Rolando, o brasileiro pioneiro da NBA

Ver Nenê, Leandrinho e Alex atuando na NBA faz Rolando lembrar de 1988, quando foi o primeiro brasileiro a ingressar na maior e mais desafiadora liga de basquete do mundo, a norte-americana. Aquele pivô com jeitão desengonçado, que era titular da Seleção Brasileira, teve participação pífia na NBA. Mas acha que foi uma experiência importante para o basquete brasileiro - por abrir a rota.Rolando ficou uma temporada e meia no Portland Trail Blazers e disputou 12 partidas, ficando em quadra apenas 34 minutos e registrando a seguinte estatística: nove pontos, 13 rebotes, uma assistência e um bloqueio.Sua análise: "Foi bacana. Abriu as portas para vários atletas. Na minha geração, muita gente tinha medo de arriscar. Eu já estava na Seleção e tive de passar dois anos pelo basquete universitário antes de ir para o Portland. Sem contar que eles tinham preconceito por eu ser um brasileiro tomando o lugar de um norte-americano."Foi nos Estados Unidos que Rolando talvez tenha cometido o maior erro de sua carreira. "Um diretor do time me ligou dizendo que eu precisava dizer aos outros que estava contundido porque eles tinham de botar outro cara para jogar. Ele disse que essa situação levaria um mês, até que o outro jogador mudasse de time. Só que durou seis meses. Fiquei parado de dezembro a maio e voltei no primeiro jogo dos playoffs. Só que naquela altura a auto-estima já estava baixa demais. Se acontecesse de novo, certamente eu não deixaria isso se repetir."Para ele, ver os três brasileiros jogando na NBA mostra que a liga mudou muito. "Hoje existe uma total internacionalização na liga porque eles abriram os olhos. Não havia mais como expandir o basquete dentro dos Estados Unidos. Por isso hoje há gente da China, do Brasil e muitos outros países. Qualquer atleta que esteja na Seleção será facilmente notado para jogar lá. Além disso, não precisa mais ficar dois anos jogando na universidade para entrar na NBA."

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