floyd sob custódia policial em Minneapolis, falando sobre questões como racismo, brutalidade policial e direitos de voto. Ela disse em uma entrevista que planeja passar os próximos meses definindo como ela pode ajudar.

"Seria injusto com minhas colegas de equipe e treinadores eu estar mentalmente meio fora do ar quando sei que quero fazer algo diferente na prática, me aproximando mais dessas comunidades carentes", disse Renee, que já participou do All-Star Game. "E agora mais pessoas pensam: 'Sim, entendemos isso, precisamos de mudanças.' Não tínhamos isso antes."

A equipe apoiou sua decisão, dizendo que isso reflete o desejo da WNBA de incentivar as atletas a serem ativas em causas sociais. O Atlanta Dream fez uma doação à fundação de Renee, que ela fundou no ano passado para ajudar as crianças a praticar esportes, e planejava participar de uma manifestação com a jogadora na sexta-feira para celebrar o Juneteenth, um feriado que comemora o fim da escravidão nos Estados Unidos, disse Chris Sienko, o presidente e gerente geral da equipe. "O que Renee decidiu fazer deve ser aplaudido por todos", disse Sienko.

Renee jogou pelo Minnesota Lynx em 2016, quando as jogadoras da WNBA se tornaram as primeiras apoiadoras do movimento Black Lives Matter. Em 2014, jogadores da NBA denunciaram a morte de Eric Garner vestindo camisas que diziam "Não consigo respirar" e, em 2016, o quarterback da NFL Colin Kaepernick começou a se ajoelhar em jogos para protestar contra o racismo e a violência sistêmica.

Naquele ano, na sequência do tiroteio policial em Philando Castile, no Minnesota, jogadoras do Lynx e de outras equipes começaram a usar camisetas pretas para apoiar o movimento Black Lives Matter. A WNBA até multou três equipes e várias jogadoras individualmente pelas camisas, embora as penalidades tenham sido revogadas.

Renee disse que foi inspirada por várias colegas de equipe naquela temporada, incluindo Seimone Augustus, Rebekkah Brunson, Maya Moore e Lindsay Whalen, a defenderem vidas negras. E como a seis vezes All-Star Maya Moore declarou em janeiro que não jogaria a segunda temporada consecutiva para se concentrar na reforma da justiça criminal, Renee também se sentiu à vontade em ficar um tempo fora da quadra

"Definitivamente, me senti mais confortável", disse Renee. "Sei que quero fazer mudanças e não tenho um plano exato para isso, mas há coisas que precisam ser reformuladas"

Renee é uma das muitas jogadoras que pedem mudanças. A'ja Wilson, do Las Vegas Aces, que jogou pela Carolina do Sul na faculdade, está pedindo que a universidade renomeie seu centro de treinamento, que atualmente leva o nome de Strom Thurmond, senador segregacionista

Renee disse que a manifestação de apoio a sua decisão foi diferente da resposta que Maya Moore recebeu quando decidiu dar um tempo da quadra, durante o início de sua carreira aos 29 anos. Maya deixou o basquete de lado para apoiar a defesa de Jonathan Irons, um homem que ela acreditava ser injustamente condenado por roubo e agressão.

Renee, uma das melhores jogadoras da liga na linha dos três pontos, começou jogando todos os 34 jogos da temporada regular em que participou na última temporada e foi campeã com o Minnesota em 2015 e 2017. Ela foi a escolha número quatro do draft em 2009 depois de vencer o campeonato da NCAA naquele ano pela Universidade de Connecticut.

A WNBA e o sindicato de suas jogadoras concordaram com uma estrutura para a temporada nesta semana, incluindo uma temporada regular de 22 jogos para começar no final de julho e uma programação completa dos playoffs, com todos os jogos realizados na IMG Academy em Bradenton, Flórida. As jogadoras têm até 25 de junho para notificar seus times se planejam participar, e aquelas que o fizerem vão receber 100% de seus salários, mesmo que os jogos sejam disputados sem público.

Não está claro se outras jogadoras decidirão não jogar durante a pandemia. A armadora do Atlanta Dream Mikayla Pivec, primeira escolha da terceira rodada do draft da WNBA deste ano, decidiu dar um tempo das quadras em 2020 por motivos pessoais.

Oficiais da liga disseram - quando anunciaram o plano - que queriam que a temporada fosse uma plataforma para apoiar o ativismo das jogadoras./ TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.