Brendan McDermid/Reuters
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Rick Pitino, que queria o adiamento da temporada de basquete universitário, teve covid-19

O técnico já incluído no Hall da Fama testou positivo 10 dias depois de receber a primeira das duas doses da vacina

Adam Zagoria, The New York Times

28 de janeiro de 2021 | 09h00

Rick Pitino, técnico de basquete já incluído no Hall da Fama, atualmente na Iona College, disse que testou positivo para o coronavírus este mês, 10 dias depois de receber a primeira das duas doses da vacina. O treinador de 68 anos disse aos repórteres que sentiu alguns sintomas da doença, mas agora sente-se melhor e planeja tomar a segunda dose da vacina.

No programa “The Michael Kay Show” ele disse acreditar que contraiu o vírus de seus jogadores, e teve resultado positivo para o teste no dia 16 de janeiro. “Fui vacinado, mas, infelizmente, há um período de duas semanas até que os efeitos sejam sentidos, garantindo 50% de imunidade. Infelizmente, não funcionou totalmente comigo, mas seguimos em frente”, disse ele em videoconferência com os repórteres.

“Estou bem, já saí da quarentena", acrescentou. “Tive muita sorte. Não apresentei os sintomas graves que muitas pessoas desenvolvem, e já estou bem.”

Ele disse ao New York Times que, desde então, já fez vários testes do vírus com resultado negativo.

A experiência de Pitino é a mais recente em uma série de retrocessos ligados à pandemia enfrentados pelo técnico e sua equipe desde o início dele no cargo, em março, na pequena universidade católica Iona, em Nova Rochelle, Nova York.

Pitino, o único técnico a vencer o torneio universitário de basquete masculino da NCAA com duas universidades diferentes (Kentucky e Louisville), disse ter a esperança de trabalhar como treinador em Iona nos próximos cinco a sete anos, para então se aposentar.

Pitino chegou a Iona trazendo na bagagem os muitos escândalos que ocorreram sob sua supervisão em Louisville, de onde foi afastado em 2017 em meio a uma investigação do FBI na qual dois assistentes sob supervisão de Pitino foram acusados de destinar recursos da patrocinadora de material esportivo da universidade, Adidas, a recrutas do ensino médio. Pitino há muito sustenta que não sabia do esquema, nem tinha ciência dos funcionários que contratavam prostitutas e strippers para jogadores e recrutas.

Após a demissão, Pitino passou duas temporadas como técnico na Grécia antes de ser contratado pela Iona, onde sua primeira temporada foi colocada de pernas para o ar por causa do vírus.

A equipe de basquete masculino suspendeu suas atividades três vezes durante a temporada por causa de casos diferentes do coronavírus. O time não joga desde 23 de dezembro do ano passado, quando venceu o Coppin State em casa. Os Gaels (5-3, 3-1 na conferência atlética atlântica metropolitana) não devem entrar em quadra antes de uma partida marcada para 3 de fevereiro contra Manhattan - um intervalo de 42 dias entre os jogos.

Pitino calcula que metade da equipe teve o vírus nessa temporada, e disse que alguns de seus jogadores apresentaram sintomas recentemente.

Ele disse ter passado 10 dias de quarentena em um apartamento no campus depois de receber o resultado positivo no início do mês.

“Não queria contaminar minha mulher", disse ele. “Levei uma vida de monge. Não há muitos canais na TV, e acabei lendo bastante. Assisti várias partidas de basquete no celular, acredite se puder. Não tive muito para fazer durante 10 dias, mas já passou. Já posso sair.”

Antes do início da temporada, em novembro, Pitino disse defender um adiamento da temporada, com a organização do torneio da NCAA em maio, e não no fim de março e começo de abril, como ocorre tradicionalmente.

“Sou um animal de instintos políticos - acompanho a ciência, e foi por isso que pensei em adiar tudo para maio, preservando a saúde de todos os envolvidos", disse ele. “Pensei que a vacina só estaria disponível uma ou duas semanas após a data real da vacinação, de modo que as notícias foram boas. É uma situação frustrante, mas já sabíamos que seria assim.”

As interrupções em Iona e em outras universidades afetaram a conferência toda, de maneira semelhante aos problemas observados no basquete em geral.

A universidade Saint Peter’s tinha dois jogos marcados contra Iona em 15 e 16 de janeiro, mas esses foram adiados depois que as atividades na Iona foram interrompidas pela terceira vez na temporada.

“É muito difícil, simplesmente não sabemos como serão as coisas", disse o técnico da Saint Peter’s, Shaheen Holloway. O time dele não disputou nenhuma partida entre 3 e 22 de janeiro por causa dos adiamentos na Iona. “Às vezes, nos preparamos a semana inteira para enfrentar um time, e acabam remarcando uma partida contra outra equipe. Ficamos 20 dias parados e, por sorte, ainda não tivemos nenhum teste positivo, mas a pausa acabou com o nosso ritmo e prejudicou nosso planejamento de jogo. Não imagino como seja a situação em Iona, Monmouth e Siena, que fizeram longas pausas. É impossível se preparar para isso.”

A Monmouth disputou sua primeira partida da temporada somente no dia 15 de dezembro, por causa de testes positivos para o vírus entre os atletas. O time anunciou que faria outra pausa na semana passada.

A Siena só começou sua temporada no dia 3 de janeiro, e já disputou oito partidas.

Pitino se disse “muito preocupado” com a possibilidade de seus jogadores apresentarem sintomas conforme os alunos se preparam para uma volta às aulas presenciais marcada para 1.º de fevereiro.

“Somos abençoados se pensarmos nas mais de 400 mil mortes e nas famílias que não puderam nem mesmo realizar seus funerais", disse Pitino. “Tenho o coração partido ao pensar nessas pessoas, e espero que, com a chegada da vacina, tenhamos notícias melhores em meados do ano”. / Tradução de Augusto Calil

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