Pedro Ivo Prates/Estadão
Pedro Ivo Prates/Estadão

'Sou o técnico na Copa América, mas quero continuar', diz Carlos Lima

Técnico assume o comando da seleção feminina na competição e depende de bom resultado para ser efetivado

Entrevista com

Carlos Lima

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2017 | 07h00

Aos 45 anos, Carlos Lima tem sua maior oportunidade na carreira. Nesta quinta-feira, em Pindamonhangaba, o treinador inicia o trabalho com o grupo da seleção feminina de basquete. O desafio é ficar entre os três primeiros da Copa América, que começa no dia 4 de agosto, na Argentina, e classificar o Brasil para o Mundial da Espanha, em 2019. O resultado, segundo revelou o técnico ao Estado, influenciará seu futuro no cargo.

O convite da CBB te surpreendeu?

Claro que você fica surpreso em um primeiro momento, mas sempre esperei uma oportunidade para representar o Brasil. Aceitei de imediato, independentemente do momento. É de suma importância uma oportunidade como essa. Fiquei muito satisfeito com o convite. 

Você fica exclusivo da CBB ou continua também no São José?

Neste primeiro momento fui convocado para comandar o Brasil na Copa América. Lógico que o meu desejo é que possamos conversar para eu continuar. Mas primeiro penso na Copa América e depois vamos aguardar, até para que tudo possa se assentar. A gente sabe que o pessoal da CBB está trabalhando muito para colocar tudo em ordem para que possamos fazer um planejamento para o futuro.

Então você é um técnico interino?

Hoje, na minha cabeça, vou dirigir o Brasil na Copa América, mas com o desejo de continuar.

Até pela situação financeira delicada da CBB, você receberá salário ou uma premiação por desempenho?

Prefiro não responder, ficarei te devendo essa.

Você se sente pressionado?

É o meu maior desafio na vida, dirigir uma seleção brasileira, em uma competição importante. Vamos enfrentar uma Copa América com um grau de dificuldade muito alto, até porque são apenas três vagas para o Mundial e temos sete seleções. Mas, sinceramente, não me sinto pressionado porque foi contratado para fazer um trabalho. As pessoas que me contrataram certamente acreditam no que posso fazer.  Ao lado da comissão, vou fazer o trabalho mais elaborado possível, mais dedicado possível, fazer com que essas meninas tenham orgulho de representar o Brasil.

A primeira lista saiu no mesmo dia em que você foi confirmado no cargo... Como foi essa elaboração? Você chamou cinco jogadoras que atuam no exterior, duas delas na WNBA... Acredita que elas estarão na Copa América?

Foram mais ou menos dez dias pensando na lista. A convocação foi feita e vamos aguardar. A gente espera que elas possam estar na competição. Neste momento, ainda não sei como será. Não tive contato com elas. Fiz minha convocação e agora vamos ver o que pode vir pela frente.

Você terá menos de um mês para preparar o time. É pouco tempo?

Gostaria de ter um pouco mais de tempo, principalmente pela parte física. A Liga Nacional acabou há dois meses e não sabemos em quais condições estão essas jogadoras. A parte tática e técnica, vamos correr atrás e procurar fazer com que o tempo seja suficiente. 

Quais serão os principais rivais da seleção?

O Canadá é muito forte. A Argentina, por jogar em casa, também é um adversário complicado. Temos Cuba, Colômbia, Venezuela... São adversários duríssimos. Nós passamos por esse momento afastado de competições, as jogadoras sem saber se iríamos participar de alguma competição neste ano. Então vejo que eles estão em vantagem por esse motivo. Mas já temos vídeos dessas seleções e estamos trabalhando para entrar preparados na Copa América.  

Como você avalia o atual momento do basquete feminino no Brasil?

Temos vários pontos que precisamos melhorar na estrutura. A gente precisa reformar os nossos campeonatos de base, temos de ter mais investimento nas equipes, patrocinadores, ter mais times jogando na LBF (Liga de Basquete Feminino)... Temos de galgar um novo espaço, retomar. O basquete feminino está desacreditado no Brasil. A retomada só vai acontecer quando tivermos um produto melhor. Campeonatos com mais visibilidade. 

É possível encontrar uma nova geração como a de Hortência, Paula e Janeth e retomar o protagonismo?

Essas foram jogadoras excepcionais. Isso pode acontecer com trabalho, mas não daqui seis meses, dois anos... Vai acontecer mais para frente, com um bom planejamento, uma estruturação. Tenho certeza que isso será feito por essa administração da CBB. Confio no sucesso, mas com um trabalho de médio e longo prazo. 

O basquete feminino ficou realmente em segundo plano nos últimos anos?

Sem dúvida. O naipe feminino não é tão valorizando quanto o masculino. E isso não é apenas no basquete. O masculino sempre tem um pouco mais de apoio. Mas vi o atual presidente afirmar em entrevista que vai dar atenção tanto ao masculino quanto o feminino.  

Qual é o caminho para revelar jogadoras de nível de seleção?

A escola é o primeiro passo. Temos os Estados Unidos como exemplo. O esporte precisa sempre andar junto com a educação. Depois são os clubes. Eles têm de fazer um trabalho de formação, sem pensar em títulos, colocar crianças para disputar campeonatos regionais, estaduais e nacionais. Aí sim teremos uma grande quantidade para extrair qualidade.

Tudo o que sabemos sobre:
Basquete

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.