Jed Jacobsohn / AP
Jed Jacobsohn / AP

Tatum é fã de Kobe, sonhava em jogar nos Lakers e agora quer virada contra o rival na final da NBA

Boston Celtics confia no talento do armador para se manter vivo contra o Golden State Warriors, que pode ser campeão nesta quinta-feira

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2022 | 20h00

O ano era 2017. O Boston Celtics tinha a opção de escolher o número 1 do draft, mas abriu mão em uma troca com o Philadelphia 76ers pela terceira posição. O movimento modificou o destino de Jayson Tatum, atual astro da franquia de Massachusetts, que tenta sobreviver na final da NBA. O sexto jogo da série com o Golden State Warriors, que lidera por 3 a 2, acontece nesta quinta-feira, às 22h, no TD Garden. 

Tatum não seria escolhido pelos Celtics na primeira posição. Quem revelou isso foi o próprio jogador anos depois, em entrevista à ESPN. O armador disse que após um treino pré-draft um olheiro da equipe conversou com ele: "Ele me falou: 'Esse foi um treino excelente. Eu gostei muito de você. Mas temos a primeira escolha, então não vamos escolher você'", contou. O profissional ainda trabalha na franquia, segundo o jogador. "Eu tiro onda com ele o tempo todo."

O Philadelphia selecionou Markelle Fultz. A segunda posição do draft era do Los Angeles Lakers. Tatum sonhava em jogar pela franquia da Califórnia. Boston ficou na torcida. "Os Lakers eram meu time favorito, e Kobe (Bryant) era meu jogador favorito", revelou. "É muito louco que os Lakers tiveram essa escolha e eu estava tão perto de um sonho se tornar realidade. Mas parece que eles não quisessem nada comigo na época", acrescentou.

Aqui vale um parênteses para explicar o quanto Tatum queria ser como Kobe. Não à toa, após Chris Bosh contar uma situação que vivenciou nos treinos para Pequim-2008, o então garoto se dedicou ainda mais. Bicampeão da NBA pelo Miami Heat, o ex-jogador afirmou que na preparação para os Jogos Olímpicos queria se tornar um líder da equipe e, por isso, no primeiro dia, tentou dar exemplo. Colocou um despertador para acordar com o nascer do sol, mas, quando chegou para o café da manhã, Kobe já estava lá, encharcado de suor por já ter feito alguma atividade.

Depois disso, Tatum acordava todos os dias às 5h30 para treinar no ginásio da Chaminade College Preparatory School. O mesmo esforço ele levou para Duke, sob o comando de lendário Coach K. Atuou apenas um ano pela universidade antes de decidir entrar no draft. Boston foi o seu destino, na terceira posição, após o Los Angeles Lakers selecionar Lonzo Ball.

Kobe continua servindo de inspiração para Tatum. Em momentos como este, quando precisa ser ainda melhor para manter os Celtics na briga pelo título, afinal tem excelentes médias (26,2 pontos, 6,9 rebotes e 6,1 assistências), ele costuma assistir aos vídeos do ídolo que morreu em 26 de janeiro de 2020, em um acidente de helicóptero. 

"Não temos de ganhar dois jogos num dia. Só temos de ganhar um jogo na quinta-feira para forçar o sétimo jogo", afirmou Tatum. "Já estivemos nesta situação antes. Ainda não acabou. Temos de ganhar o próximo jogo. Isso é tudo com o que temos de se preocupar neste momento", completou.

A idolatria é tão grande que Tatum lembra com carinho de uma mensagem que recebeu de Kobe em 2018. O astro, que se aposentou na temporada 2016, portanto antes de o armador do Boston entrar na NBA, queria colocá-lo como personagem de um dos episódios da série "Detail", quando o jogador estava nas finais da Conferência Leste daquela temporada.

"Foi um dos melhores momentos da minha vida", afirmou o Tatum, então com 20 anos. "Ele falou: 'Ei, tudo bem? Aqui é o Kobe. Você está jogando muito. Estou feliz por você. Continue assim. Se você vier para LA e quiser me encontrar, fala comigo'", contou. Os dois se encontraram, conversaram e Tatum fez parte da série documental.

Agora, aos 24 anos, Tatum tem de liderar os Celtics assim como Kobe fez inúmeras vezes com os Lakers. E, em caso de virada na série com o Golden State Warriors, o armador vai transformar Boston na equipe com o maior número de títulos da história da NBA, superando o Los Angeles, do ídolo. Atualmente ambos somam 17 conquistas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.