Samuel Vélez/FIBA Américas
Samuel Vélez/FIBA Américas

Sem estrelas da NBA, Brasil estreia em busca da vaga no Mundial

Seleção brasileira sofre com dispensas, mas leva grupo forte para Copa América de basquete

MARCIUS AZEVEDO, O Estado de S. Paulo

30 de agosto de 2013 | 07h33

SÃO PAULO - Único país a participar de todas as edições de Mundiais, o Brasil inicia nesta sexta-feira, contra Porto Rico, às 18h30, na Copa América da Venezuela, a caminhada para conquistar uma das quatro vagas oferecidas para o torneio que será realizado na Espanha, no ano que vem. A seleção comandada pelo argentino Rubén Magnano está no Grupo A, que, além dos porto-riquenhos, conta com Canadá, Jamaica e Uruguai. Argentina, México, Paraguai, República Dominicana e Venezuela estão na outra chave.

Pela primeira vez desde o Pré-Olímpico de 2008, o Brasil não contará com nenhum jogador que atua na NBA, principal liga de basquete do mundo. Os pivôs Nenê (Washington Wizards), Anderson Varejão (Cleveland Cavaliers), Tiago Splitter (San Antonio Spurs) e Vitor Faverani (Boston Celtics) optaram por não atender à convocação, assim como o ala-armador Leandrinho, que está sem contrato desde o fim da temporada e ainda busca uma vaga em um time da NBA.

O também pivô Lucas Bebê, selecionado na primeira rodada do draft deste ano - foi parar no Atlanta Hawks após duas negociações - , pediu dispensa para tentar ingressar na liga logo em seu primeiro ano, mas, depois de boa participação na Liga de Verão, ficou decidido que ele vai passar mais uma temporada no basquete espanhol. Por fim, Marquinhos, que voltava de lesão, pediu para deixar o grupo. Magnano acusou o golpe. "É uma das dispensas que mais senti, porque foi um jogador que nós trouxemos de volta à seleção brasileira", disse.

"Não adianta falar tanto das dispensas e não gosto disso, mas acho que pegou duro pela quantidade. É como eu sempre digo: os que não estão, não estão. Ficaram esses jogadores e vamos brigar para atingir nosso objetivo. Não dá para ficar se lamentando", acrescentou.

APOSTA 

Com tantas ausências importantes, Magnano confia em Marcelinho Huertas para liderar o time dentro de quadra. Nos jogos de preparação já foi possível perceber que o armador assumiu este papel e promete ser o principal jogador do Brasil na Copa América. "Estamos com uma equipe que mescla experiência e juventude, mas todos os jogadores estão totalmente adaptados ao esquema do Magnano. Os dez amistosos que disputamos até aqui serviram para nossa avaliação e corrigir os detalhes para a Copa América", afirmou Huertas. "Viemos para conseguir a vaga para o Mundial e brigar pelo título", emendou.

Outro que deve se destacar é o pivô Rafael Hettsheimeir. O jogador, que trocou recentemente o Real Madrid pelo Zaragoza, recebe mais uma chance de provar seu valor após ficar fora dos Jogos de Londres-2012 por causa de uma lesão. O quinteto titular terá ainda o ala-armador norte-americano Larry Taylor e o experiente ala Alex Garcia. A última vaga deve variar conforme o adversário. Se Magnano optar por um garrafão mais poderoso, suas opções são Caio Torres e JP Baptista. Guilherme Giovannoni deixa o time mais rápido, mas sem perder tanta força.

Sem suas estrelas, o Brasil perde um pouco do favoritismo, mas, mesmo assim, tem totais condições de ficar com uma das quatro vagas. Os principais rivais serão Porto Rico, Argentina, Canadá e República Dominicana. Jamaica, México e Venezuela correm por fora. "Não será uma competição fácil e não podemos nos descuidar de nenhum adversário. Enfrentaremos nossos rivais mais difíceis na sequência. Precisamos estar bem preparados", comentou Magnano.

Depois de Porto Rico, o Brasil enfrenta o Canadá no domingo, o Uruguai na segunda-feira e encerra sua participação na primeira fase no dia seguinte, diante da Jamaica. Os quatro primeiros colocados de cada grupo avançam à segunda fase, mas levam consigo os resultados, exceção ao jogo contra o único eliminado e, por isso, é importante classificar em uma boa posição. Na segunda fase, as oito seleções se enfrentam entre si e os quatro melhores estão garantidos no Mundial, além de irem para a disputa do título.

Se o Brasil não conseguir ficar entre os quatro classificados há ainda uma última esperança de ir ao Mundial da Espanha. A Fiba (Federação Internacional de Basquete) concede convite para quatro seleções.

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