'Se jogarmos o que sabemos, não existe adversário', diz Ricky Rubio

Armador da Espanha está otimista para Mundial, espera ver o Brasil no torneio e não pretende mudar estilo em mais uma temporada pelo Minnesota Timberwolves na NBA

GUILHERME DORINI E MARCIUS AZEVEDO, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2013 | 07h30

SÃO PAULO - Apontado como um dos armadores mais talentosos da nova geração da NBA, o espanhol Ricky Rubio, de 22 anos, capaz de passes mágicos assim como o seu ídolo, o lendário Magic Johnson, disse em entrevista exclusiva ao Estado que não teme nenhum rival, inclusive os Estados Unidos, e que a Espanha tem totais condições de conquistar o título mundial no ano que vem em casa. "Se jogarmos o que sabemos, não existe adversário para a Espanha", avisou Rubio, bicampeão europeu em 2009, na Polônia, e 2011, na Lituânia, e medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008. Ele ficou fora da Olimpíada de Londres por causa de uma lesão.

O armador, que está disputando o EuroBasket na Eslovênia - a Espanha participa do qualificatório para o Mundial mesmo já garantida por ser a anfitriã -, afirma que espera ver o Brasil no torneio - a seleção de Rubén Magnano depende de um convite da Fiba após fracassar na Copa América. "O jogo contra o Brasil é sempre muito bom". Rubio comenta ainda sobre sua expectativa para sua terceira temporada na NBA. Mais experiente, o armador espera levar o Minnesota Timberwolves, que fez uma campanha ruim na última temporada, pelo menos até os playoffs.

Confira os principais trechos da entrevista:

ESTADÃO - Você tem muitos recordes de precocidade... É o mais jovem a atuar na Liga Espanhola, o mais jovem a disputar uma final de Jogos Olímpicos, por que não quis entrar na NBA em 2009, então com 19 anos?

RICKY RUBIO - Foi uma decisão bem difícil, existiam muitas questões a considerar e  não sei o que teria acontecido se tivesse vindo com 19 anos. Posso dizer que estou feliz com as minhas decisões profissionais.

ESTADÃO - Esses dois anos a mais que você ficou na Europa foram importantes em qual aspecto? Psicológico, tático, técnico, físico?

RICKY RUBIO - Por tudo. Cada jogo é uma lição da qual se aprende alguma coisa e me ajuda a crescer.

ESTADÃO - Há uma diferença muito grande entre o basquete praticado na Europa em relação aos Estados Unidos...  Você precisou mudar o seu estilo para se adaptar?

RICKY RUBIO - Os fundamentos são os mesmos. A NBA é mais física e mais rápida, mas a Europa me deu uma base muito importante. Como eu disse cada jogo, não só cresço como jogador, mas também como pessoa e líder dentro de quadra.

ESTADÃO - Os garotos sempre procuram se espelhar em alguém quando estão começando... Quem era seu ídolo?

RICKY RUBIO - Um dos que mais admiro é Magic Johnson, pela sua versatilidade e pelo espetáculo que ele dava em quadra.

ESTADÃO - Imagino que um dos maiores temores dos jogadores é sofrer uma lesão grave... Você passou por isso logo em seu primeiro ano na NBA... Como foi esse processo?

RICKY RUBIO - A vida nos leva por caminhos diferentes, às vezes há obstáculos que você precisa encarar. Você pode aprender muito com as experiências que a vida te traz. Se você vai deixá-los frustrá-lo ou torná-lo mais forte e mais sábio, só depende de você.

ESTADÃO - Quais os principais adversários da Espanha no caminho para o título mundial? É possível derrotar os Estados Unidos?

RICKY RUBIO - Nós somos nosso maior adversário. Se jogarmos o que sabemos, não existe adversário para a Espanha.

ESTADÃO - Como vê o Brasil, sob o comando de Rubén Magnano?

RICKY RUBIO - Sempre foi um adversário duro para todos, possui muitos jogadores importantes. Parece que tiveram alguns problemas na Copa América, mas espero que possam estar no Mundial, o jogo contra eles é sempre muito bom.

ESTADÃO - Falando novamente de NBA, o que acredita que ainda precisa melhor em seu jogo para continuar entre os melhores armadores da liga?

RICKY RUBIO - Sempre há o que melhorar, em todos os aspectos. Todos os dias tento trabalhar meu jogo, para seguir evoluindo.

ESTADÃO - Você entende que o papel principal do armador é dar assistências ou você realmente precisa pontuar mais, como pediu o presidente de operações do Minnesota, Flip Saunders, recentemente?

RICKY RUBIO - Depende da situação e da partida. Como Magic disse uma vez 'uma assistência faz dois jogadores felizes e pontuar apenas um'. Gosto de dar assistências e surpreender o adversário com  movimentos inesperados, mas, quando tenho a chance,  gosto de pontuar também. Versatilidade é uma grande base e é o jeito mais difícil de você superar a marcação.

ESTADÃO - O Minnesota não fez uma boa campanha na temporada passada. Você acredita que pode ser diferente na próxima temporada? Qual sua expectativa? Dá para sonhar com os playoffs?

RICKY RUBIO - Sim, claro! Cada temporada é diferente e nos traz novos desafios. Vemos os playoffs como um objetivo que somos capazes de alcançar.

ESTADÃO - Em que a chegada de Kevin Martin pode ajudá-los? O Minnesota agora, a exemplo de outras equipes, também tem o seu "big tree", com você, Kevin Love e o Martin?

RICKY RUBIO - Vamos ver. Acho que temos uma equipe que todo mundo pode contribuir, o basquete é um esporte coletivo, sendo necessário mais de um, dois ou três jogadores para ganhar.

ESTADÃO - Alguns jogadores importantes da seleção espanhola não tiveram o mesmo sucesso na NBA, como Raúl López, Rudy Fernández e Juan Carlos Navarro. Você temeu que isso pudesse acontecer com você?

RICKY RUBIO - Não. As pessoas são diferentes, cada jogador e cada situação. Não pode comparar ou deixar que outras situação te afetem.

ESTADÃO - O que acha da comparação que fazem entre você e Pete Maravich?

RICKY RUBIO - É um grande elogio para mim. É uma honra ser comparado a um jogador deste calibre.

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