Seleção brasileira encara o fantasma argentino no Mundial

Equipe de Rubén Magnano tem de interromper a sequência de derrotas diante do rival para alcançar quartas de final na Espanha

O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2014 | 07h00

É uma coincidência, uma coincidência macabra para o basquete brasileiro. Sempre que ensaia uma campanha reabilitadora, a seleção masculina do Brasil encara uma Argentina mais forte, ou mais preparada, ou mais fria. O time comandado por Rubén Magnano foi eliminado pela equipe do país vizinho no Mundial da Turquia, em 2010, e nos Jogos Olímpicos de Londres. Neste domingo, faz mais uma tentativa, em Madri, pelas oitavas de final da Copa do Mundo da Espanha.

Curiosamente, foi na Espanha que o Brasil ficou pela última vez entre os quatro melhores do mundo, no Mundial de 1986, terminando em quarto lugar, batendo os donos da casa. Não será por falta de conhecimento do rival que o Brasil deixará de avançar. Mas a recíproca, é claro, é verdadeira.

"Conhecemos bem o que é a Argentina. É um time mudado em relação ao de Londres, sem dois importantes jogadores, mas sempre mantendo seu padrão de jogo. É um adversário forte, com jogadores experientes e acostumados a jogar esse tipo de competição. Mas estamos em um momento muito bom, mais sólido e com objetivo de chegar ao pódio. Vamos brigar por ele até a última chance", diz o armador Marcelinho Huertas, referindo-se aos desfalques de Emanuel Ginóbili, do San Antonio, e de Carlos Delfino, do Los Angeles Clippers.

A Argentina fez uma campanha pior do que a brasileira na fase inicial, com derrotas para Grécia e Croácia. O Brasil perdeu apenas para a Espanha, que chegou às últimas duas finais olímpicas, ficando com a prata.

"Chegou nossa vez de vencê-los. É um adversário tradicional e existe uma grande rivalidade na América do Sul, mas estamos em um melhor momento. Precisamos fazer valer isso em quadra. Acho que temos tudo para vencer e vamos vencer", diz Alex, principal destaque brasileiro na marcação, que tem sido o ponto forte de uma equipe que padece de oscilações preocupantes no ataque.

O Brasil tem a terceira melhor defesa da Copa, concedendo 66,6 pontos por jogo. A Argentina tem o sétimo melhor desempenho nesse quesito (74,2).

No garrafão, os pivôs terão que trabalhar duro para dar combate a Luis Scola. O pivô carregou nas costas a Argentina no fatídico duelo de 2010, marcando 37 pontos. Naquele Mundial, Scola se distinguiu como o cestinha da competição.

O treinador da Argentina, Julio Lamas, deu um recado para os brasileiros, em entrevista aos jornalistas de seu país. "Jogamos muitas vezes com o Brasil em situações eliminatórias. Queremos acreditar em nós. Não nos eximimos da responsabilidade. Não temos contas pendentes. Daremos tudo para ganhar outra vez. É simples".

Nas entrelinhas, fica a mensagem de que o temor de uma nova derrota pode perturbar os brasileiros em Madri.

SEM O ESCUDEIRO 

Em rápido encontro com jornalistas argentinos, Magnano disse esperar que os adversários novamente façam uma marcação pesada sobre Huertas. "Acredito que vão tentar cortar a linha de passe de Huertas. Precisaremos de habilidade para atacar essa situação. É um jogo de táticas".

Nesse aspecto, Magnano encontra-se desassistido de seu auxiliar favorito, o também argentino Carlos Duró. A CBB o pagava graças a uma verba doMinistério do Esporte, mas o projeto não foi renovado. Os assistentes de Magnano na Espanha são José Neto, treinador do Flamengo, e Gustavo Conti, treinador do Paulistano.

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