Mark J. Terrill/AP
Mark J. Terrill/AP

Técnico do Miami Heat foi salvo por cláusula, ganhou títulos e derrubou rótulo de figura decorativa

Erik Spoelstra comprovou ser um grande treinador, mesmo sem contar com um elenco recheado de astros, e quer derrotar o Los Angeles Lakers 

Marcius Azevedo , O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2020 | 08h00

A vitória do Miami Heat no jogo 3 não passou apenas pela atuação exuberante de Jimmy Butler. A equipe reagiu mesmo após perder duas peças importantes, os lesionados Goran Dragic e Bam Adebayo, graças ao trabalho de Erik Spoelstra. O técnico de 49 anos provou mais uma vez que nunca deveria ser sido tachado de figura decorativa. O Los Angeles Lakers terá um enorme desafio pela frente nesta terça-feira, na quarta partida da série melhor de sete pela final da NBA.  

A carreira de Spoelstra fora de quadra começou em 1995. Após atuar pela Universidade de Portland e passar duas temporadas no basquete da Alemanha como jogador, ele aceitou o cargo de coordenador de vídeo no Miami Heat. Coincidentemente, o atual presidente da franquia, Pat Riley, poderia ter sido o responsável por sua demissão.

Riley assumiu como técnico da equipe da Flórida na temporada seguinte e seguiu com Spoelstra no estafe por causa de uma cláusula contratual que não permitia trocar o coordenador de vídeo. Foi o pai do treinador, Jon, que fez esta revelação ao jornal The New York Times em 2011. "Erik estaria sem emprego e sua carreira teria acabado ali", disse.

Spoelstra continuou na franquia e, com um excelente trabalho, conquistou Riley. Ele subiu os degraus na comissão, como um plano de carreira, cumprindo funções como olheiro avançado e diretor de olheiros, até se tornar assistente técnico. 

Em 2008, ao assumir como dirigente, Riley não pensou muito ao definir quem seria o seu substituto: Spoelstra. Logo na primeira temporada (2008-2009), após o time registrar o pior desempenho da NBA, o treinador levou o Miami Heat aos playoffs. O que se repetiu na temporada seguinte.

A mudança de patamar da equipe da Flórida aconteceu na temporada 2010-2011. Com espaço na folha salarial para investir no mercado de agentes livres, Riley contratou LeBron James, que decidiu deixar o Cleveland Cavaliers, e Chris Bosh, então no Toronto Raptors, para atuarem com Dwyane Wade. 

O big three fez Spoelstra viver o melhor momento como técnico em termos de resultado e o pior em relação aos comentários sobre o seu trabalho. Apesar de chegar quatro vezes consecutivas à final da NBA e conquistar dois títulos, o treinador foi tachado, em muitos momentos, como uma figura decorativa, que não tinha influência no bom desempenho da equipe. 

As coisas mudaram em 2013-2014, quando LeBron James decidiu voltar para Cleveland. O Miami Heat não conseguiu se classificar aos playoffs naquela temporada. Bosh se aposentou pouco depois por causa de um tromboembolismo pulmonar e Wade brigou com Riley e decidiu ir embora - o armador ainda voltaria para suas duas últimas temporadas pela franquia, em 2018 e 2019.  

Spoelstra conduziu uma reconstrução. Com o aval de Riley, que bancou o treinador, ele foi formou um time ao seu estilo, com muita transpiração. A chegada de Jimmy Butler antes do início da atual temporada fez tudo se encaixar perfeitamente. 

O treinador ajudou no crescimento de Bam Adebayo, que se tornou um All-Star, e formou um elenco sólido, com jogadores que brigam por cada bola, como Andre Iguodala e Jae Crowder, e outros talentosos para definir no ataque, como o novato Tyler Herro. A vitória no jogo 3, mesmo com tantos problemas, só reforça o quão bom é o trabalho de Spoelstra.

"Nosso grupo é teimoso, persistente, e nós só precisamos descobrir como superar esse oponente", avisou Spoelstra.

 

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